No jogo de ontem entre Corinthians e Danubio (URU), válido pela 4ª rodada da fase de grupos de competição, mais um fato lamentável envolvendo discriminação racial ocorreu em gramados brasileiros. Elias, do Corinthians, foi chamado de “macaco” pelo jogador González da equipe adversária.

Esta não é uma exclusividade do Brasil ou da América Latina. Muito pelo contrário. Na Europa, a situação está no mesmo nível ou pior. Isso porque acompanhamos os campeonatos europeus. Não se sabe o que mais pode acontecer no “mundo árabe”, nos torneios ascendestes de China e Índia ou mesmo no Japão. E, infelizmente, este caso não será o último a ocorrer e, provavelmente, estamos longe de um fim.

Mas, então, Leandro, porque diabos você está comentando sobre isso? Você mesmo disse que é “só” mais um caso? Relaxa aí, fera. Vou chegar mais fundo.

Me chamou a atenção no jogo que Elias, coberto de razão por estar revoltado com o adversário que o insultou, não tem a mesma revolta quando a torcida corintiana chama os goleiros adversários de bicha toda vez que eles chutam a bola para a frente. De início, essa “zuêra full br hue hue” era somente contra Rogério Ceni, goleiro do time que (de uns 15 pra cá? Por aí) passou a ser chamado de “bambis”, com claro apelo discriminatório. Depois, todos os goleiros passaram a ser xingados assim como, por exemplo, no jogo de ontem. Os próprios são-paulinos (os idiotas, assim como os corintianos que gritam “bicha!”) também chamam os corintianos de “gambá”, discriminação social pela origem popular do time. Eu mesmo, em algum momento, já devo ter chamado algum corintiano de “gambá”. Se alguém dar um search no Twitter é capaz de achar alguma coisa. Mas, ainda bem, venho perdendo estes costumes ridículos.

Mas o fato é que quero ressaltar a completa imobilidade dos jogadores corintianos e da diretoria do clube referente aos casos de discriminação que acontecem em alto e bom som nas arquibancadas. No entanto, sentem-se indignados quando um jogador seu é chamado de “macaco”. São dois pesos e duas medidas. Destaca-se aqui a frase dita após o jogo por Emerson, atleta polêmico que já causou problemas por beijar um amigo:

“Nós falamos toda hora que não é legal, que é desnecessário, mas ainda fazem. Talvez poderiam usar as imagens para poder identificar os responsáveis e punir o atleta, o clube. Já não cabe mais, já deu, já passou, né? Não tem nem mais argumentos para ficar colocando, não tem muita coisa para falar”

Poderiam substituir o termo “atleta” por “torcedor” que a causa mudaria totalmente de lado, né? Mas vamos continuar assim, afinal futebol é esporte de contato, de macho e eu sou apenas um chato que não vê graça nas piadas e chistes que acontecem nas arquibancadas.

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