O Azaghâl vive dizendo que sente falta de um acontecimento que mude os rumos da Terra. Ouço isso desde quando ele falou pela primeira vez lá na época da primeira eleição de Obama. Na oportunidade ele contou que “O ápice são as eleições nos Estados Unidos. Eu quero uma coi”. Era mais ou menos isso. Aí o Tucano responde “Já ouviu falar em crise financeira?”. Azaghâl, de pronto, rebate “Mas isso é repeteco. Já teve. Eu quero uma coisa nova”. O que isso tem a ver com o post? Calma que eu ainda tô pensando na melhor forma de encaixar isso com o post.

De fato, nada acontece no mundo. Quem sabe a próxima revolução não seja o homem indo à Marte? Não sei. Até lá não teremos nada de novo no curso de nossa história.

Até a Segunda Guerra Mundial, todas as guerras tinham lados muito bem definidos. E, como de praxe, sempre os vencedores saíam de cena como os bonzinhos, defensores do povo e os perdedores como potências malignas. Esse maniqueísmo todo era pregado até nas escolas. Havia revanchismo, patriotismo, defesa da própria “raça” e outras dessas babaquices que nós, moradores do século XXI consideramos babaquices. Vai saber como nossos filhos e netos reeescreverão a história, não é mesmo?

Depois desta guerra total, os outros conflitos armados passaram a ser locais, como na Coreia e no Vietnã, intervenções humanitárias, como em Kosovo e no Timor Leste, ou terrorismo (que pode ser encaixado como guerra ideológica ou religiosa dependendo do ponto de vista). As grandes nações já não se enfrentam. As guerras deixaram de ser emocionantes ou apaixonantes. Não há mais heróis. Toda a população tem consciência de que soldados vão para um campo de batalha defender conceitos econômicos, empresas e possibilidades de negócios. E olha que agora, com a propagação dos drones, muitas famílias, em especial nos EUA, começarão a exigir que seus filhos não sejam mandados para o front, mas fiquem nos porta-aviões olhando para os resultados de UAV. Aliás, sempre que uma “modern warfare” começa, tem-se a impressão de que a guerra não tem mais sangue. No entanto, a infantaria sempre tem que ocupar os prédios, ruas e instalações bombardeadas. As pessoas ainda morrem nas guerras.

 

modern warfare
Só nos “modern warfare games” para um bandido usar um 762 com scope

 

Eu disse que as grandes nações já não se enfrentam. E nunca mais se enfrentarão. A posse de mísseis intercontinentais, bombas atômicas, armas químicas e biológicas faz que os países não queiram entrar em guerra por medo de serem devastados e por oposição pública. Os governantes da Coreia do Norte já entenderam isso há bastante tempo e, sob o simulacro do uso de armas nucleares fazem chantagens econômicas. Ah, eu ainda estou lendo Simulacros e Simulação porque não consigo avançar em livros de filosofia de forma rápida (acho que ninguém consegue). Os amigos publicitários que acompanham este blog maldito entenderão o conceito de dissuasão. Não sei se vocês tiveram alguma aula com isso (nem eu lembro direito das aulas de semiótica, uma das minhas matérias preferidas), mas existe a dissuasão, que nada mais é do que quando o sujeito abandona a ideia de fazer uma coisa por temer ou não gostar das consequências. Com certeza deve haver alguma coisa parecida com isso nas aulas de publicidade, principalmente na parte de… é…. “convencimento de vendas”.

Ok, mas donde eu tirei essa ideia de fim da história? Pois bem, tirei isso de um livro de História que li no ensino médio. Na parte sobre os tempos atuais, era citado um historiador japonês que disse isso. Claro que não vou lembrar o nome do cara, mas se você digitar “historiador japonês fim da história” no Google, certamente você achará. Desde essa época (meodeos, faz uns sete anos) fiquei com essa parada de fim da história na cabeça. Costumo ficar com muitas ideias na cabeça que vem e vão nos momentos solitários (muito comuns) de reflexão.

A história acabou. Vou dar minha opinião a respeito e ela não tem nada a ver com as ideias do japa pois nunca li seu livro (e, como já disse acima, não pesquisei seu nome). Revoluções já existem mais. Não existem mais golpes de Estado (exceto esse programado para o ano que vem) nos países centrais e nem possibilidades de conflitos continentais devido a dissuasão armamentista que contei acima. Só nos resta a lenta evolução da sociedade imposta por decretos nos parlamentos. A democracia é algo muito importante (e eu sempre a prego), mas convenhamos que ela é chata. Perceba que, por exemplo, a cada país que dá direito aos homossexuais de se casarem sai uma notícia, todo mundo discute e por aí vai. Nada mais acontece por meio de passeatas, morte de governantes ou qualquer outra coisa que chame a atenção.

 

Nunca teremos um futuro Metro Last Night

 

Sendo assim, na cultura, nossa principal forma de expressão, sentimos muita falta dos espíritos rebeldes das décadas anteriores. Quem não gostaria de ter vivido na época de suas bandas preferidas para poder curtir o auge delas? Eu, por exemplo, gostaria de ter presenciado a era do skate, lá por meados dos anos 80, quando todos os moleques aprendiam a andar de skate ao som de Suicidal Tendencies em Los Angeles. Sentimos nostalgia de uma época que não vivemos e que, se quisermos, podemos reconstruir. No entanto, dado ao marasmo do mundo, é “mais fácil” lembrarmos de algo que nunca vivemos.

No fundo, o que desejamos é relembrar da época em que ainda existia um pouco de história. Com a perda irreversível de conceitos como moral cristã e família, ficamos com a única saída de voltar no tempo para curtir tudo que é antigo, quando ainda haviam causas para serem defendidas (não que hoje elas não existam), violência para ser pregada e tabus para serem derrubados. A liberdade total trouxe a letargia total. Tudo é sem graça, chato. Quem sabe indo a Marte as coisas não mudam um pouco por aqui?

 

***

 

Ainda na onda do texto, porém levando para o lado pessoal, percebi mais um avanço em direção à vida adulta. Você se torna um adulto quando deixa de receber convites para festas de crianças, passasse alguns anos e depois começa a receber convites para casamentos. Foda isso.

 

music-iconYou Can’t Bring Me Down” (Suicidal Tendencies, versão censurada 23 anos depois)

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