Estava eu aqui conferindo meus blogs favoritos, quando me deparo com este texto do Guy Franco, em que ele comenta o caso da treta em uma aula de microeconomia do curso de Administração da USP. Basicamente é mais um caso em que os SJW tentam catequizar as pessoas, diante da opressão por elas exercida (ainda que essas pessoas, sei lá, nunca tenham oprimido ninguém), a mudarem de ideia e a dialogar (ainda que gritando e xingando outros de “babaca”, mas beleza). A discussão começa quando alguém solta: “Então, professora, a senhora acha que a sua aula é mais importante que a questão racial?”

A professora, que nem conheço mas já admiro pacas, preferiu manter-se calada diante de uma pergunta de imposição tão vulgar quanto essa. Ela não é obrigada a responder a uma pergunta dessas. É o tipo de questão levantada apenas para provocar discórdia. É o que eu e muita gente na internet chama de trollbait. Os alunos, brancos cis héteros coxinhas (é… que mais? Me ajuda aí!), caíram na pilha errada de contra-argumentar contra algo que não possui argumentos.

O que é mais importante? Uma aula de poucas horas de microeconomia ou a questão racial, problema histórico de toda a humanidade? Quando se está diante de uma falácia de falsa dicotomia, não existe uma resposta certa. Esse tipo de questão faz parte do básico da teoria da decisão. Com o contexto, temos ainda a presença de características de apelo ao medo, pois quem será contra um movimento social legítimo? Eu não sou. E também um pitaco de apelo ao preconceito: você, branco, está sendo contra um argumento de um negro? OPRESSOR!

Bom, eu não vou nem comentar as frases-memes como “chora na Cantareira”, “quando o oprimido fala, o opressor cala a boca” e invocações de MC Brinquedo.

Eu não advogo a favor de cotas raciais. Sou contra. Cotas tem que ser para pobres esforçados, independente das mil variáveis existentes na natureza humana e, ainda mais, no Brasil. Fui cotista na minha faculdade. Estudei graças ao ProUni, programa que defendo e que acho um dos acertos das ações afirmativas.

Por falar em faculdade, a discussão do vídeo acima lembrou uma que rolou na minha sala bem no início do curso. Naquela época eu ainda era mais inocente, tinha 17 anos e tals. Uma aluna negra, comunista e cotista racial (você vai entender porque estou fazendo esta idiotice de classificá-la), que posteriormente quis instaurar um DCE lá na Unoeste, discutiu com um camarada (gay, branco e cotista do ProUni) sobre… cotas raciais. A tema levantado pela professora virou discussão, mas que não chegou no nível baqueirístico desse da USP, e eu estava de saco cheio daquilo. Também acho que tudo tem seu momento. E, naquele momento, o objetivo não era brigar. Como a professora não teve pulso para contê-los, fechei meu fichário, levantei e saí da sala. Já era uma pequena semente em mim de como não gosto de discussões inúteis. Fui ao banheiro, bebi uma água e, quando voltei, a discussão havia terminado. Foi meu momento epic win interno.

O fato é que eu vim tão longe aqui para levantar uma questão bem simples: nós precisamos dialogar sobre tudo nessa vida? Antes das pedradas me atingirem, deixa eu explicar: estou farto de ser obrigado a discutir todas as coisas nessa vida. Política, por exemplo. Eu abandonei. Não falo mais sobre a situação política do Brasil. Não compensa. Ninguém muda de ideia. Bom, opiniões sobre problemas sociais ainda podem ser mudadas, o que me dá uma certa esperança e vontade de escrever.

Por essa intransigência natural do ser humano moderno (de que sua opinião é a certa, de que não pode ser manipulado ou se tornar um “alienado”) é que eu me cansei de falar sobre um bocado de coisas. Eu só encontrei inimizade nesse caminho. Preferi não ter opinião formada sobre os assuntos. Qualquer coisa nova que surge eu paro, reflito por cinco segundos e respondo “não tenho opinião sobre isso”. E também não venham me evangelizar sobre as causas. Eu prefiro não saber. Tem uma galera que escolheu esperar (sobre sexo). Eu escolhi não escolher.

A partir de agora vai ser assim. Me atingiu ou tocou de alguma forma? Talvez eu comente algo sobre isso. Fez um discurso besta e vazio? Provavelmente eu apontarei os erros. Pediu para escolher entre dois caminhos? Ah, aí eu prefiro puxar uma cadeira de praia, pega uma coconut water e acompanhar de longe. Parem de puxar briga. Não caiam em pilhas erradas. Parem de revirar a bosta seca: ela volta a feder.

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