E aí eu escrevi um livro: “Anões”

Há muito tempo atrás eu tive a ideia de escrever um livro. Só que nunca fui um cara muito compenetrado e não manjava das putarias de como proceder para escrevê-lo. Só que aí mudei de cidade. “E o que que tem a ver, seu loco?” você deve ter dito. Calma, cara. É o seguinte, quando me mudei para Campo Grande/MS, criei uma meta para mim mesmo: vou terminar esse livro nem que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Mentira. Cêis sabem que eu nunca chegaria a tanto. Mas eu decidi continuar a escrever o livro. Eu morava com a minha irmã aqui e decidi que só voltaria a publicar um post no meu querido blog quando eu terminasse o livro. E, porra, faz um ano e meio. Tá certo que eu peguei firme para escrever o livro somente em março (ou foi abril?) deste ano. E só fui terminar uns seis meses depois. Isso porque tive uma férias no meio disso tudo.

Continue reading “E aí eu escrevi um livro: “Anões””

Donde vem meu apelido “PD”?

Muitas vezes é difícil entender a origem de uma conversa que é pega pela metade. Você fica meio que boiando até pegar o fim do meada e sacar tudo. Em fóruns, quando um novato pergunta algo nostálgico, todo mundo xinga o cara, manda ele de volta para o buraco de onde veio, etc. É o conceito (corretíssimo) que temos dos noobs. Um bando de idiotas que, se ficassem prestando atenção desde o início, não passariam tal vergonha.

Essa parada de ficar só observando a conversa para pegar as gírias é chamado de LURKAR. Tá querendo se enturmar? Chega lá e fica só observando. Hoje, por exemplo, na BlastCaverna (grupo no FB só para o pessoal do Blast), lurkei uma discussão de 891 comentários. Só depois dei minha contribuição.

 

Lurkar > Stalkear. Ou não
Lurkar > Stalkear. Ou não

 

Já para a vida de uma pessoa, é difícil ficar lurkando. É mais fácil stalkear. Ainda assim, mesmo que existam stalkers no meu tuíter (algo impossível), eles ficariam boiando quando algumas pessoas me chamam de PD. Meu nome é Leandro Freire de Almeida e não tenho nem a letra P nessa bagaça (confesso que conferi duas vezes antes de escrever isso). Então, donde vem saporra?

Ainda lá pelo 5º ou 6º termo da faculdade, eu tinha o costume de fazer PDF de todas as apostilas passadas pelos professores. Era uma forma de economizar para a geral economizar (essa frase ficou horrível). Tem professor que utiliza esses PDFs até hoje nas aulas. Ninguém venho me agradecer até o momento, deixo registrado.

Só que teve uma vez em que o professor só passou duas folhas para umas cinco pessoas da sala. Aí eu falei: “Relaxa pessoal, amanhã eu faço o PDF e mando procêis”. Beleza. Só que, no outro dia, resolvi fazer um negócio diferente. Em vez de simplesmente digitalizar o material, eu digitei tudo e coloquei alguns easter-eggs no conteúdo. Tinha uma parte que citava Collor e aí eu coloquei os dois “L” em em verde e amarelo. Tiveram outras coisinhas também, que nem lembro direito. O principal foi que, em cima, coloquei assim:

Edição e revisão: Leandro PDFreire de Almeida”

Pronto, a partir dali os mais chegados passaram a me chamar apenas de PD, uma forma carinhosa (ou muito filho-da-puta, como queiram) de me caracterizar diante de algo que eu fazia muito naquela época: PDFs. Em especial, devo a Giovana por este apelido ter pegado inclusive para pessoas que nunca receberam um email meu com link para download no Dropbox.

 

PDFCreator, o programa preferido do PD
PDFCreator, o programa preferido do PD

 

Aliás, fiz muitos PDFs ao longo de vários anos da faculdade. Eu sempre pegava as apostilas de quem não gostava de estudar em frente ao computador, digitalizava e compartilhava com o pessoal da sala. Se eu tivesse cobrado por esse serviço teria juntado riquezas para sete vidas de luxúria. Só que não. Pensando bem, nem economizar eu economizei, uma vez que digitalizar gasta muita energia e causa um stress danado. Ainda mais para um vagabundo como eu era. Um abraço do PD.

Review: A Tormenta de Espadas

Quando comecei a ler As Crônicas de Gelo e Fogo eu estava esperando um épico. Mas, chegando ao terceiro livro, percebo que a série está longe de ser um épico. E isso não é uma característica ruim. Muito pelo contrário. A Tormenta de Espadas é o livro mais tarantinesco que já li. Explico: você nunca sabe quais serão os próximos passos que cada personagem tomará. Exceto por uma ou outra atitude, como, por exemplo, as de Jon Snow e Daenerys Targaryen (as mais “épicas” das crônicas), você nada por um mar desconhecido de pretensões, conspirações, reviravoltas e muitos, mas muitos assassinatos. Bom, acho desnecessário colocar isso, mas vai lá: tem muitos spoilers aqui. Ponha sua conta em risco.

Continue reading “Review: A Tormenta de Espadas”

E daí que você sabe português? Eu sabia a linguagem rúnica

Quando se é adolescente, você se empolga com qualquer merda que seja transgressiva/agressiva/pseudo-foda. É nessa época que muitos podem se interessar por drogas, outros por anfetaminas (que éééé… também são drogas), ou então paradas esotéricas (ou exotéricas). Lembro que, quando tava no primeiro ano da faculdade, li um livro que era um resumo de A Doutrina Secreta. Se você clicar no link que eu coloquei aqui, vai ver que este livro é, possivelmente, o mais noiado da história. Madame Blavatsky (que, apesar do nome, não era dono de puteiro), viajou para Shangri-La e nos mandou 10 mil páginas de loucuras que ousou chamar de filosofia, história e religião. Li isso com 17 anos mas acho que nem com 87 eu entenderia alguma coisa. Um dado curioso é que o resultado da primeira busca por Shangri-La no Google é um hotel do Rio do Janeiro. Mais um ponto a favor da loucura.

Continue reading “E daí que você sabe português? Eu sabia a linguagem rúnica”

Review: A Fúria dos Reis

Quando chegam os 13 fantasmas, digo, as 13 semanas para fazer o TCC, você passa em um teste de fogo de prazos. Nesse período, as atenções ficam voltadas para livros didáticos, teses de mestrado e doutorado, artigos, livros boring e todo uma porcaria acadêmica que, admito, é importante para o avanço científico e econômico do país, mas, na verdade, dá no saco. Mas isso só acontece porque não nos dedicamos o suficiente durante 3 anos e meio e deixamos para o meio restante toda uma carga de educação que temos que absorver. No entanto, como sou lépido, faceiro e um tanto quanto vagabundo, ainda arranjo tempo para ler chaproscas como A Fúria dos Reis.


Minha análise desse livro parte da capa. Não sei vocês entenderam isso também, mas ela traz Tyrion Lannister andando pelas ruas de Porto Real. Se for pensar bem, acho que essa visão foi a que mais me passou pela cabeça durante a leitura do livro. Tyrion continua sendo o personagem principal, uma vez que suas conspirações para se tornar o “comandante do submundo de Porto Real” são as melhores partes da história. Incrível como um personagem pode ter tanto carisma. Aliás, suas conversas com Varys, Cersei e Bronn são de longe, o ponto alto da qualidade de escritor de George Martin. As conversas são cheias de pormenores e detalhes que só são percebidos em uma leitura lenta e proveitosa. E é nesse livro que descobrimos qual o ponto fraco do anão. As mulheres. Em vários momentos ele lembra da mulher que tirou sua virgindade, de como Shae é importante pra ele… ele até salva Sansa da ira de Joffrey.

Véi… que capa foda

Uma marca desse livro é alta presença de sacanagem explícita. Se no primeiro livro tínhamos, no máximo, pessoas saindo de suas camas nuas e Shagga falando a todo momento que iria cortar o membro de fulaninho e jogá-lo para as cabras, em A Fúria dos Reis o negócio extrapola. Temos o uso das palavras “pau” e “buceta” a todo momento, além das relações sexuais de Tyrion com Shae, a nudez em praça pública de Sansa, a relação incestuosa de Theon com sua irmã, a conversa de Catelyn com Jaime e, algo que permeia todo o livro: o estupro. Como em toda boa guerra medieval (peraí, só medieval?), as mulheres pertencentes ao lado derrotado são estupradas como “prêmio”. No livro, estupros acontecem ou, pelo menos, são citados como possíveis acontecimentos, como na conversa entre Cersei e Sansa durante a batalha de Porto Real. Mas o estupro mais, digamos, “tcham” é a da filha da Senhora Tanda que, em plena revolta civil, é estuprada mais de cinquenta vezes em um beco e, depois, é encontrada nua vagando pela cidade.

Bom esqueci de falar o que está acontecendo em Westeros. Basicamente quatro reis reivindicaram poder após a queda de Robert Baratheon. Temos Joffrey Lannister em Porto Real, Stannis Baratheon nas ilhas dos Dragões (esqueci o nome correto), Renly Baratheon à sul (acho que é Jardim de Cima) e Robb Stark como Rei do Norte. Os Stark se enfrentam contra os Lannister enquanto Stannis, por meio da feiticeira vermelha, mata o irmão Renly, tomando parte de seu exército. Enquanto isso, no frio de Winterfell, os Greyjoy buscam  vingança contra os Stark e tomam a cidade. Na Muralha, uma expedição invade a Floresta Assombrada em busca respostas sobre os planos de Mance Rayder (este pretende invadir Westeros). E no outro continente, Daenerys viaja com seus dragões em busca de navios e homens para retomar seu reino.

No final do livro, Stannis marcha sobre Porto Real e perde. Theon é, aparentemente, morto por mercenários que vieram para ajudá-lo a defender Winterfell das forças restantes dos Stark.

Theon Greyjoy, tira essa armadura que você é moleque, ouviu?
VOCÊ É MULEKE!


Dois pontos de vista novos são adicionados ao livro. Theon vai às Ilhas de Ferro e, quando o poder sobe à cabeça, decide invadir uma Winterfell desprotegida com meia dúzia de gatos pingados. Vou te dizer que é bem interessante perceber o desespero dele à medida que a merda vem chegando. Suas atitudes são as de um fraco, totalmente dependente de seu pai e de sua irmã, apesar de odiá-los (provavelmente por isso mesmo).

O outro personagem novo é Davos, que vive ao lado de Stannis. Ele é um ex-contrabandista que se tornou um cavaleiro muito mais honrado que os outros. Seus conselhos dificilmente são seguidos por Stannis. Além disso, ele representa bem o medo que os homens do “rei de direito” possui acerca da feiticeira vermelha. Seu medo é estampado quando ele a leva para matar um senhor.

O cometa no começo do livro representa bem como qualquer pessoa ajeita um fato para seu lado. Cada um interpreta como quer. O fato é que, após os dragões nascerem, a magia retornou ao mundo. É como se o tecido da realidade dos livros de Spohr  tivesse se afinado, permitindo que magias pudessem ser usadas depois de tanto tempo. O livro continua com muitas conspirações políticas, mas ganha um ar de medo e descrença perante a magia que é sensacional.

A mulher bebe veneno e não morre; dá luz à espíritos assasinos:
SAI CAPETA!

Passando rapidamente pelos outros personagens: Jon tem uma queda em sua história, mas seu final neste livro deixa um esperança pela melhora do personagem em A Tormenta de Espadas. Várias coisas acontecem com Arya, mas acredito que dava pra sua história ser contada de forma mais dinâmica. O mesmo com Bran, que poderia ter suas ligações com os espíritos da floresta contadas de forma mais rápida. Daenerys e sua longa viagem só engatam do meio pro fim. Sua entrada no palácio/castelo/que-porra-é-aquela dos Imortais é muito foda e me fez lembrar do Exame Hunter em HunterXHunter. A parte de Sansa com o bobo é muito chata. Aquilo atravancou minha leitura várias vezes.

No mais, estou gostando de ver a evolução dos personagens, em especial das crianças e adolescentes. Até o final da saga, eles estarão adultos e será bem legal comparar. Demorei uma três semanas e meia para ler o livro, muito por causa do seu ritmo lento em comparação com A Guerra dos Tronos. Porém, dizem que o terceiro livro é o melhor. Então vou começá-lo já!

O dia em que eu me ensanguentei na escola

Criança é fogo. Não consegue ficar parada. Correr é quase um instinto. Fazer brincadeiras em que o objetivo é correr mais do que os outros é praticamente uma necessidade imposta pela natureza. Uma das minhas brincadeiras prediletas era uma versão de Rela, Congela (que, por sua vez, é uma versão do clássico Pique Esconde) em que um moleque tinha que contar até um certo número (geralmente é 50) e depois correr atrás dos outros. O objetivo é ser o último a ser pego.

Essa premissa faz com que a brincadeira ganhe seu lado stealth. A coisa mais divertida era se embrenhar no meio do pátio, entre as mesas onde as pessoas tomavam a merenda. O negócio era sentar entre os bancos, se mesclando. A dificuldade só aumentava quando os melhores velocistas e experts na brincadeira, como eu, sacavam que, depois de um minuto procurando outros putos, eles só poderiam estar no meio do vucu-vucu. Lembro que uma vez fiquei o intervalo inteiro sentado e vendo os outros procurando parecendo hienas em busca de carcaças.

Se minha escola tivesse dois andares como essa,
eu não estaria aqui contando essa história



Em uma dessas brincadeiras nos intervalos de 20 minutos (que sempre foi mais curto do que parecia), faltava só um para ser pego e para acabar a festa. Todos foram para o lado do pátio e encurralaram um dos caras mais lisos do grupo. Ele conseguiu escapar de um e, no seguinte, escapou de um tapa na cabeça abaixando-se. Eu era o próximo e, seguindo o movimento, o garoto se levanta e acerta com a testa o meu nariz em cheio. Eu fecho o olho e, quando percebo, estou deitado no chão.

Coloco minha mão no rosto e só sinto líquido quente. É claro que aquilo era sangue e, como nunca tinha vertido tanto sangue daquele jeito (nem nunca tinha visto tanto), me assustei e saí daquele local. Mas, LIKE A VERA VERÃO, saí correndo pelo pátio inteiro, com a cabeça pra baixo e pingando sangue, dei uma volta gigantesca e fui me lavar no bebedouro. Eu fico imaginando a cara das pessoas ao ver um FDP se lavando no bebedouro! É claro que muitas pessoas não tomaram mais água no bebedouro naquele dia.

Até hoje eu não sei o que aconteceu comigo. Sério. O correto seria eu ter ficado deitado após a pancada e pedir ajuda para levantar, sei lá. Agora, sair correndo pelo pátio assustando todo mundo? Eu nunca fui daqueles de atrair atenção, mas nesse dia o cérebro deve ter entrado em parafuso. Deu tilt. Eu poderia ter andado 30 metros e ter chegado na água, mas dei uma volta de uns 100 metros. Vai entender maluco né?


Tô sangrando? Tsc, isso não é nada!



Fui levado para a sala da diretora e lá me deram uma sacola com gelo para por no nariz. Perguntei insistentemente se o meu nariz estava torto e, por sorte, não estava. Fiquei lá cerca de uma hora esperando o calor que estava no meu nariz passar e perguntaram se eu queria chamar minha mãe para ir embora mais cedo. Mas, nerd e CDF que era (sério, eu só tirava dez) voltei para a última aula do dia com a camisa ensanguentada. Vejam que, ainda nessa época, os professores não pensavam em higiene e saúde. Acho que hoje seria impossível.

Quando cheguei em casa, minha mãe ficou uns 15 segundos olhando para meu rosto inchado e para minha camiseta suja. Acho que ela estava se perguntando como iria lavá-la. Por sorte não apanhei.

Review: A Guerra dos Tronos

Fazia tempo que eu não começava uma série de livros. Pra falar a verdade, a última série que comecei (e terminei) foi O Senhor dos Anéis. Não gosto muito de entrar num lugar desconhecido sem saber em qual Floresta Assombrada ele vai dar. Tipo, entrei numa época da vida (!?) em que quero certezas. Só aceito consagrações e nada de apostas. Quer dizer, não é bem assim, mas é assim.

Isto aconteceu com A Guerra dos Tronos. A obra se consagrou e, seguindo a modinha, decidi dar uma chance a essa chaprosca que é grande para dedéu (ainda se usa essa expressão?). Mas é como o JP disse no Nerdcast sobre o livro: é meio perigoso entrar numa obra que não sabemos se será terminada. Afinal, o autor tá velhinho e vai que…

Livro em que, na capa, o nome do autor está gigante.
Isso significa.



Sobre o livro, só tenho a dizer que é foda. Tipo, fazia tempo que eu não ficava empolgado com uma obra. Pensei em fazer uma leitura rápida mas, para não me cansar, fui saboreando cada página. Demorei exatas duas semanas pra ler (até que foi um tempo bom) e, no final, estava extrapolando o tempo que eu havia delimitado para a leitura (cerca de 3 horas por dia).

O enredo é épico. E a palavra épica é bem usada aqui. Ah! Cuidado com o spoilers a partir deste ponto. No começo do livro, você começa a fincar pontos fortes. Por exemplo: o rei é idiota (e de fato é), os Lannister são maus (assim como os Targaryen), os Starks honrados, a corte é um monte de puxa-sacos (?) e o resto são meros coadjuvantes. Só que, se você for pensar bem, os Targaryen foram tirados do poder no melhor estilo “extirpar o DEM da política brasileira”. Não sobrou quase nada, a não ser Viserys, que é um bostão fanfarrão que se acha, e Daenerys, que é praticamente uma criança que acata as ordens do irmão. O jogo vira quando Dany se casa com Khal Drogo, um cara foda que nunca perdeu uma luta e tem 100 mil seguidores (de verdade, não no Twitter). O irmão não consegue o que quer (homens para retomar os Sete Reinos), morre e Dany se torna uma mulher de verdade. O legal é reparar nessa transição da personagem. Só que aí tudo fode quando Khal Drogo morre, os seguidores vão embora e o filho nasce morto. Mas aí ela faz um ritual de magia negra LIKE A COLLOR e, dessa porra toda, saem três dragões (que haviam sido extintos). Só desgraça.

Do outro lado do mundo, no Norte, uma Muralha protege os Sete Reinos dos Outros, um povo selvagem que, no final do livro, você percebe que são capazes de fazer os mortos de levantarem com olhos azuis. Jon Snow é quem mostra a maior parte de como funciona a Muralha.


Se a Muralha é assim no verão, imagina no inverno…



Mas o principal ramo da história, ao menos neste primeiro livro, é a guerra dos tronos. Após saber que Jon Arryn (antiga Mão do Rei) fora assassinado e que as suspeitas caíam sobre os Lannister, Ned Stark aceita ser Mão do Rei Robert só para investigar a merda toda. Vários entreveros vão acontecendo entre os Starks e os Lannisters até culminar na prisão de Tyrion Lannister filho de Lorde Tywin (um cara motherfucker) por Catelyn Stark (esposa de Ned). Não vou contar tudo, mas ficamos sabendo que Tyrion era inocente e que, quem causava a merda toda era Jaime e Cersei Lannister. Nesse meio tempo, Robert morre e, ao invés de fugir, Ned fica em Porto Real (a capital dos Sete Reinos), pensando que poderia desmascarar os Lannister. Mas o idiota é considerado traidor e também morto. Nisso começa uma guerra entre os Stark e os Lannister. Estes últimos, pelo que entendi no final do livro, terão de enfrentar também Stannis e Renly (os irmãos do rei morto).

Vamos falar de dois personagens que, para mim, são os que mais mostram como a história é “de verdade”. O primeiro é Jon, filho bastardo de Ned Stark, que vai para a Muralha se tornar um membro da Patrulha da Noite. Ele percebe que, com a chegada do inverno (fator de suma importância na história… ou não) tudo pode mudar. A Patrulha se tornou um amontoado de inúteis e ele acha que pode transformar o poder da Muralha. Seu tio desaparece na Floresta Assombrada que existe para lá da Muralha. Ao saber da guerra, ele pensa em desertar mas, amparado pelos novos “irmãos” volta e fica sabendo que uma expedição será montada para saber o que aconteceu com seu tio. Aliás, é ele que enfrenta, junto com seu lobo, um dos zumbis que tentaram atacar o comandante da patrulha. Tenso. E quase amedrontador.


Tyrion é um anão motherfucker. Mais fucker do que mother



O outro personagem (pra muita gente, o principal) é Tyrion Lannister, filho de Tywin. Ele sempre foi rejeitado por ser anão, coxo e molenga. No entanto, ele é o cara mais esperto da história e, sempre com muito bom humor, consegue tornar a situação boa para seu lado. O importante deste personagem é que ele visita todos os lugares importantes. Ele vai para Winterfell (lar dos Stark) no começo do livro, passa pela Muralha, é preso e enviado para o Ninho da Águia, engana ladrões de estrada, conta como era o acampamento militar dos Lannister e, se torna tão importante a ponto de seu pai o enviar para Porto Real para governar no lugar de Joffrey, o sobrinho/novo rei/fazedor de merda que tomou o poder.

Com isso tudo, estou muito empolgado com o livro. Apesar do enfoque dele ser as conversas sutis e irônicas deixando de lado as batalhas sangrentas, a história é muito empolgante. Mesmo conhecendo como cada personagem age, você nunca a sabe a merda que ele pode fazer. Aliás, enquanto se lê, o “sentido de vai dar merda” vai só aumentando. É muito legal fazer o exercício da previsão de quando cada personagem morrerá e como os outros reagirão. Tentei adivinhar em muitas ocasiões, porém falhei miseravelmente em todas. Acabei A Guerra dos Tronos neste domingo, mas estou tão fascinado pela obra que vou começar a ler A Fúria dos Reis nesta segunda-feira mesmo. Por falar nisso, deixa eu começar.

Vamos ser radicais com Tony Hawk Pro Skater e suas músicas

A virada do século XX para o XXI é de uma dicotomia cultural que não se sabe como o mundo continuou o mesmo depois disso. Tá, exagerei (demais), estou falando bosta, mas é inegável que os idos dos anos 1999, 2000 e 2001 nos trouxeram pérolas como o auge do bom-mocismo/quarterback-do-bem de Backstreet Boys ao lado do radicalismo juvenil de uma série como Tony Hawk Pro Skater. Ao longo de toda a saga (que, pra mim, teve seu auge em THPS 2), reparamos como um jogo pode moldar uma juventude.

Novamente estou exagerando, mas THPS fez muitos moleques (e garotas, inclusive) desejarem saber andar de skate. Óbvio que só malucos poderiam achar que poderiam andar na escola da vida real como andavam em School, ou então andar nas hélices de um helicóptero como no mapa Hangar. Mas, além da atitude, THPS nos trouxe a vontade de andar de skate.

Frustração: nunca aprendi a andar de skate



Mesmo com os gráficos muito piores do que na versão para PlayStation, conheci a série no Nintendo 64 e já em THPS 2. E, como eu era bastante idiota naquela época (pra falar a verdade, até hoje), demorei dias pra aprender a dar um kickflip sobre dois telhados (quem jogou manja do que eu tô falando). Aliás, nunca fui nacionalista, mas sempre gostava de jogar com Bob Burnquist, o skatista mais completo da série. Até na versão de GBA ele era melhor. E por falar em GBA, segundo a Wikipedia, esta versão é considerada o primeiro jogo em 3D para portáteis.


Mas além do visual realista, dos objetivos malucos e das manobras impossíveis, o que a série traz de melhor são as músicas. Acredito que muitos passaram a curtir rock naquela época (exceto eu). Dava vontade de parar de “fazer o barulho com o skate” e ficar prestando atenção só em canções como a maravilhosa Guerrilla Radio:



Depois veio THPS 3, que, mesmo não mantendo o nível em questão de mapas, trouxe loucuras muito bem-vindas (que se tornaram exageradas na série Tony Hawk Underground) como a possibilidade de se jogar com Darth Maul, Wolverine e um carinha da série Doom. Isso deixava todo mundo maluco. E a trilha sonora tinha Ace of Spades. Confesso que eu não entendia quase nada do que o cara dizia até chegar no nome da música. Mas era foda.



A série perdeu bastante da graça em THPS 4 (tanto que mudaram de nome). Valia principalmente pela trilha sonora ótima e chicante. Tinha umas 40 músicas e poucas baixavam o nível. Tínhamos TNT do ACDC, a modinha do System of a Down da época, a galhofagem do Iron Maiden, Metallica com Fuel (bem legalzinha), NWA com Express Yourself (que veio a aparecer em GTA: San Andreas pouco tempo depois) e, a melhor, Anarchy in the UK, do Sex Pistols. Quem não gostava de cantar a plenos pulmões que era “o anticristo”? Existe algo mais rebelde que isso?

Chegamos em 2012 e estamos próximos do lançamento de Tony Hawk Pro Skater HD (PC, PS3, 360). Pelo jeito, o game trará o melhor dos dois primeiros games que faziam a molecada se debulhar. Os melhores mapas e músicas. A lista de músicas é a seguinte:

  1. “Bring the Noise” Anthrax featuring Chuck D (THPS 2)
  2. “Superman” Goldfinger (THPS)
  3. “When Worlds Collide” Powerman 5000 (THPS 2)
  4. “Heavy Metal Winner” Consumed (THPS 2)
  5. “May 16” Lagwagon (THPS 2)
  6. “No Cigar” Millencolin (THPS 2)
  7. “You” Bad Religion (THPS 2)
  8. “The Bomb” Pigeon John (nova na série)
  9. “We the People” Lateef the Truthspeaker (nova na série)
  10. “Marathon Mansion!” Pegasuses-XL (nova na série)
  11. “Teenage Blood” Apex Manor (nova na série)
  12. “Please Ask for Help” Telekinesis (nova na série)
  13. “Flyentology (Cassettes Won’t Listen Remix)” El-P featuring Trent Reznor (nova na série)
  14. “USA” Middle Class Rut (nova na série)

Achei razoável. Poderia melhorar se adicionassem Cyco Vision do Suicidal Tendencies (THPS) e Police Truck do Dead Kennedys (THPS). Mas acho que, independente das músicas, quem vai jogar esse jogo com certeza serão os fãs da antiga série. Pelo menos eles não acrescentaram bandas como Green Day, o que já me deixa bastante feliz.

5 coisas irritantes em eleições

Voltamos com a série mais irritante da internet. E olha: as eleições irritam. E muito. Tem gente que se mata por causa dessa porra. Pra quem não sabe, eu sou 1° secretário de sessão. Semana que vem vou ter que dar uma passadinha no Fórum e, se pá, vou acabar virando presidente. Então você imagina o quanto eu estou envolvido com isso. Pensando em te trazer muitas lembranças irritantes que agora estão de volta, eu e a Giovana Cabral nos irritamos e pensamos em cinco atitudes/coisas de eleições que… argh!

5 – Carro de som

Você está descansando em casa depois de trabalhar/chegar-da-balada/não-fazer-nada. Aí passa um carro de som com uma música popular fazendo rimas idiotas de algum político desgraçado. Sério, se você vota em algum candidato que faz campanha via carro de som, vá a merda. E quando esses veículos malditos ficam passando o dia inteiro? São trocentos candidatos e, pelo menos, uns 20 carros de som. Toda hora tem um. Sorte que uso headphone o dia inteiro.  Enquanto escrevia este texto, um carro de som passou fazendo uma paródia de “Tchu tcha tcha”. O foda disso tudo é que aprender essas desgraças de paródias é tão fácil quanto respirar. Maldita teoria dos memes.

4 – Horário eleitoral

Primeiro, qualquer coisa que é obrigatória em rádio e TV irrita muito. Inclusive aquele programa do governo (que eu não quero nem citar o nome) que passa de manhã. Por que diabos os políticos desse Brasil precisam de espaços gratuitos para se divulgarem? Eles já não ganham uma grana de salários, sindicatos e corrupção? Eles deviam usar esse dinheiro, pô! Mas não, a cada dois anos vem aquela meia hora de mentiras e falação de bobagens. Pensando bem, qualquer político pode ser blogueiro.E os jingles! Nossa, jingle é uma coisa irritante. E entra no negócio que eu disse no tópico anterior: essas drogas colam na cabeça. Sorte minha que eu quase não assisto TV. Rádio então, pfff. Azar o seu que assiste Jornal Hoje, Encontro, novela das sete e outras drogas.


A verdadeira tela azul da morte



3 – Rua suja de panfletos e santinhos

Essa é clássica. Dia de eleição. Você sai 8 horas da manhã e a rua está branca. Não nevou. Não caiu granizo. São aqueles montes de papel impressos porcamente, sem nenhum planejamento visual e, o que é pior, mostrando caras feias de dar dó. Não, melhor não ter dó de políticos. E se você pensar que sempre há possibilidade de chuva no dia das eleições (para afastar o povo da votação), aquela porra cola tudo no chão, na grama, em alambrados, no seu sapato… só de escrever isso eu me irrito. O que mais fode é que candidatos “ambientalistas” também participam desta marmota e depois pagam de defensores do meio ambiente. Que ódio!

2 – Cabos eleitorais com bandeiras nas esquinas / produtos colecionáveis

Você tá na rua, querendo atravessar uma avenida movimentada e estão lá aqueles pobres coitados balançando bandeiras no sol e no vento. Nada contra quem faz isso, afinal as pessoas precisam ganhar dinheiro. O que me deixa irritado é quem manda fazer isso. Sério, alguém vota em candidatos que colocam bandeiras nas ruas? Bom… E ainda esse povo das bandeiras ficam distribuindo mais santinhos, “colas”, bottoms e, os mais agressives, camisetas e bonés. Nem sei se isso já não é proibido, mas que irrita, irrita. Qualquer coisa que continue lembrando as eleições APÓS as eleições irrita, incluindo aqui muros pintados com os números dos candidatos. Melhor nem falar disso…


Dá vontade pegar esse mastro e enfiar no seu…



1 – “Você já tem candidato?”

Agora a irritação virou colapso mental. Existe coisa mais irritante do que alguém que, no lugar mais constrangedor possível, chega em você e solta um “já tem candidato?”. Olha, isso me dá uma dor na cabeça. Sempre tem um FDP de um assessor pra soltar uma dessa. Esses desgraçados fazem coisas absurdas para conseguirem, no ano seguinte, uma coisa que também me irrita profundamente: cargos de confiança. São esses mesmos assessores que, nos comícios, ficam gritando “muito bem candidato!” ou então “muito bem, vereador!”. São os mesmos que puxam a bateção de palmas. São piores que qualquer candidato corrupto tentando se eleger. Assessores não tem dignidade nem mãe. Ah! Chega de falar desses putos!