Considerações éticas (e sérias) sobre robôs

Tava estudando aqui para escrever o background de alguns personagens do livro que estou escrevendo (sim, é isso mesmo; e é um livro de ficção científica) e me deparei com alguma dúvidas éticas a respeito da relação entre robôs e humanos. Já que eu estava precisando divagar e pensar em merda, decidi compartilhar com vocês tudo isso aqui. Afinal pra quê ficar segurando tudo isso só para colocar na história meia-boca que estou escrevendo? Não faz o menino sentido. Tá, até faz sentido, mas foda-se.

Deixo claro que as três leis da robótica do Asimov foram abandonadas aqui. Na história e mundo que estou criando, os robôs podem ferir seres humanos ou permitir que eles se machuquem. Isso desde que eles sejam programados para isso. Mas as outras duas regras estão valendo aqui, afinal ele ainda tem que seguir as ordens dos humanos e tem que proteger sua existência. Percebi agora que dois terços das regras ainda estão valendo. Percebi também que fui idiota em falar de abandono das regras do Asimov. Percebi que fui idiota como sempre.

A história se passa no final do século XXII e, nessa época, já há tecnologia para que os robôs consigam copiar praticamente todas as funções dos seres humanos. Bom, vocês vão entender melhor a partir das perguntas e das respostas.

 

Um robô é um ser vivo? 

O que podemos considerar como ser vivo? Essa é uma questão complicada, uma vez que, nessa época, já temos robôs capazes de gerar seu próprio material genético. Talvez a maior discussão esteja na reprodução. Um robô que produz um robô a partir de peças metálicas pegas em qualquer lugar pode ser considerado um ser reprodutor? Ou então robôs de verdade são apenas aqueles que são criados por humanos? Já é possível que um robô tenha um sistema reprodutor, completo, inclusive com órgãos sexuais. Entramos aí em outro problema: um robô tem o direito de ser semelhante a um humano quanto a sua imagem? Ou eles tem que ser diferentes para não causar problemas de identificação? Se eles forem diferentes, então eles não possuem os mesmos direitos dos seres humanos, uma vez que nós somos capazes de nos transformarmos em qualquer coisa. Somos capazes até mesmo de nos tornarmos robôs, uma vez que órgãos, ossos e outras partes do corpo podem ser substituídos por componentes robóticos.

 

Quem é quem, quem será meu bom?
Quem é quem, quem será meu bom?

 

No caso de uma reprodução robótica, quem iria programar o robô gerado por dois outros robôs?

Sendo os robôs ainda dependentes e ajudantes do ser humano (mesmo com alguns direitos assegurados), como ficaria o desejo de um robô de se reproduzir, gerar um novo ser inspirado nele? Primeiramente, para este robô se reproduzir, foi necessário que um ser humano tenha colocado em sua programação um código responsável por querer fazer isso. Neste caso seria esta pessoa a responsável pela programação do novo robô? Afinal, um novo robô gerado por robôs ainda deveria estar ligado ao ser humano original que criou aquela família ou deveria ser “libertado”?

 

Relacionamentos entre humanos e robôs são legais? 

Imagina o choque na sociedade quando as primeiras pessoas passarem a ter relações sexuais com robôs. Logo depois, teremos as primeiras tendo filhos com esses robôs. Depois teremos a velha guarda rejeitando o casamento entr humanos e robôs, semelhante ao que temos hoje com o casamento gay. Se o pessoal quer controlar quem enfia o quê no cu, imagina com aqueles que deixam um ser metálico enfiar um ferro (nesse caso, de verdade) no orifício anal? Demorarão anos para que isso aconteça. Haverão protestos e mais protestos, mas ainda assim a lei passará. Mas como ficarão os sistemas de pensão uma vez que um robô não morre e a vida de um ser humano é finita? Mesmo em futuro onde o ser humano se torne imortal, ainda poderemos morrer em acidentes. Já os robôs podem ser reconstruídos. Bastante complicado.

 

Os robôs tem direito a gerarem (construírem) seu próprio DNA para se reproduzirem com e como humanos? 

Um dos assuntos mais polêmicos. Afinal, dois conceitos de vida ainda são bem distantes entre robôs e humanos: crescimento e reprodução. Um robô não precisa de células. Seu corpo pode ser formado por uma espécie de gel que simula a pele. Já a criação de uma DNA próprio iria complicar. Eles poderiam ter um sistema interno que só fabricaria porções de DNA quando precisassem. No caso, em relações sexuais. Mas esse sistema de fabricação poderia escolher características para um ser humano. É um dos problemas que temos hoje em dia. Todos sabem que, se deixassem, a maioria das pessoas escolheriam o sêmen de doadores altos, loiros e de olhos azuis. Como um robô decidiria por isso? Seria ético e moral escolher as definições do próprio filho?

 

Antes de isso tudo, haverão pessoas que vão querer fazer sexo com robôs. Se o robô é um ser vivo e você o usa única e exclusivamente para o sexo, ele se torna um escravo? Afinal, robôs tem que receber salários? 

Uma robô-prostituta seria uma coisa perfeita (do ponto de vista sexual): sempre estaria disposta, “conservada” e poderia trabalhar 24h por dia, recarregando suas energias com o calor do(a) parceiro(a) sexual ou enquanto ficasse deitada na cama. Mas seria legal (do ponto de vista jurídico) manter uma robô escrava sexual? Onde ficariam os direitos do robô no quesito liberdade? Se um robô não se cansa e nem precisa se alimentar, precisaria ele receber salários? Lembremos que, ainda assim, robôs precisariam renovar seus dispositivos de tempos em tempos, trocar o gel que simula a pele e consertar qualquer defeito que surja. Quando existirá a equiparação de salário entre robôs e humanos?

 

Uma dúvida que a sociedade resolve em menos de 140 caracteres
Uma dúvida que a sociedade resolve em menos de 140 caracteres

 

Os seres gerados biologicamente de uma relação entre humanos e robôs são registrados de que forma?

Na certidão de nascimento dos seres gerados dessa relação vem marcado que tipo de… origem? São meio-humanos ou meio-robôs. Como serão trabalhadas as escolas para que essas crianças não sofram bullying? Haverão leis especiais para elas?

 

Robôs podem adotar crianças humanas? Robôs podem gerar humanos?

Poderia um ser humano ser criado por robôs? Levando-se em conta que, neste cenário, os robôs já ajudam na criação de infantes há muito tempo. Mas serem pais de humanos? Psicólogos dirão que as crianças se espelham nos pais e não conseguirão se espelhar em um robô. Mais complicado ainda quando dois robôs gerarem um humano a partir de DNA criado por eles mesmos. Isso será permitido? O tempo dirá.

5 coisas irritantes em fotografias na internet

Confesse: você estava com saudades da série de coisas irritantes, não é? Pois eu não. Escrever isso aqui me deixa com tanto ódio de mim, de você e da humanidade que é difícil enfrentar a realidade depois de escrever tanta raiva em letras arábicas. E o assunto de hoje fala sobre a criatividade humana. Ou a falta dela. Incrível como os animais ganharam o poder de registrar visualmente o que se passa na frente dos seus olhos e fazem isso da pior maneira possível. Você ganha uma câmera com megapixels e megapixels de qualidade, flash, filtros de imagem e mais Lightroom, Photoshop e zilhões de programas de edição. E o que você faz? Caga tudo. Pra falar a verdade, por volta 7 bilhões de animais bípedes desse nosso mundo são capazes de cagar o que centenas de cientistas demoraram anos para fazer. Todo mundo caga. Uns mais outros menos. Deixa eu ir logo para os tópicos antes que eu me estresse antes da hora. Se bem que fiz um pacto comigo mesmo que não vou mais me estressar nestes posts. O objetivo é a diversão.

 

5) Fotos “zueronas”

Como vocês sabem, a zuêra não tem limites. Até o Vegeta sabe que a zuêra não tem limites. Porém, assim como o universo, a zuêra possui lugares ainda não alcançados por nós. Vira e mexe, os animais alcançam estes lugares ainda pouco explorados. Observem a foto abaixo.

 

"Você está defecando pela... pela..."
“Você está defecando pela… pela…”

 

O que leva alguém, com todos os seus neurônios em pleno funcionamento tirar uma foto dessas? A explicação de “apenas pela zuêra LOL” não serve. Essas pessoas não pensam que fotos como essas continuarão para sempre na internet. O que seus filhos vão achar disso no futuro? Será que a sua mãe sabe que você tira fotos assim? Se ela souber com certeza irá reprovar. A escatologia é um negócio que, assim como a zoofilia, o hentai e o furry são coisas que, mesmo em uma escala diminuta, agridem de uma forma muito forte. Espero que a “zuêra” ricocheteie e volte para você com a força de um meteoro de Pégaso.

 

4) Garotas sensuais

Este tópico não me deixa assim tão irritado. Porém é aquela típica situação “chove e não molha”. A garota está sensualizando na foto. Está com o decote generoso. Está mostrando aquela pinta no seio direito. Primeiramente, esta foto chamativa… te chama a atenção. Aí, como um bom stalker, você vai ver as outras fotos. Estão bloqueadas. Só amigos podem ver. Ok, você vai lá, aceita a amizade, vê as fotos mas a garota não fala com ninguém. Vocês podem até me chamar de Gerald Thomas (seria injusto, mas vocês tem essa liberdade), mas argh!, porque existem as malditas fotos que não representam a personalidade das pessoas? A pessoa só é sensual em fotos. Ou então só em alegre em fotos, mas na verdade sofre de depressão. Tô com ódio disso.

 

3) Avatares photoshopados

Mais um tópico que não posso mostrar fotos dos amigos para não responder a processo. Me digam uma coisa: estamos no bate-papo UOL ou no Facebook? Nessa altura do campeonato internético vocês ainda insistem em mostrar outras pessoas nos avatares. Só que a facilidade de alcance a ferramentas como o Photoshop, escovinha e outras maravilhas da vida moderna nos pregam peças. Ontem estavámos eu e a Gi destilando maldades no inbox quando me deparo com uma foto muito bonita no feed do FB. Pensei “Oh meu DEUS, que gata!”. Olho para o lado e me surpreendo com o nome da pessoa. Não acredito e vou ver a foto em tamanho maior. Vi a foto e um estalo veio à minha cabeça “Tenho que relatar isso num post”. Porque vocês fazem isso? (PQ FAS ISO ROMARINO?) Se até a máscara de Link cai em Majora’s Mask, porque a sua não iria cair? Parem com saporra.

 

2) Poses manjadas

Lá vem! Quantas vezes por dia vocês se deparam com fotos de times de futebol? Sim, aquelas em que as pessoas estão lado a lado com os braços nas costas dos outros? Uma dúzia? Mais? Já tirei fotos assim. Muitas. Mas frequentar a faculdade se resume a tirar fotos dessa forma. Ainda assim essa pose não é mais manjada que as amigas fazendo biquinho na foto. Ou então tirando fotos de lado, encoxando a amiga seguinte. Reparo que falta criatividade em vocês. São sempre as mesmas fotos. Só as vestimentas mudam. E aquela pessoa que todo dia tira foto do xícara de café? Ou então do pôr-do-sol via janela do trabalho? Não quero nem entrar no assunto Instagram, gatos, cupcake, Kit Kat e cia. LTDA (lembra que essa expressão era usada antigamente?). Pessoal, pensem um pouco antes de tirar as fotos. Existem tantas opções, mas o arroz e feijão é o mais comido. Eu fico realmente desgraçado da minha cabeça com isso.

 

Peguei isso lá no Flogão, mas poderia ser no seu Facebook
Peguei isso lá no Flogão, mas poderia ser no seu Facebook. Reflita

 

1) 16:9 widescreen from hell

Vou revelar uma coisa importante. Eu me segurei até aqui. Mas agora é impossível. Como é irritante a pessoa que, ao fazer imagens com o celular ou com a câmera, a utilizam na vertical. O pior é quando se faz vídeo dessa forma. Perceba só uma coisa: seus olhos estão um ao lado do outro, não em cima um do outro. Logo, ao ver um vídeo, é muito mais confortável assistí-lo “esticado para os lados”. Entenderam? Fotos e vídeos são na horizontal, não na vertical, seus animais! Aprendam a usar saporra que vocês compraram. Mas é foda. A idiota vai lá e tira uma foto pro perfil na vertical. Até o Facebook tem dificulldades para analisar tamanha façanha. Se chega no Youtube e a principal imagem que temos da explosão em West foi feita na vertical. Vocês reclamam de tarjas pretas nos filmes mas fazem isso, né? Cêis gostam disso, pode falar. E aquele pessoal que coloca filtro do Instagram em screenshot? E aquele pessoal que registra todas as suas fotos em sépia LIKE A OLIVER STONE? Olha, eu tô com um ódio disso, dessa burrice humana no uso de uma câmera que eu vou terminar o post aqui antes de…   

[NOW PLAYING] Treasure Adventure Game

Tô jogando um game bem legal chamado Treasure Adventure Game. Faz um tempão que ganhei ele de graça numa promoção do GOG e só agora que fui jogar. Apesar dos gráficos pixelados e bem simples, ele diverte bastante, principalmente em seus diálogos muito bem humorados. A jogabilidade é muito boa e mistura bem puzzles, plataforma e metroidvania.

Os puzzles, apesar de simples, exigem que você raciocine um pouco em como utilizar os muitos itens e novas habilidades que são adquiridas durante o gameplay. E como são várias dungeons a serem exploradas, muitas vezes você só consegue alcançar outras áreas ou resolver os problemas dos NPCs depois de algum tempo. Esse esquema de ir e voltar em várias áreas é uma das coisas que eu valorizo (e que é chamado de Metroidvania). A característica de plataforma é realçada com uma peculiaridade do personagem principal: assim como um bom pirata, ele possui um gancho em uma das mãos. Isso permite que ele se prenda às plataformas e ataque os inimigos.

O jogo tem uma escala de dificuldade muito bem feita. No começo você achará que ele é um jogo bem fácil. De fato, ele é. Mas quando se alcança por volta de 70% de conclusão do jogo, ele passa por um forte aumento na dificuldade. Algumas áreas, como a que, no final, você enfrenta os principais capangas do vilão, exigem boas doses de concentração e smash buttons corretos. Então, não se engane com seu visual simplório.

Boa pedida para passar o tempo, com uma história legalzinha sobre preservação da natureza e que não te irritará. Você sempre ficará querendo jogar mais para chegar no próximo checkpoint. Vale a jogatina.

Eu fiz um álbum no Facebook mostrando algumas passagens do jogo. Dá uma olhada.

[REVIEW] As Crônicas de Gelo e Fogo: A Dança dos Dragões

– Serão os seus Sete Reinos assim tão diferentes? Não há paz em Westeros, não há justiça, não há fé… e muito em breve não haverá comida. Quando os homens passam fome e estão doentes de medo, procuram um salvador.”

Como A Dança dos Dragões se passa na mesma época de O Festim dos Corvos, toda aquela atmosfera de desespero, medo, sujeira e abandono continua presente aqui. Só para constar: Dança é melhor do que Festim. Primeiro porque Dança traz meus personagens preferidos, o que já ajuda logo de cara. Segundo porque seus diálogos são mais bem construídos (justamente por causa desses meus personagens preferidos). Para lembrar você que já leu o livro há algum tempo ou que por algum motivo idiota está lendo a análise do quinto livro de uma saga tão extensa, Dança traz todo mundo que não aparece em Festim. Aqui são relatadas as histórias do Norte, do mundo Para-Lá-Da-Muralha, de Volantis e da Baía dos Escravos. Nada desse povo do Sul com seu calor e suas frescuras. Esse é um livro de machos. Eu diria que esse é mais que um livro de machos. É um livro nojento, repleto de passagens que trazem o pior do ser humano. É um livro que já começa terrível, contando como ficou a situação do povo livre depois da batalha na Muralha. Varamyr Troca-Peles foi o escolhido para abrir o livro morrendo (como todos os personagens que abrem todos os livros).

Tinha os lábios vermelhos, os lábios fendidos, a garganta seca e ressecada, mas os sabores do sangue e da gordura enchiam-lhe a boca, mesmo apesar da barriga distendida gritando por alimento. A carne de uma criança, pensou, lembrando-se de Bossa. Carne humana. Teria caído suficientemente baixo para sentir fome de carne humana? Quase conseguia ouvir Haggon rosnando-lhe.

– Os homens podem comer a carne de animais e os animais a carne de homens, mas o homem que come a carne do homem é uma abominação.

Abominação. Sempre foi essa a palavra preferida de Haggon. Abominação, abominação, abominação.”

O povo livre se divide em três: os que morrem de fome, os que procuram se reorganizar para lá da Muralha e aqueles que se sujeitam a Stannis. Destes, alguns se tornam homens de Lorde Snow, que lhes oferece abrigo, trabalho e comida na Muralha, mesmo sob a vista torta de muita gente. De cara vemos como Jon evoluiu nesses livros. Apesar de não ser um comandante carrancudo, ele traz muito da justiça que o pai lhe deu. Uma de suas passagens mais interessantes e que marca essa transição é a morte de Janos Slynt. Ele começa a pensar em punições cada vez mais severas ao malandrão até que decide-se pelo enforcamento.

E a Muralha sofre de mesmo mal que o resto de Westeros sofre: a falta de bons líderes. Já falei sobre isso no review de O Festim dos Corvos, mas vale a repetição. Todo mundo que era foda, respeitado e o caralho à 4, já morreu. Na Muralha o próprio Jon me ajudou a fazer a listinha. O Velho Urso, Quorin Meia-Mão, Donal Noye, Jarmen Buckwell, o tio de Jon… e a lista não para aí, pois no final do livro mais bons homens morrem. Só sobram os fracos.

Na velocidade em que está, Stannis demorará 100 anos para chegar em Porto Real
Na velocidade em que está, Stannis demorará 100 anos para chegar em Porto Real

Porém, mesmo com alguns momentos interessantes, como sua luta com o Camisa de Chocalho (que revela-se depois como Mance Rayder) e umas duas conversas com Stannis, as partes de Snow são exageradamente lentas. Em especial no começo. São uns três capítulos contando eventos que já tínhamos visto em O Festim dos Corvos sob os olhos de Sam. Não era necessário tudo aquilo. A parte dos diálogos repetidos é legal, mas a enrolação para a partida de Sam é muito grande. Mas não é nada que quem chegou até aqui não consiga superar. O final de Jon é aquele que nos deixa em dúvida: seria ele, na verdade, o Azor Ahai renascido e não Stannis? Melisandre pareceu bastante confusa quanto a isso no último capítulo.

Continuando no Norte temos o personagem mais bem construído desse livro: Fedor. Incrível acompanhar como Theon Greyjoy, metido e fanfarrão, se tornou um cachorrinho de Ramsay Snow (Snow não! Bolton!). Depois de ficar meses numa masmorra sem comer direito e sendo esfolado, torturado e amputado inúmeras vezes, Theon se tornou Fedor. Com isso ele obteve uma mente perturbada, amedrontada e receosa de qualquer opinião que Ramsay emita sobre ele. Saca só a forma como ele é apresentado:

A ratazana guinchou quando a mordeu, esperneando violentamente em suas mãos, num frenesi para fugir. A barriga era a parte mais mole. Rasgou a carne doce, com o sangue quente escorrendo pelos lábios. Era tão bom que lhe trouxe lágrimas aos olhos. A sua barriga trovejou e ele engoliu. À terceira dentada a ratazana parou de lutar e ele estava sentindo-se quase satisfeito.”

Vejam a cara de desaprovação de Lorde Bolton diante das atrocidades do filho
Vejam a cara de desaprovação de Lorde Bolton diante das atrocidades do filho

Ramsay é a pessoa mais grotesca de Westeros. Nem as maldades feitas pelos Bravos Companheiros chegam aos pés do que esse bastardo faz. Ele representa toda a maldade do Norte, aquela que é demonstrada. Diferente do Sul, onde a maldade é velada. É claro que Ramsay terá uma morte horrível em breve. Aliás, ele nem merece uma morte em batalha. Espero ansioso por esse momento. Assim como espero pela revelação de que Arya não é Arya. Os Bolton se revoltarão contra os Lannister (falei bosta aqui. O amigo Nanotícias lembrou que Roose e Fedor tiveram uma conversa e falaram sobre isso) . Por falar em Norte, percebe-se que essa região é mais “espiritualizada” que o Sul. A presença dos deuses antigos ali é muito mais forte que os Sete abaixo de Fosso Cailin. Além disso, o povo do Norte é bem diferente no que diz respeito a resolver as situações. Essa passagem do senhor de Porto Branco (mesmo sua origem não ser bem o Norte) representa bem.

Eu bebo com Jared, gracejo com Symond, prometo a Rhaegar a mão de minha querida neta… mas nunca julgue que isso quer dizer que me esqueci. O Norte lembra-se, Lorde Davos. O Norte lembra-se e a farsa está quase no fim.”

Ainda a respeito do Norte, espero que Bran e Arya não se esqueçam o que aconteceu com eles e com a família deles. E como “o inverno está chegando”, a hora de se lembrar de tudo também está para chegar.

A respeito de Davos, eu simplesmente não havia acreditado em O Festim que ele havia morrido. Além do que sua morte tinha sido contada de forma tão rápida e sem importância que não achei justa. Um cara como ele merecia um final melhor. Depois de sofrer muito, perder quatro filhos e a bolsinha em que carregava seus dedos, ele merecia algo melhor (nem que seja uma morte melhor). Morrer em Porto Branco seria uma sacanagem. E o cara é corajoso, hein? Chamar um Frey de mentiroso na frente de uma corte inteira foi a prova de que Davos é foda. Nos capítulos dele também achei que ele se encontraria com Rickon e, de alguma forma, ficasse quieto e não contasse esse fato a Stannis. Mas ficou nisso mesmo.

Um capítulo discreto, chamado “A Noiva Desobediente”, foi um dos melhores. Nele é contado o que aconteceu no refúgio de Asha Greyjoy e, consequentemente, sua morte. E que morte. Ela leva um monte de gente na espada até morrer. Só que não morre no mar, o que me faz pensar que ela ainda voltará no livro da mesma forma que os mortos estão voltando. Mas o melhor do capítulo com certeza é sua cena de sexo com Qarl. Sério, dá vontade de comer Asha, de tão bem escrita que foi essa cena. Disparada a melhor transa dos cinco livros.

Estava ensopada quando ele a penetrou.

– Raios lhe partam – disse – Raios lhe partam raios lhe partam raios lhe partam. – Ele chupou-lhe os mamilos até que ela gritou, meio de dor, meio de prazer. A sua rata tranformou-se no mundo. Esqueceu-se de Fosso Cailin, de Ramsay Bolton e de seu bocadinho de pele, esqueceu a assembleia de homens livres, esqueceu seu fracasso, esqueceu seu exílio, os inimigos e o marido. Só as mãos dele importavam, só a sua boca, só os seus braços à sua volta, a sua pica dentro dela. Ele fodeu-a até a pôr a gritar, e depois fodeu-a de novo até a pôr a chorar, antes de finalmente despejar sua semente no ventre dela.”

E bora terminar o Norte falando a respeito de Bran. Finalmente ele consegue coordenar sua troca de peles e agora faz isso de boa. E ele se encontra com os “filhos da floresta” que, após uma pausa de umas 300 páginas no livro, revelam a ele que ele é um vidente verde (oh, ninguém sabia). Nunca gostei dos capítulos de Bran. Pelo menos nesse livro o autor deixou pouco espaço para ele. Resta saber no sexto livro como ele irá utilizar todo o poder que ganhou. Minha opinião: ele não fará nada porque é um bosta.

Agora chega de frio. Vamos para o calor da Baía dos Escravos. Daenerys. Caras, eu fico tenso toda vez que um capítulo dela se inicia. Parece que a qualquer momento os dragões morrerão (um já foi embora) ou que ela será assassinada. Esses dragões dela lembram o Charizard do Ash. Charizard era desobediente e só foi ajudar Ash quando ele tava fodido no final da Liga Laranja. É isso mesmo? Nem lembro mais.

Percebe-se que ela não deseja mais tanto assim voltar para Westeros. Ela quer ficar em Meereen e ajudar todos aqueles escravos libertos. E, diabos, porque ela é tão burra? A filha da mãe está sendo cercada por exércitos e mais exércitos e fica lá parada esperando o ataque. Gosto bastante dos capítulos dela, mas eles me deixam angustiado. Eu quero vê-la atacando Porto Real com dragões e passando o archote em tudo, mas como digo sempre, ela está bufando no farináceo. E aquela líder que ela era está se perdendo no desejo louco que ela tem de ser fodida (vamos usar o palavreado do livro) por Daario.

Uma coisa interessante de se observar também é a corrida pra ver quem chegará primeiro em Daenerys. Quentyn Martell, Aegon Targaryen, Tyrion Lannister ou Victarion Greyjoy? Por depender de si próprio, chuto em Victarion, principalmente por nada da sua frota ser comentada em A Dança. Falando a real aqui: Quentyn é um merdinha. Como um cara como aquele deseja ser rei? Ele vai chegar pra Daenerys com mais duas pessoas e a Mãe de Dragões falará: “Você só trouxe isso? Eu preciso de uma tropa para me defender”. Tenho certeza que Quentyn irá se enganar legal no próximo livro. Vai vendo. Já o outro Targaryen tem mais força e, após receber uma lição de Tyrion, aprende o que deve fazer. Esse moleque tem futuro, apesar de eu achar que ele é o típico personagem que irá morrer.

Por fim Tyrion. Como eu estava com saudades desse personagem. Mas vou dizer logo de cara: seu final foi péssimo. Como assim o final de um personagem tão foda termina nele contemplando os fogos da Valíria? Assim como o final de Bran, fiquei procurando se tinha mais coisa depois daquilo. Os créditos passaram, acenderam-se as luzes, começaram a limpar a sala e eu fiquei perguntando “Tá. E daí?”. Todos os seus capítulos tinham sido muito bons, destacando-se o discurso que ele faz para desmascarar Aegon Targaryen e sua trupe e o jogo de cyvasse com Aegon para mostrar o quanto o moleque ainda é… moleque.

Illyrio dá tantas voltas nas conspirações que nem ele mesmo sabe o que quer fazer (mentira)
Illyrio dá tantas voltas nas conspirações que nem ele mesmo sabe o que quer fazer (mentira)

Também é muito interessante a volta de Illyrio Mopatis que, como se percebe, conspirou junto com Varys por anos para colocar de volta os Targaryen no trono. A origem de Varys mostra o quanto uma pessoa pode ir longe apenas tramando e provocando reações nas pessoas. Tyrion continua falastrão mas, como sempre está dependendo de alguém para alcançar seu objetivo, muitas vezes ele se segura para não falar besteiras.

Griff fitou-o, franzindo o semblante.

– Te avisei Lannister. Ou controla sua língua ou a perde. Há aqui reinos em risco. As nossas vidas, os nossos nomes, a nossa honra. Isto não é nenhum jogo que estamos jogando para seu divertimento.

Claro que é, pensou Tyrion. O jogo dos tronos.”

Tyrion entra em uma amargura profunda depois de matar o pai. Vira-e-mexe ele sai perguntando por aí por onde andam as rameiras, frase dita pelo pai pouco antes da morte. E já que tocamos no assunto, o amigo Nanotícias cantou a pedra que Tyrion poderia ser filho de Aerys (Tywin corno), o que faria com que ele seja o maior pretendente ao trono de ferro. Se isso for verdade, a história sofrerá um plot twist tão foda que explodiria a cabeça de muita gente, seja aqui na Terra ou em Westeros. Enquanto essa provável mudança não ocorre, o Anão continuará muito amargurado e pensativo. Nessa passagem em que ele vai foder uma prostituta (e depois é pego por Jorah Mormont), isso fica bem claro.

Rolou para fora dela sentindo-se mais envergonhado do que saciado. Isto foi um erro. Que criatura desgraçada essa que me tornei.

– Conhece uma mulher que se chama Tysha? – perguntou, enquanto observava a sua semente escorrer de dentro dela para a cama. A rameira não respondeu. – Sabe para onde vão as rameiras? – Também não respondeu a essa pergunta. Tinha nas costas um rendilhado de estrias de tecido cicatricial. Essa mulher para todos os efeitos está morta. Acabei de foder um cadáver. Até os seus olhos pareciam mortos. Nem sequer tem força para me abominar.

"Vai, me chama de assassino de parentes que eu gosto"
“Vai, me chama de assassino de parentes que eu gosto”

Acho que agora entendi o significado de A Dança dos Dragões. Sim, sou meio burro, mas foi escrevendo isso que percebi que são três Targaryen vivos: Daenerys, Aegon e Tyrion. E um dragão para cada um deles. Mas pera… porque diabos Tyrion não tem os cabelos prateados? “Ah, puxou pra mãe”. Foda-se, até os outros bastardos do Targaryen tem os cabelos prateados. Argh! Chega de especulação. O Nano disse que Os Ventos do Inverno será lançado ainda neste ano. Em outro lugar li que o lançamento será em 2015. E que Um Sonho de Primavera sairá só em 2019. Serão mais 6 anos esperando? Melhor não pensar.

O fato é que o próximo livro ainda demorará um bocado. Minha análise da série até aqui é que ela é absolutamente perfeita. Não posso ir mais além para não adentrar na perigosa síndrome de Lost. O Festim dos Corvos e A Dança dos Dragões foram para mim como um período entre-guerras. Não dá para combater a todo momento. E em Os Ventos do Inverno finalmente teremos aquilo que foi prometido desde a capa do primeiro livro: o inverno. Todo mundo vai se foder legal pois as guerras impediram o acúmulo de alimentos. Será gente comendo gente, literalmente falando. Enquanto o livro não sai, vou ler e reler esse trecho de capítulo de Arianne Martell.

Só peço que uma coisa não falte: os grande parceiros de conversa. Ainda sinto muita falta da dobradinha Tyrion+Bronn. Enquanto eles não se reencontram, fico contente com diálogos como os de Jorah e Tyrion. Pra mim, todas as centenas de páginas são válidas paor causa de diálogos como esse:

– Pode ser que só queira ver-te pagar pelos seus crimes. O assassino de parentes é maldito pelos olhos dos deuses e dos homens.

– Os deuses são cegos. E os homens só veem o que querem ver.

– Eu vejo-te com bastante clareza, Duende. – Algo negro esgueirou-se para o tom do cavaleiro. – Fiz coisas de que não me orgulho, coisas que trouxeram vergonha a minha casa e ao nome do meu pai… mas matar o próprio pai? Como é possível que algum homem faça tal coisa?

– Dê-me uma besta e baixe as calças que eu te mostro. – De bom grado.

– Julga que isto é uma brincadeira?

– Julgo que a vida é uma brincadeira. A sua, a minha e de toda a gente.”

***

Bom, já que o próximo livro da série vai demorar, minha única saída é partir para outro. Vou aproveitar e eliminar uma das vergonhas que é nunca ter lido nada de Bernard Cornwell. Pesquisei e vi que sua melhor série são As Crônicas de Artur. Então o próximo review será de O Rei de Inverno (caramba, é inverno pra tudo quanto é lado).

[REVIEW] As Crônicas de Gelo e Fogo: O Festim dos Corvos

– Enforcamento parece ser o esporte favorito por estas bandas – disse Sor Hyle Hunt – Se eu tivesse umas terras por aqui, plantaria cânhamo, venderia cordas e faria uma fortuna”

Faz mais ou menos um ano que comecei a fantasia épica das pobres almas que vagam por Westeros (e pelas Cidas Livres e Para-Lá-Da-Muralha e Do Outro Lado do Mar). Em uns cinco meses li os três primeiros livros, sem pausas. Não conseguia parar de ler. O motivo principal era que acompanhar os diálogos de personagens fodas como Tyrion Lannister, o Duende, o Maneta, o Herói das Águas Negras, havia se tornado de certa forma tão viciante que era impossível abandonar aquilo. Eu não queria abandonar os meus melhores amigos que conversavam, choravam, brigavam e morriam (ô se morriam). Mas aí veio uma parada chata pra caramba, intitulada academicamente de TCC. Eu ficava boa parte do dia lendo fichamentos e tentando encaixar uma coisa na outra com uma linguagem bacana e, quando tinha tempo pra ler, percebia que meus olhos estavam cansados. Muito cansados. Não conseguia ler. Mas aí acabou faculdade, acabou TCC, acabaram-se os compromissos noturnos e, um mês atrás (ou quase isso), pensei: “Tá na hora de voltar a ler as Crônicas”. Consegui ler O Festim dos Corvos.

No começo do parágrafo anterior eu disse que não conseguia me separar dos diálogos da série. Só para me sacanear, O Festim dos Corvos não tem tantos diálogos de tirar o fôlego. Dois dos melhores personagens, Tyrion e Jon Snow, só aparecerão em A Dança dos Dragões. Eu não gosto de bisbilhotar sobre um livro na Wikipedia antes de ler, então não sabia que eles ficariam de fora, bem como Daenerys, Bran e Stannis. Comecei o livro esperando como iria se desenrolar o apoio de Jon Snow a Stannis depois da batalha (ou melhor, massacre) em Castelo Negro. Comecei o livro esperando pela fuga de Tyrion após matar seu pai, o poderoso Tywin Lannister. Mas não, eles não estavam lá. Isso me decepcionou fortemente. As histórias de Brienne e Sam são contadas muito por pensamentos, mais do que por diálogos. Isso porque Brienne sempre tem medo de ser estuprada em qualquer lugar em que ela dorme e por ela ser uma pessoa de poucas palavras, muito por causa de sua origem e de seu corpo. Já Sam é muito covarde para tomar frente em qualquer situação. O medo da reação das pessoas, da sua família, dos Irmãos Juramentados e até de pessoas que ele não conhece, lá em Bravos, faz com que suas ações sejam, principalmente, dadas em pensamentos.

Cersei tem relações lésbicas neste livro. Quem não gosta de ver duas mulheres se pegando? (olha o preconceito)
Cersei tem relações lésbicas neste livro. Quem não gosta de ver duas mulheres se pegando? (ó o preconceito)

Os únicos personagens que realmente falam pelos cotovelos são Cersei e Jaime. Cersei é a personagem principal do livro. Todas as ações se dão em Porto Real. Ou então por causa de ações dela. Os momentos em que eu mais me divirtia eram seus diálogos com Qyburn, que substituiu Varys na posição de conspirador e sabe-tudo. Os diálogos de Cersei e Qyburn quase superam os de Tyrion e Bronn nos outros livros. Quase. No entanto, eles não são numerosos. Já Jaime tem seus grandes “diálogos” com o mudo Ilyn Payne. Mas nada supera o incrível diálogo de Jaime com Daven Lannister. Saca só essa passagem:

Sor Daven soltou um resmungo.

– Sabe o que é o melhor nos heróis, Jaime? Que, como todos morrem jovens, os demais pegam mais mulheres. – estendeu o copo ao escudeiro – Encha outra vez e eu também direi que é um herói. Tenho sede”

Muito bom. Para você ver como esse livro não é constituído de frases e diálogos marcantes, o mote principal da história é a desconfiança de Jaime a respeito de Cersei (que é mútua, por sinal). E esse sentimento de traição incestual fica marcada pela grande frase que Tyrion disse a Jaime quando este soltou aquele da prisão, lá no final do terceiro livro:

…ela anda fodendo com Lancel e Osmund Kettleblack e provavelmente até com o Rapaz Lua, pelo que sei…”

Até quando não está presente Tyrion é importante.

As histórias de Arya e Sansa Stark, apesar de andarem muito devagar, são, pra mim, mais fáceis de acompanhar que as de Brienne e Sam. As de Arya lembram aqueles treinamentos que os personagens de mangá passam para ficarem mais fortes. E, no final, OH MEU DEUS, NO FINAL ELA FICA CEGA. Véi, como assim? Tô tentando entender aquilo até agora. Já os capítulos de Sansa são bem legais por causa de Petyr Baelish. Uma vez no Facebook um cara disse pra mim que empacava nos capítulos da Sansa. Pra mim, o que leva seus capítulos para frente são as conspirações de Petyr que, como eu já previ no review do último livro, um dia ainda será Rei Petyr. E provavelmente morrerá por causa disso. Podem favoritar para a COBRADA.

Nas Ilhas de Ferro parece que estamos em um mundo distante, assim como nas histórias de Daenerys. Pilhagens, batalhas marítimas, navios, tudo naquele ambiente de pirata que, na minha opinião, foge demais dos capítulos com cavaleiros andantes, donzelas e essas coisas todas. Foge do ambiente, mas é muito divertido. A forma como o Olho de Corvo toma o poder e esculacha o irmão e a sobrinha é muito bom. Você se sente como se fosse um daqueles bárbaros, sujos, barbudos, carrancudos e gritando obscenidades. Foi um dos pontos altos. Já que toquei no assunto, alguém conhece um bom livro com piratas? Tô querendo ler um assim.

 

Pyke é um lugar muito procurado pelos praticantes do bungee jumping
Pyke é um lugar muito procurado pelos praticantes do bungee jumping

 

A história de Cersei, a melhor, corre daquele jeito: ela resolve um monte de problemas e, nos momentos de folga, procura um jeito de acabar com Margaery. Cersei representa a acumulação de riquezas desenfreada, mas acaba se fodendo (coisa que ela gosta muito, mas apenas no sentido bíblico) quando dá poderes demais para septões, ou seja, para a igreja, e esta se volta contra ela.

Tenho de dizer que O Festim dos Corvos é sustentado por dois grandes pilares: a religiosidade/fundamentalismo e o desespero/barbárie.

Ainda não li A Dança dos Dragões (acabando esse review começarei o quinto livro sem perder tempo), mas pude perceber que as histórias do quarto e do quinto livro é o período entre-guerras. Depois da Guerra dos Cinco Reis, Westeros virou uma bagunça. As casas Tully e Stark foram obliteradas. Dessa forma, o Norte e o Tridente viraram uma bagunça. Todo mundo está desesperado, fodido e, com isso, “aceitam Jesus” mais fácil, como, por exemplo, Lancel Lannister. Os foras-da-lei/rebeldes/loucos de Dondarrion, Catelyn Stark, Cão-de-Caça entre outros se tornaram seguidores do deus vermelho e ganharam aqueles poderes de ressuscitar as pessoas, ver além e aquelas paradas todas. Não dá pra saber o que eles vão fazer. Não posso nem dizer se Brienne foi morta mesmo pela sua senhora/zumbi-chefe. Só saberei se ela morreu mesmo no sexto livro. Ou não. Aliás, sua “morte” faz parte daquelas mortes em câmera lenta, em que a pessoa vê toda a sua vida passar em milésimos de segundo. Acho isso muito legal.

Ao mesmo tempo, os septões ganham muita força em Porto Real após ganharem o direito de se armarem. E eles começam a fazer práticas nada boas, como a de chicotear pessoas (vê-se isso em Osney Kettleblack). Já Arya aprende várias coisas a respeito do deus das mil faces. Em suma, O Festim dos Corvos é o livro mais religioso até o momento. E provavelmente veremos mais disso nos próximos livros. A história está se tornando cada vez mais tarantinesca, com rumos imprevisíveis e com a magia está se tornando cada vez mais presente.

Tem uma passagem sobre religião que há de se destacar. É a que faz uma crítica sobre a supervalorização que há do sexo. Quando Sam não quer mais olhar para Goiva depois ter transado com ela, Kojja dá uma grande lição:

“ – Não há vergonha em amar. Se os seus septões dizem que há, então seus deuses devem ser sete demônios. (…). Que deus cruel e louco daria aos homens olhos e depois diria para que os deixassem sempre fechados, e nunca olhar para toda a beleza do mundo? Os deuses deram-lhe isso por uma razão também, para foder. Para a concessão do prazer e criação de crianças. Não há vergonha nisso”. Como se vê, essa é uma grande aula de educação sexual.

Mas a característica do livro que eu mais gosto é o desespero. Em especial nas aventuras do Tridente, percebe-se que o desespero chegou ali e ficou. Todo mundo está desconfiado. Uma das grandes causas disso é que os grandes combatentes e líderes de antigamente se foram. Jon Arryn, Eddard Stark, Robert Baratheon, Hoster Tully, Balon Greyjoy, Tywin Lannister e outros, todos a seu tempo, se foram. Os que sobraram foram apenas os deturpados de espírito, os fracos ou aqueles mais espertos que preferem as retiradas estratégicas do que o combate frontal. E, assim, as brigas passaram a ser internas. E, como Victarion Greyjoy disse no começo do livro, “Nenhum homem é tão amaldiçoado como aquele que mata um dos seus”. E essas brigas acontecem em Porto Real, nas Ilhas de Ferro e em Dorne, onde uma família inteira é presa.

 

Se Game of Thrones fosse brasileiro, Lima Duarte faria o papel de Tywin Lannister.
Se Game of Thrones fosse brasileiro, Lima Duarte faria o papel de Tywin Lannister.

 

A maldade e o medo estão tão impregnados que até Jaime se surpreende quando lhe contam como foi o fim do líder dos saltimbancos, Vargo Hoat. São apenas umas 15 linhas de diálogo, mas a nojeira alcança níveis nunca antes pensados. A morte se tornou tão comum que um dos pensamentos de Brienne se encaixa bem nessa situação: “Numa árvore de forca, todos os homens são irmãos”. Thoros de Myr manda outra frase de efeito: “Quando os homens vivem como ratos no escuro, debaixo da terra, a piedade se acaba tão rápido quanto o leite e o mel”. Finalizando, Jaime Lannister vê a neve caindo (finalmente! Esperei 4 livros pra isso… se bem que inverno mesmo só no 6° livro) e manda uma frase de assustar: “O inverno marcha para o sul, e metade dos nossos celeiros estão vazios”. O que isso significa? Mais mortes, guerras e momentos como o descrito pelo Septão Meribald:

” – O perigo é ser parte do povo quando os grandes senhores jogam o jogo dos tronos – disse o Septão Meribald – Não é assim, cachorro? – o cão latiu concordando.”

5 coisas irritantes em jornalistas recém-formados

Todos tem consciência que jornalistas não prestam. É um bando de FDP. E olha que digo isso com propriedade. Mas eles não precisam ser necessariamente irritantes. Não precisam, mas muitos fazem questão de ser. No entanto, uma raça pior do que jornalista é o jornalista recém-formado, ou, como se diz no linguajar interno, o foca. Aliás, acho essa expressão meio besta. Bom… whatever. O jornalista recém-formado foi contratado basicamente para fazer merda. É um estagiário de luxo. Estou usando essas expressões simples para conter a irritação. Este post, como a maioria da série de coisas irritantes, foi elaborado em parceria com minha amiga Giovana Cabral (uma jornalista recém-formada… e irritante). A bola foi levantada pelo amigo Lipets e a Gi conseguiu enumerar tantas coisas no inbox que vai ser difícil colocar tudo aqui. Aliás, desde já prevejo que muitos ex-colegas de sala vão me excluir e xingar (por dentro, afinal eles nunca fariam isso em uma rede social). Como sempre, me defendo que estou aqui pelo LULZ.

 

5) “Você tá trampando na área?” 

Primeiro, não é trampando. É trabalhando. Você é jornalista, aprenda a falar agora. Segundo, essa pergunta é extremamente irritante. Muitas vezes você tá fazendo um trabalho bem legal/lucrativo do que sendo repórter em um veículo de comunicação. É difícil você sair de um emprego para ganhar 1/3 do salário só para “trabalhar na área”. Aliás, comunicação e jornalismo são tão abertos que não dá pra dizer muito bem quando uma pessoa tá trabalhando na área ou não. Terceiro, parem com essa porra. Que pergunta chata, cara. Fala sério: você diz isso só para esculachar com aquele seu desafeto da época da faculdade né? Nesses cargos para jornalistas recém-formados, você ganha um dinheiro que não é suficiente para fazer um trabalho que não é legal e para gastar com coisas que você não precisa. Pense bem.

Comentário da Gi: “Porra, quando muito você vai mudar você mesmo e certeza que vai ser pra pior, porque você vai ser um cara metido quando tiver um empreguinho ou amargurado (se não tiver um)”

 

4) “Falo mal mesmo”

Quando você sai da faculdade, vem sempre aquele pessoalzinho que quer começar o curso ou então que vai entrar para a habilitação e fica perguntando como é blábláblá. Então, eu sempre digo que o curso é uma merda. Não que a minha faculdade em si seja ruim, mas o jornalismo é uma merda. Cêis me entendem? “Jornalismo? Faz isso não amigo. Faz engenharia”. Eu sempre falo isso. Já digo logo de cara: “Ó, tu não vai ganhar dinheiro com isso”. Tem que jogar limpo. Mas aí sempre tem aquele recém-formado que diz “Nossa, é uma faculdade linda. Você sai outra pessoa”. É jornalismo ou é Big Brother, porra? Na moral, eu saí pior do que entrei. Fiquei sabendo de um monte de coisas que, se fosse hoje, eu preferiria continuar na ignorância. E sabe o motivo? Não dá pra mudar nada. Se você entra pensando mais no “Social” do que no “Comunicação”, fodeu cara. Vai na minha.

Comentário da Gi: “E estudantes de jornalismo que ficam putinhos quando você fala mal da faculdade? Eu não posso ver um estudante fudido que já vou logo tocando o pau na opinião dele pra ver se ele dá conta de responder”

 

Vocês sabem: ESTAMOS DE OLHO™
Vocês sabem: ESTAMOS DE OLHO™

 

3) Experiência em aula? Pfff…

Todo mundo avisa isso. Até os professores falam. Mas tem sempre (LIKE A CAUÊ MOURA) um arrombado escroto FDP que acredita que pode levar alguma coisa da sala de aula para a “vida real”. Olha, na moral, eu não quero nem perder tempo com isso.

Comentário da Gi: “Toma no cu né… faculdade não dá ritmo”

 

2) Likeando o trabalho adoidado

As duas primeiras posições referem-se às redes sociais, meu habitat natural. A primeira irritação neste ambiente propício a este sentimento é o cara que compartilha todo o trabalho de assessoria de imprensa que ele faz. Por exemplo, o cara trabalha cuidando do perfil social de um motel e aí coloca lá “Promoção! Almoço executivo: traga sua secretária e ganhe 20% de desconto”. Nada contra quem trabalha fazendo isso. Todo trabalho é digno (ok, nem todo). O problema é que o desgraçado vai lá e compartilha a postagem da página no perfil pessoal… ARGH! Qual o problema de vocês? Mais uma vez eu tô aqui cagando regra de uso de rede social, mas eu só faço isso porque vocês pegam pesado. Trabalho é trabalho, perfil pessoa é pessoal. Olha, caso um barão no chão de que vai aparecer um dizendo que eu compartilho as coisas do meu blog no meu perfil pessoal. Olha, pense… PENSE, MAS NÃO FALE™.

Comentário da Gi: “Aí depois que sai do emprego, nunca mais toca no nome do jornal ou publica (ou compartilha) algo dele”

Aliás, só complementando: SÓ TEM OTÁRIO NA INTERNET

 

 

1) Vem cá, você conhece alguém?

Chegamos! Vamos lá, eu vou ter que fazer isso. Eu poderia encher este tópico de prints dos mais variados, mas eu temo pela minha vida. AMO A MINHA CIDADE™, minha vida, meu dinheiro e odeio ter que botar o terninho e ir lá no juiz. Olha, tem um povo que, se achando na crista da onda web 3.0, tem o péssimo costume de pedir fontes via Facebook. Sabe todas aquelas aulas de técnicas de reportagem? Então, foi tudo pro saco. O negócio é você adicionar 5000 pessoas aos seus amigos e perguntar se alguém conhece um indivíduo que, sei lá, teve sarampo e rubéola aos 7 anos de idade. Seus FDP, vocês não pensam em ligar nas autoridades responsáveis para levantar essas fontes? Muitas vezes são paradas extremamente constrangedoras, mas, como só tem otário na internet, sempre tem um que responde. Aliás, já pensaram que colocando suas pautas no Facebook vocês estão ajudando a destruir os veículos de comunicação que vocês trabalham? Porque diabos eu assistiria ou leria um jornal se eu já sei o que vai ter lá dentro? Deve ter gente que só vê o jornal esperando o like do Facebook.  “Quando é que vai passar aquela matéria do pessoal com sífilis? Quero ver a cara do Fulaninho lá. Vamos ver se ele tem coragem”. Sério, um conselho: PAREM COM ESSA PORRA.

Comentário da Gi: “Tem coisa pior do que o cara que passa 4 anos na faculdade e ainda não sabe como fazer pra ganhar o pão de cada dia?”

5 coisas irritantes em filas

Olha só eu e a “JO”vana Cabral de novo para mais uma sessão de irritação neste mísero blog. Dessa vez vamos falar de algo que é irritante por natureza: a fila. Essa invenção irritante brasileira (ao lado da jabuticaba) é tão comum que faz com que as pessoas saiam de casa mais cedo já pensando na fila que vão pegar. Aí elas acabam enfrentando uma outra fila, chamada trânsito. E já que eu falei em jabuticaba, você sabia que essa fruita (quero que morra quem fala assim) demora 20 anos para frutificar? É quase o mesmo tempo acumulado que você passará em filas na sua vida. Já que não tem jeito, pegue um suquinho (de maracujá, não de jabuticaba) e se aventure por esse… Ah! É a minha vez.

 

5) Velhos 

Velhos normalmente são irritantes. Em ocasiões normais eles já enchem o saco de uma forma que você reza para morrer antes de alcançar os 70 anos. Eu tenho certeza que, quando ficar velho, vou ficar chato, ranzinza e implicando com tudo. Tenho consciência disso. Mas os que chegaram a essa idade nessa época não pensam dessa forma. Eles poderiam fazer o favor de ficar na fila especial destinada a eles. Mas não. São vinte pessoas na fila. Dez são velhos. E as filas preferenciais que estão vazias, mas a sua, a do atendimento ANIMAL, está cheia deles?

E quando eles esquecem a senha, perdem a vez e ficam reclamando? Porque diabos eles não entregam a senha direto para alguém responsável (um guardinha ou o próprio caixa) e facilitam as coisas? Olha, ainda bem que no futuro vou resolver tudo pela internet para não precisar passar por isso.

 

Imagina o Ozzy numa fila.  Até ele viraria um "velho desgraçado"
Imagina o Ozzy numa fila. Até ele viraria um “velho desgraçado”

 

4) Puxadores de papo

Se você está numa fila grande, invariavelmente terá alguém querendo puxar papo. Geralmente são mulheres. Se não for mulher, é alguma pessoa com depressão ou com alguma doença incurável. Ou então um velho que esquece a senha. Não adianta um livro na mão ou fones nos ouvidos. Sempre tem alguém com o papo do tempo, do reumatismo ou de qualquer assunto whatever que você não quer saber. Toda vez que estou numa fila entro em estado de ignorância para com a sociedade. Não quero saber dos seus problemas. Caiu um meteoro na sua casa? Acho justo. Me deixem na ignorância. Não quero saber quantos netos você tem, se sua filha vai casar ou se seu filho passou no exame da OAB. Me deixa. 

Quando era um infante, eu até prestava atenção no que a pessoa dizia. Hoje em dia, me recolho a um canto e não respondo. Pode puxar papo comigo, pode até chamar meu nome. Se for conhecido, o papo com o indivíduo é pior ainda. Consegue ficar mais chato que o normal. Por isso, quando vejo alguém que conheço, me viro para o outro lado. Sinto vergonha de estar numa fila com aquelas pessoas.

 

3) Desatenção e celulares

O ser humano em geral é desatento. Basta passar uma bunda ou um par de peitos bem construídos por genes que todos olham. Até as mulheres. Mas, em uma fila, isso é imperdoável. Aquele é o local em que você deve ficar atento a todo e qualquer movimento ou falha na pessoa seguinte e no caixa. É um olho no peixe e outro no gato. Espera-se que você reaja em questão de segundos. Lembre-se disso, soldado. Os desatentos me irritam de uma forma que dá vontade de chegar na voadora no meio das costas.

Uma das causas da desatenção são os celulares. Essa grandissíssima invenção da humanidade nos prende de uma forma que eu me pergunto pra quê ainda existem métodos de lavagem cerebral. Basta dar iPhone com meia dúzia de aplicativos e pimba, uma pessoa foi alienada (não no sentido marxista, esclareço). No entanto, um outro problema são as pessoas que conversam com as outras em voz alta numa fila. Todo mundo já está ali se esfregando, passando a pasta nas costas dos outros, sentindo o fungar no cangote e… tem um FDP falando alto com outra pessoa ao celular. Eu odeio ouvir a conversa dos outros, mas não tem jeito quando a pessoa tá usando um Nextel. Olha, Nextel me irrita. Profundamente.

 

E se for o Hélio de la Peña fazendo aquelas piadas chatas no celular?
E se for o Hélio de la Peña fazendo aquelas piadas chatas no celular?

 

2) Lerdos

Além dos desatentos, uma outra categoria de desgraçados me irrita profundamente: os lerdos. Me diz: como um ser humano dotado de capacidade FELOMENAL de inteligência consegue demorar mais de 5 minutos num caixa eletrônico. Não tem explicação pra isso. Richard Dawkins não explica. Freud não explica. Darwin não explica. DEUS™ não explica. Como seres como esses conseguiram sobreviver até hoje? Aparece lá na tela: saque, extrato, depósito, dar o cu… e o cara ainda fica pensando? Tá tudo lá nos botões, tem setinha, luz piscando e tela de toque. Mas não, 15 minutos do seu almoço são gastos por causa de um infeliz que não sabe usar um computador simples. Simplório, eu diria. E quando a pessoa começa a falar ao celular enquanto usa o caixa eletrônico, atrasando mais ainda a operação? Olha, dá vontade de… GRRR!!!

 

1) Leis sagradas das filas 

Enquanto escrevia este texto, eu tinha consciência que ficaria desgraçado da cabeça quando chegasse neste tópico. Mas não tem jeito, tenho que falar disso. O Brasil. Ah, o Brasil. Quem foi o engravatado que nunca frequentou uma fila que criou a “lei dos 20 minutos de espera”? Ele sabia que nenhum lugar iria respeitar isso. E ai de você reclamar que ficou mais de 20 minutos na fila. O caixa vai dizer que “hoje tá muito cheio, desculpe” e os próprios usuários do serviço dirão “meu filho, acabei de sair de uma fila de uma hora e meia e não tô reclamando”. PROBLEMA É SEU, FILHO DA PUTA. NÃO TENHO CULPA SE VOCÊ GOSTA DE PERDER YOUR FUCKING LIFE EM UMA FILA! Isso tudo só acontece porque os estabelecimentos comerciais desse nosso país (que é “bom pra viver”… O CARALHO! O CARALHO!) tem 30 guichês mas somente 3 caixas trabalhando. E um deles é o preferencial. E o preferencial tá vazio porque os velhos estão na sua fila. Peraí, deixa eu respirar um pouco.

E a bem lembrada pela Giovana “Lei Maria da Senha”? Aquelas senhas com letras e números que tão lá pra te foder. “C211”, “E945”, “P147”, “R2D2”, “C3PO”. Véi, parece nome de plataforma da Petrobras. Chegará o dia em que caracteres especiais serão usados. Será tipo aqueles passwords da época do SNES: “Isso aqui é um 5 ou um S”. Até chegar esse dia eu já terei cometido um suicídio, na moral.

TRY IT YOURSELF: O beisebol do Pooh

Quem não acha o Pooh um bichinho bonitinho? Ele é tipo um mongol gigante que, em vez de comer carne (como todo bom urso… FUCK YOU, panda!), prefere comer mel. Olha só que doce. Jogando beisebol então? Meu deus, que lindo! SÓ QUE NÃO! Sempre tem um japonês desgraçado para pegar um ícone ocidental de pureza e simplicidade e colocá-la em um jogo que é tão difícil que faz os sapos de Battletoads chorarem.

Tenta você mesmo terminar este jogo aqui ó.

Estudos apontam que os japoneses desenvolveram essa tendência de produzirem jogos difíceis depois da Segunda Guerra Mundial. Humilhados pelos americanos, a única forma de vingança que eles encontraram foi produzir joguinhos eletrônicos que fazem com que os ianques se descabelem, levando-os à frustação, desespero, depressão e, consequentemente, a morte.

 

Um kamikaze não sabe falar inglês. Mas, acredite, ele está pensando "I'm here to fuck"
Um kamikaze não sabe falar inglês. Mas, acredite, ele está pensando “I’m here to fuck”

 

Não tem motivo para um jogo tão infantil ser tão difícil. Olha, eu preferia passar horas jogando Ninja Gaiden do Nintendinho ou Contra. Cara, se vocês conseguirem terminar este jogo, por favor, façam uma livestream mostrando suas raras habilidades para que a humanidade te inveje.

Os níveis de dificuldade desse jogo são incomensuráveis. No começo, eu não conseguia rebater a bola mandada por um burro. Depois, vi que o estágio 1 nada mais era que uma piada diante dos estágios seguintes. Mandar bolas rápidas ah.., tranquilo. Mas e quando o desgraçado manda a chamada “Bola Pica Pau”? Sim, os estranhos seres deste mundo são capazes de mandar bolas curvas e que aumentam de velocidade no meio da trajetória. E a música? Uma música feita para te dar sono, com apenas 15 segundos. Deve ser um MIDI maldito que o cara teve o trabalho de deixar tocando em looping. Ela vai te estressar pra caramba.

No estágio 6, uma coruja… argh! Uma coruja, animal que eu adorava e gostaria de ter um estimação algum dia, consegue mandar uma bola em zigue-zague! EM ZI-GUE-ZA-GUE! É tecnicamente impossível rebater para o local certo. De 35 chances, é preciso acertar 19. O máximo que eu consegui foi 16, chorando e com os olhos esbugalhados no final.

 

Padrão Pica Pau de Qualidade
Padrão Pica Pau de Qualidade

 

Claro que não vou desistir. Vou provar que sou melhor que muitos ocidentais e vou conseguir vencer isso. Mas, se você não for paciente, nem tente. Se você tem o costume de quebrar as coisas quando não consegue, nem clica no link que eu mandei. Você irá quebrar seu (como diziam antigamente e eu gosto de falar) microcomputador. No entanto, se ainda assim você tentar, boa sorte. Você vai precisar.

5 coisas irritantes no rock

A ideia desse post era fazer meus colegas passarem vergonha diante do gosto musical que eles possuem. Era pra ser tipo o Globo anunciando um um filme “inédito” e falando: Leandro Freire e grande elenco. Claro que não sou o erudito da parada. Longe disso. Ouço muita coisa ruim. Mas, quando o assunto é rock, procuro só ouvir bandas boas. Não adianta ter uma música ou um álbum bom. Não. A banda tem que ser foda em grande parte de sua carreira.

Aí eu chamei alguns fãs para falarem sobre suas bandas (exceto na quinta posição). Primeiro vem o depoimento deles e, só depois, meu julgamento. Percebam que este é um post extremamente irritante em que minha introdução de irritação não os irritou até agora. Mas só até agora. Coloque sua camisa preta de heavy metal, lembre-se que isso aqui é um post de humor e vamsimbora. TU TU TU TU PÁ !!! (irritei todos os roqueiros com essa referência de axé)

 

5) Qualquer bandinha anos 2000 LIKE A STROKES

Quando os Strokes apareceram para o mundo em 2001 com The Modern Age, um monte de gente falou “Oh, finalmente uma banda pra ressuscitar o rock”. Eu ainda não ouvia rock nessa época, mas hoje temos o poder da internet. Beleza. A história do rock iria pular do Nirvana diretamente para os Strokes. Veio o o primeiro e o segundo disco e tudo se confirmou. O rock renascia das cinzas (ou da carreira de cocaína, depende do ponto de vista) novamente. O terceiro álbum foi uma merda. Mas, mesmo assim, vieram outras bandinhas no melhor estilo “garage band” cheirando a talco, como Franz Ferdinand e Arctic Monkeys. É aquele negócio: o primeiro álbum tem várias músicas fodas, mas o segundo álbum já vira uma merda. Uma ou outra música é boa. Nem vou citar bandas menores como The Cribs (credo!) e The Kooks (OMG! Onde chegamos?). Só uma coisa: não ouçam. Ou ouçam uma música e saque o estilo logo de cara. Essas bandas são tão insignificantes que nem mereciam estar aqui. Elas não merecem nem eu estragar mais uma amizade por causa delas. Mas, se levarmos em conta que suas influências vem da banda seguinte, eu poderia ter previsto a partir do mal cheiro histórico.

 

“We are defenders of any poseur”. Tá explicado

 

4) Beatles (Ingrid Lohmann)

Por que Beatles é importante? Se você perguntar isso para um beatlemaníaco (no meu caso), a resposta seria simples e até meio óbvia: ‘Porque eles são a melhor banda da história!’. Mas se perguntar para uma pessoa que não é fã da banda, você poderá ouvir como resposta: ‘Eu também me pergunto a mesma coisa’. Então vamos às explicações. Os Beatles surgiram em 1960, na cidade de Liverpool, porém só em 1962 é que a banda obteve a formação John, Paul, George e Ringo. De 1960 até 1970, a banda passou por várias fases, que vão das músicas melódicas que falam de amor, até as músicas mais espirituais e cheias de simbolismo. Os Beatles foram os primeiros a gravar um vídeo clipe, a colocarem as letras das canções nos encartes dos álbuns e a não colocarem o nome da banda na capa do album (Rubber Soul). Com Yellow Submarine eles se tornaram a primeira banda a fazer músicas com temas infantis. Foram os primeiros a misturar rock e misticismo (por conta da viagem à Índia), foram também os primeiros a usar distorção de violão (em I Feel Fine), a fazer uma música longa (um exemplo disso é Hey Jude com mais de 7 minutos), e a primeira banda de rock a fazer sucesso mundial. Você pode até não gostar de Beatles, mas não pode negar que eles influenciaram uma geração e, possivelmente, se não fossem eles, muitas bandas, essas aí que você curte, não existiriam.”

Pra começo de conversa, vamos logo definir: Beatles não é rock. Se você disser que Elvis também é rock, por favor, aperte agora Ctrl+W. Você pode considerar Beach Boys como rock. Ou melhor, considere Led Zeppelin como o começo do rock. Pronto, aí temos um marco inicial. Sobre os Beatles, tenho a dizer que suas letras são tão simples que até meu sobrinho de menos de um ano faria uma letra melhor. Olha só: são duas estrofes, um refrão repetitivo e mais duas estrofes. EM QUASE TODAS AS MÚSICAS. A viagem de LSD é tão forte que os caras buscam influência na cultura indiana (LIKE A NIETZSCHE) só para darem essa aura de superioridade. Aliás, Pet Sounds, do Beach Boys, é bem melhor que Yellow Submarine. Hey Jude é chato. Aliás, a maioria das músicas dos Beatles são chatas. Fazer sucesso no mundo não significa nada. Justin Bieber também é sucesso no mundo inteiro. E, só para comprovar mais uma vez que estou certo, as bandas que curto tiveram influências de (mais uma vez) Beach Boys, Led Zeppelin e Black Sabbath. Se suas bandas preferidas tiveram influências dos Beatles, significa que você tem sérios problemas mentais. Um beijo Did, muito obrigado.

 

Tá aí a melhor música dessa banda meia-boca

 

3) Renato Russo (Ricardo Veiga)

Renato Russo. Um aborto elétrico da natureza. O trovador solitário que compunha sem se importar com o mundo lá fora. Nessa época o rock brasileiro ainda estava mais do que nunca na cabeça da juventude transviada, ou não. Juventude, filhos da revolução, burgueses sem religião, o futuro da nação, a geração Coca-Cola. Mas há poesia no rock. Sim, poesia! Ele conseguia falar de amor através da irreverência do punk, no qual se debruçava para mostrar também sua indignação. Afinal, que país é esse? Renato queria ser um vegetal, pois dizia que tem gente que machuca os outros, que não sabe amar, que engana a gente. Falava muito de sua solidão, de suas desilusões, mas contava também grandes e memoráveis histórias que ficarão em nossas cabeças para sempre. Para o Renato, compaixão é fortaleza. Ter bondade é ter coragem. Mas ele também queria confusão: ferros e freios na contramão. Renato podia e queria ser o terror. Na escola, até o professor com ele aprendeu. E quem um dia irá dizer que ele não estava com a razão. Quem dera, ao menos uma vez, explicar o que ninguém consegue entender. Que o que aconteceu ainda está por vir, e o futuro não é mais como era antigamente. E todo mundo sabe que é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, e que se você parar pra pensar, na verdade não há. Isso Renato Russo cantou e continua encantando até hoje.”

Meu amigo Ricardo fez uma verdadeira ode a Renato Russo. Mas nem isso salva. Renato Russo, assim como todas as outros dessa lista, é deveras chato. Toda vez que eu penso no rock do Renato Russo, vejo o quanto as músicas do Cazuza (comparando aí somente quem morreu) eram boas. Gente, Renato Russo não sabia nem cantar. Mal se entende o que ele fala. Não que seja necessário saber cantar para fazer sucesso no rock, mas um mínimo é necessário. Uma vez entrei numa discussão no Youtube sobre isso e quase fui banido de tanto dislike que levei. Chamar o rock de Renato Russo de punk é pegar pesado também, hein Ricardo?! Não fode. Punk no Brasil é Ratos de Porão, Gangrena Gasosa (ok, exagerei), Supla e por aí vai. Mas o que mais me incomoda em Renato Russo são os desgraçados que pegam suas músicas para ficar cantando em lual ou rodinha. Sempre tem um FDP com violão proferindo os versos “Tem gente que está do mesmo lado que você…” forçando a voz e… argh! Eu tenho ódio de cantor de lual. Logo, tenho ódio de Renato Russo. 

 

“Ela se jogou da janela do quinto andar” COM RAZÃO!

 

2) Iron Maiden (Igor Takahashi)

“Tudo bem, pra certas pessoas o Iron Maiden não é a melhor banda do mundo. Repetitivos? Siiiim. Quase as mesmas melodias? Talvez. Mas claro que não se pode avaliar uma banda apenas por isso. ‘Ahhh porque o Maiden, eles são velhos e por isso eu não ouço’, puff, posers. Tudo bem, vou idolatrar Avenged Seven F*** porque são tatuados e são da moda. Na boa, esse Avenged ainda não me convenceu, e vai abrir show do Maiden. Temos o Eddie, sim o glorioso Eddie que confesso que se não fosse ele o Maiden não seria o mesmo. Mas não só a publicidade fez a banda. Já ouviram a filosofia que tem na canção Dance of Death? E na letra que contém histórias da Segunda Guerra como Aces High? Fúria, desejos, céus e infernos, isso é filosofia, história, não estamos aqui fazendo drama por um mero amor perdido e nem idolatrando ao demo como sempre questionam. Como disse Bruce Dickinson (vocalista) uma vez, ‘Bandas como o Maiden fazem você sair um pouco da péssima realidade em que vivemos’. Huuuum, críticos vão dizer ‘Mas a música tem que representar uma realidade e não ficar fantasiando uma’. Aposto que milhares de playboys ouvem Rage Against The Machine e não sabem sequer o que representam as letras e o movimento. A mesma coisa acontece no heavy metal. Religiosos (sim, sua mãe, tia, avó e aquele amigo que curte Munhoz e Mariano) vão dizer ‘Coisa do demônio, tinhosoooo’ e nem notam o teor e o valor da filosofia que estão lidando. E se disserem que o Maiden é quadrado, teatral e quase sempre tem as mesmas levadas de músicas (abertura, refrão, parte lenta, solos e final) eu digo que sim, pois em cada show nunca tiveram um público abaixo de 25 mil pessoas, a não ser no início, claro. E vendem, hein, como vendem. É, cada um faz sua parte…”

É aquele negócio: não vou nem comentar o que se vende. Roberto Carlos também vende muito. Diante do Trono coloca 2 milhões de pessoas num show. Como o próprio amigo Taka disse, Iron Maiden é uma banda quadrada, teatral, tem a mesma levada nas músicas. A essas péssimas características eu ainda acrescento falsa e chata. Olha, eu estou me repetindo nesse negócio de chata. Mas basta comparar com as outras quatro bandas que formam o “The Big Four”: Metallica, Anthrax, Slayer e Megadeth. Todas essas quatro são ótimas bandas, carismáticas (algumas nem tanto). No entanto, Iron Maiden é a mais down na comparação. E a culpa é justamente de quem fica no vocal. Bruce Dickinson é… como posso pegar leve aqui? O cara é um esculhambador, que só quer saber de ganhar dinheiro em cima da banda. É tipo um Bono Vox com mais drogas e menos África no coração. Paul Di’Anno é infinitamente superior. Tem um monte de gente que tem camiseta do Iron Maiden e nem sabe que porra é essa. Aliás, elas fazem bem em conhecer. E eu dou um conselho: ouçam apenas Two Minutes to Midnight que já tá bom. Aí vocês terão uma boa impressão e vão pensar que estou sendo injusto com meu amigo Taka. Só não passem dessa música, por favor.

 

O japa já explicou bem o que você vai encontrar na música

 

1) Coldplay (Mateus Tarifa)

Na ausência de veracidade do século XXI, buscar por músicos ou bandas que tenham o mínimo de inspiração na verdade é o principal motivo por ser um apreciador da boa música que o Coldplay proporciona. Eles são originais, transformados no espelho do rock moderno, mesmo que alguns não aceitem. As obras, digo, canções, possuem sentido no contexto que são empregadas e esse fato é um divisor de águas nos dias atuais, onde bebidas e carros são nomes de… música? Christmas Lights, Charlie Brown, Yellow, Fix You e tantas outras. Quem não se desliga para ouvir, deveria ao menos dar uma chance, porque nesse caso, o arrependimento não existe, já que na verdade, se arrepender é nunca tentar.”

Chegamos. Um tempo atrás falei das diferenças entre “não gostar” e “odiar”. Pois é. Coldplay eu odeio. E muito. São músicas profundamente tristes, voltados para aqueles que estão em depressão. Felizmente minha vida está muito bem e não preciso ouvir essa porcaria. O único jeito que o nobre amigo Tarifa conseguiu para ressaltar a qualidade de Coldplay foi comparando com o cenário pop brasileiro. Logo se vê que ele perdeu todos os argumentos. Vou dizer que uma vez tentei ouvir Coldplay. Pensei: “vou dar uma chance. Não é possível que seja tão ruim”. Mas aí vi que suas músicas são tão melancólicas quanto as do Radiohead. Só que a melancolia do Radiohead é infinitamente superior. E o Chris Martin? Esse cara me irrita profundamente. Ele é tipo o Bruce Dickinson do século XXI. Ele me irrita no mesmo nível do Bono Vox. Ambos são fuleiros. Coldplay e suas músicas pop deveriam ser extintas da humanidade. Algo tão sujo, popularesco e tosco que dá vergonha. E pra finalizar com muito bom humor, deixo como argumento o ótimo trecho do filme “O Virgem de 40 anos”:

 

Donde vem meu apelido “PD”?

Muitas vezes é difícil entender a origem de uma conversa que é pega pela metade. Você fica meio que boiando até pegar o fim do meada e sacar tudo. Em fóruns, quando um novato pergunta algo nostálgico, todo mundo xinga o cara, manda ele de volta para o buraco de onde veio, etc. É o conceito (corretíssimo) que temos dos noobs. Um bando de idiotas que, se ficassem prestando atenção desde o início, não passariam tal vergonha.

Essa parada de ficar só observando a conversa para pegar as gírias é chamado de LURKAR. Tá querendo se enturmar? Chega lá e fica só observando. Hoje, por exemplo, na BlastCaverna (grupo no FB só para o pessoal do Blast), lurkei uma discussão de 891 comentários. Só depois dei minha contribuição.

 

Lurkar > Stalkear. Ou não
Lurkar > Stalkear. Ou não

 

Já para a vida de uma pessoa, é difícil ficar lurkando. É mais fácil stalkear. Ainda assim, mesmo que existam stalkers no meu tuíter (algo impossível), eles ficariam boiando quando algumas pessoas me chamam de PD. Meu nome é Leandro Freire de Almeida e não tenho nem a letra P nessa bagaça (confesso que conferi duas vezes antes de escrever isso). Então, donde vem saporra?

Ainda lá pelo 5º ou 6º termo da faculdade, eu tinha o costume de fazer PDF de todas as apostilas passadas pelos professores. Era uma forma de economizar para a geral economizar (essa frase ficou horrível). Tem professor que utiliza esses PDFs até hoje nas aulas. Ninguém venho me agradecer até o momento, deixo registrado.

Só que teve uma vez em que o professor só passou duas folhas para umas cinco pessoas da sala. Aí eu falei: “Relaxa pessoal, amanhã eu faço o PDF e mando procêis”. Beleza. Só que, no outro dia, resolvi fazer um negócio diferente. Em vez de simplesmente digitalizar o material, eu digitei tudo e coloquei alguns easter-eggs no conteúdo. Tinha uma parte que citava Collor e aí eu coloquei os dois “L” em em verde e amarelo. Tiveram outras coisinhas também, que nem lembro direito. O principal foi que, em cima, coloquei assim:

Edição e revisão: Leandro PDFreire de Almeida”

Pronto, a partir dali os mais chegados passaram a me chamar apenas de PD, uma forma carinhosa (ou muito filho-da-puta, como queiram) de me caracterizar diante de algo que eu fazia muito naquela época: PDFs. Em especial, devo a Giovana por este apelido ter pegado inclusive para pessoas que nunca receberam um email meu com link para download no Dropbox.

 

PDFCreator, o programa preferido do PD
PDFCreator, o programa preferido do PD

 

Aliás, fiz muitos PDFs ao longo de vários anos da faculdade. Eu sempre pegava as apostilas de quem não gostava de estudar em frente ao computador, digitalizava e compartilhava com o pessoal da sala. Se eu tivesse cobrado por esse serviço teria juntado riquezas para sete vidas de luxúria. Só que não. Pensando bem, nem economizar eu economizei, uma vez que digitalizar gasta muita energia e causa um stress danado. Ainda mais para um vagabundo como eu era. Um abraço do PD.