Tava aqui pensando sobre os maiores filhos da puta (ou seria filhos-das-putas? Existe plural num xingamento? Se sim, a regra continua valendo para os xingamentos aplicados com justiça?) que existem por aí nas interwebs. Com certeza são os que espalham spoiler por aí. Eles são ao mesmo tempo os que saciam a fome dos hypers (aqueles que fantasiam sobre uma coisa e não consegue pensar em outra coisa) e que fodem com a vida do resto da população intergalática. Pense: nossos pais nunca passaram por essas duas coisas que são comuns hoje em dia, o hype e o spoiler. O canal de TV que eles acompanhavam não iria liberar teasers trailers dos próximos acontecimentos da novela. Ou melhor, não vazavam fotos dos sets de filmagem do próximo clipe do Michael Jackson. O clipe vinha, era anunciado no Fantástico e o máximo de hype que você tinha era esperar o fim do programa. Hoje, com essa maldita internet, temos entrevistas com os colaboradores do Daft Punk ou então trailers de dois minutos dos filmes que podem ser pausados em busca de referências e easter eggs. Só que temos também, por exemplo, os malditos que vazam o roteiro de The Last of Us.

Não existe um único motivo para o filho da puta espalhar um spoiler. No entanto, sempre tem aquele seu amigo que não consegue se segurar e conta os plots dos roteiros, quem morre (“Meldels, o que foi aquela morte do Fulano?”), quem não morre, quem renasce e por aí vai. Nesse mundo (~capitalista~) em que vivemos onde essas pequenas sensações de prazer nos plots das histórias que gostamos são o nosso maior êxtase, é perfeitamente aceitável ficar puto com quem faz saporra.

 

 

Um tempo atrás, uma pessoa muito amiga minha (cof cof Mari cof cof) ficou conhecida por um tempo como “spoiler girl”. A filha da mãe assistia dezenas desses seriados fuleiros que vocês gostam (e que eu odeio) e ficava comentando o dia inteiro sobre o último episódio que havia saído, mesmo sabendo que muita gente não tem tempo para assistir tudo no dia em que o EP era lançado (e, consequentemente, mandado para os torrents). O que fazer com uma pessoa dessas? A lei ainda não penaliza quem pratica atos como esse. Fica a seu critério como resolver isso.

Mas convenhamos, tudo tem limite. Ok, eu sei que a zuêra não tem limite, mas o spoiler tem. Não existe spoiler para O Senhor dos Anéis, para O Poderoso Chefão, para Harry Potter. Amigo, se você gosta tanto disso a ponto de ficar ofendido sobre revelações da história, porque diabos nunca leu ou assistiu tudo sobre essa parada. Está esperando exatamente o quê? Não existe spoiler para coisas com mais de 5 anos. E, dependendo do nível de mainstream do produto, não existe spoiler depois de um ou dois meses. Por exemplo, se você gosta mesmo do Iron Man, me diz aí: porque ainda não assistiu Iron Man 3? Se você é que nem eu e pouco se fode para Marvel ou DC, saber um detalhe essencial do filme não vai fazer diferença. Muitas vezes até gosto de tomar um spoiler de um filme para ele me atrair mais. Mas reclamar, ficar de butthurt é muita coisa de 6ª série, né? Mas com games, por exemplo, a situação é um pouco mais complicada. Games são mais caros e maiores do que qualquer filme ou episódio de série. Revelar um detalhe do meio da história pode custar não apenas uma experiência de uma hora de filme ou de quarenta minutos de episódio. Neste caso, o spoiler pode custar 3, 4, 8 horas de jogatina. É muita coisa perdida e muitas vezes, irreversível. No jogo, uma experiência interativa, você pode não deixar aquele personagem que você sabe que irá morrer carregar itens importantes. Imagina se você está jogando Final Fantasy VI (lá no ano de lançamento na década de 90) e um amigo seu, que já terminou o jogo, contasse que, não importa o que você faça, o mundo será destruído? Seriam, oh meodeos, horas e horas de gameplay prejudicadas (e depende ainda da sua velocidade).

 

Se fosse hoje em dia teríamos um quick time event para evitar o fim do mundo

 

Mas como evitar saporra? É difícil. Tirando os amigos, é na timeline das redes sociais que os spoilers se proliferam feito Aedes Aegypti na borracharia depois da chuva. A saída é ficar longe do Facebook (coisa que você deveria fazer para evitar, além do spoiler, o chorume) e, no seu client de Twitter, aplicar filtros. Assim, tweets que contém aquela parada simplesmente não aparecem. Já apliquei filtros para “The Last of Us”, “Fire Emblem: Awakening” (que espero jogar num futuro próximo) e, um tempo atrás, para “Django Unchained”. É a única saída.

Por fim, um recado final aos espalhadores de spoiler: vão tomar no olho do seus orifícios anais. E vou parar por aqui antes que eu fique nervosrrrrrr.

 

music-iconDigital Love (Daft Punk)

3 thoughts on “Um monstro internético: o spoiler (ULTIMATE™ considerações sobre este problema)

  1. Um ponto a se considerar é que muitos filmes não tem nenhum evento que justifique ter ou não ter spoiler. Vamos imaginar um “Mercenários 3”. A não ser que algum personagem relevante morra no final, ou que tenha algum plot twist eficiente, falar ou não falar o final não tem nada “spoilerífico”. Vai falar o que “Sly mata o vilão”? Mesmo assim, tem gente que se incomoda com isso.

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