Once you free your mind about a concept of harmony and music being a correct, you can do whatever you want. So nobody told me what to do, and there was no preconception of what to do” (Giorgio Moroder em “Giorgio by Moroder”)

 

Random Acces Memories provavelmente é o conteúdo musical em que mais eu fiquei hypado na minha vida. Na verdade, ele é o primeiro álbum de música que esperei. Primeiro, por causa do The Collaborators, onde os principais caras que participaram do disco contam suas origens, como conheceram o Daft Punk e como foi o trabalho em RAM. Giorgio Moroder, Nile Rodgers, Pharrell Williams, Chilly Gonzales e outras feras juntos com o Daft Punk. Não tem jeito de sair coisa ruim. E não saiu. Em segundo lugar, todo um povo fazendo remix dos trechos de Get Lucky que tocavam nas entrevistas dos colaboradores. Engraçado perceber que, por mais que nós nos esforcemos, nunca alcançaremos o nível de verdadeiros artistas.

Ah! Fica aqui registrado que eu não entendo porra nenhuma de música. No entanto, eu também não entendo porra nenhuma de literatura e, ainda assim, faço reviews do livros que leio. Afinal, estamos aí na internet para julgar tudo, não é mesmo?

Vi muita gente reclamando que eles abandonaram o eletrônico para se mudar para definitivo para o groove. Vi gente comparando com Jamiroquai. Sim, especialmente em Instant Crush e Fragments of Time, essa semelhança é bastante visível. Mas vem cá, cêis vão mesmo reclamar de Jamiroquai? PQP, Jamiroquai é bom demais e, algo importante, mesmo nessa nova era groove do Daft Punk conseguimos perceber que uma música é deles assim que ela toca. Não são músicas genéricas. Falaram: “Isso é o amadurecimento?”. Realmente não entendi quem fala isso. Qual o problema dos caras quererem ir para outro ritmo? Vocês queriam mais músicas eletrônicas? Voltem a ouvir Discovery. Curtam a melodia das músicas, como nos foi ordenado em “Fragments of Time”:

 

And it’s crystal clear that I don’t ever want it to end

If I had my way, I would never leave

Keep building these random memories

Turning our days into melodies

But since I can’t stay…”

 

Quem assistiu o The Collaborators já sabia que as músicas não seguiriam os padrões dos álbuns anteriores. Todas as grandes referências deste álbum vinham de Donna Summer, cantora da era disco. E, vejam só, por coincidência Giorgio Moroder trabalhou com ela. Olha outra coincidência: Nile Rodgers era do Chic. Então parem com saporra de “ain não é eletrônica”.

 

donna-summer-giorgio-moroder
Donna Summer e Giorgio: bons tempos (que, grazadeusné, nunca voltarão)

 

Considero Random Acess Memories o melhor álbum do Daft Punk. Gosto mais de eletrônica do que de groove. No entanto, RAM é, disparado, o álbum mais bem preparado deles, com mais detalhes sonoros que só com um headphone percebemos. Deve ter dado um trabalho gigantesco fazer tudo isso. Gostei bastante e todas as músicas vão ficar tocando no player do iTunes por um bom tempo. Temos que lembrar que a época de fascinação com a tecnologia já passou. Não precisamos de um “Human After All 2”. Se quer mais eletrônica, vá para a trilha sonora de Tron. No mais, aproveite tudo o que o groove pode trazer de bom.

 

Give Life Back to Music 

É exatamente o espírito deste disco em seu principal propósito. Como um dos DJ’s convidados disse: “É incrível como ‘robôs’ estão trazendo humnaidade para a música”. Com certeza ele estava falando implicitamente desta música. Nela dá para ouvir o barulho das pessoas gritando ao fundo. Parece realmente que elas estão dançando ao ritmo. Boa música pra se abrir o álbum.

 

The Game of Love

A “música romântica” de RAM. Parece realmente uma música que toca de fundo naqueles PUBs escuros, estilo noir, com fumaça e neon (!?). Me lembrou bastante Love to Love You Baby, de Donna Summer, só que com a pegada eletrônica e a voz sintetizada dos robôs.

 

Giorgio by Moroder

Moroder foi um dos guitarristas de dois álbuns de Donna Summer e grande personalidade na cena eletrônica da França. E é justamente essa faixa que pesta uma homenagem a este grande músico. Ela fala em como os sintetizadores mudaram a vida de “Diordio” (o sotaque dele falando o próprio nome é muito engraçado). A batida dessa faixa é uma das minhas preferidas do álbum. Deu vontade de sair dirigindo ouvindo essa faixa. E olha que eu considero dirigir um porre (pelo mesos agora que eu não tenho carro). Outra coisa que essa faixa me lembrou foi das trilhas de Tron que o Daft Punk produziu. E o final dela tem a demonstração do básico que é a música eletrônica: a batida sincopada com o ritmo do coração.

 

Within 

A faixa mais curta que também começa lenta ao ritmo do piano de Chilly Gonzales junto com a voz dos robôs. Uma canção deveras legal e, pensando bem, ainda bem que não colocaram o Pharell Williams pra cantá-la. As mais lentas ficaram a cargo dos sintetizadores. É uma das mais esquecíveis do álbum, tanto que ficaria legal na trilha sonora de uma novela das 9 da Globo.

 

Instant Crush 

Bem cara de música antiga, de música que já ouvimos alguma vez. Sua batida e o jeito de cantá-la faz dela uma das minhas preferidas do álbum. Acho que é a ficou no meio do caminho no estilo mais antigo do Daft Punk (batidas rápidas) com as outras músicas deste álbum. O “robot rock” tem direito até a um solo de guitarra que eu achei bem legal. Aliás, quando foi a última vez que você ouviu um solo de guitarra?

 

Lose Yourself to Dance 

Melhor música do álbum. Melhor música do ano. Melhor música da década. Quando essa música chegou no player do iTunes tive que deixá-la tocando uma primeira vez para dançar sozinho aqui na sala de casa. Toda vez que ela toca eu começo a dançar. Nile Rodgers foderoso na guitarra, Pharrell convidando todos para perder si mesmo na dança e os robôs repetindo “C’mon!” e “Yeah!” para nos incentivarmos mais. Confesso que músicas que tem batidas de palmas e/ou estalar de dedos me atraem facilmente, mas esta… sei lá. Muito foda essa música. A parte em que fica só a guitarra e as palmas OH DAMN! Fuck you Get Lucky.

 

Touch 

No conceito do disco a considerei como um respiro entre as dançantes Lose Yourself to Dance e Get Lucky. Separada, não achei tão legal assim. Uma coisa bacanuda dela são as sensações sensoriais que ela traz. Experimente ouví-la com headphones e olhos fechados. Ela fica melhor. E, como a própria música diz, “Tell me what you see”. Só pelo meio é que ela se torna legalzinha, com uma pequena parte que lembra aquelas músicas de formatura whatever. PERA.

 

Get Lucky 

Responsável pelos milhões de remixes que rodaram a internet. Desde que saiu o The Collaborators o pessoal pegava trechos dela e ia colando à moda caralha. Percebe-se que a versão final ficou bem diferente das montagens feitas por aí. Música legal, mas sei lá, de tanto ouví-la remixada ou a radio edit que foi para o Vevo, fiquei cansado dela. A música é muito boa, batida legal, letra legal, mas daqui algum tempo, quando eu ficar cansado das outras músicas, é capaz dela ficar mais interessante para mim. “What is this I’m feeling…”

 

Beyond

Uma das surpresas deste álbum. A música começa parecendo uma entrada de filme. Mas logo vem a nova mistura de disco, eletrônica e amadurecimento que RAM propõe. Gostei da batida eletrônica suplantada, principalmente, pela bateria. Gosto de todas as pequenas batidas no prato.

 

Motherboard 

Outra música que não gostei muito. Tem uma pegada meio ecológica, um instrumento que me parece de sopro e, não sei porque, sempre ouço sons de floresta de fundo. E depois vem barulhos de água que se tornam de TVs chiando, coisas obscuras, ruídos e tudo tão sensorial que lembra, sei lá, teatro. E eu odeio teatro.

 

Fragments of Time 

Começa como uma Motherboard com uns sons meio diferentões, mas com uma letra bem legal e um refrão que se tornou como chiclete para mim. É a música mais Jamiroquai do álbum e, consequentemente, boa. É daquelas músicas que não cansam nunca de ser ouvidas. Diferente de alguma batidas mais rápidas que enjoam com o tempo. Terceira melhor música do álbum empatando com Get Lucky.

 

Doin’it Right 

Segunda melhor música do álbum. “Everybody will be dancing (complete com qualquer coisa aqui)”. A parte cantada pelos robôs lembra as músicas antigas do Daft Punk. Mas a pegada mais antiga e foda da música vem com a voz normal. É uma daquelas músicas que serão lembradas daqui alguns anos e você vai falar: “PQP! Essa era foda!”. Vai por mim. Uma das músicas mais elaboras da dupla na carreira deles (feat. Panda Bear)

 

Contact 

Para continuar o revival, os caras vão lembrar de contatos com astronautas (coisa comum na Guerra Fria) e ETs (coisa comum até hoje). Gostaria de ver a batida da música em um filme de ação algum dia. Acho perfeito o uso da bateria (instrumento que mais gosto) e mais uma das músicas que demonstra esse avanço para o “robot rock”. Seu final é um pouco irritante, mas me lembrou uma reentrada atmosférica. O legal da conversa do “astronauta” é que ele pode estar descrevendo tanto um planeta quanto um daqueles globos de festa. Foda isso. Depois fui pesquisar a origem dessa fala e encontrei isso aqui. Mais foda ainda.

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