Eis que saiu a derradeira notícia de que o Youtube passará a cobrar o acesso para alguns canais. Calma, a parada ainda não chegou no Brasil e nem serão todos os canais que passarão a cobrar pelo acesso. De início são uns 50 canais que estrearão esse novo modelo de negócios e o preço será por volta de 4 reais por mês com a possibilidade de se comprar pacotes anuais. Podemos considerar este o fim do Youtube da forma como ele foi adotado pelas pessoas: para postagem de vídeos curtos do cotidiano, momentos da festinha do fim de semana, vídeos de dança (que eram a modinha antes dos gatos) e afins. Lembra-se da época em que os vídeos tinham o limite de 10 minutos? E depois quando eles puderam ter até 15 minutos? Agora, assim como a zuêra, o Youtube não tem limites.

Essa nova era no Youtube (a “nova ordem mundial” dos vídeos) chega em um momento que o site passa a competir fortemente com a TV. Tem molecada por aí que espelha em (web)celebridades do Youtube e não fazem a mais puta ideia de quem são atores principais da novela das 9. A fome imagética dessa garotada é saciada a cada novo clique na box de novos vídeos. Se antigamente reclamávamos do sinal da TV que estava ruim, colocando bombril (me recuso a falar palha de aço) e fazendo outras gambiarras, os adolescentes possuem reclamações do tipo “pq não tem opção em 1080p?”, “este vídeo não apareceu na minha box. O YT tá bugado” e lançam mão de artimanhas (tô usando muita palavra antiga ultimamente; tá foda) para cancelar as propagandas ou para o feed dar certo. Eles reclamam quando não há vídeos novos, cobram nas redes sociais e tudo mais. Imagina como será a cobrança quando eles estiverem pagando por um vídeo e o conteúdo não for bom ou do jeito que eles queriam? O mimimi começará com um “Ain, quando era de graça era melhor” e terminará naquele nível de xingamento que é comum no Youtube.

 

Já tentaram arrumar esta box tantas vezes que eu já perdi as contas
Já tentaram arrumar esta box tantas vezes que eu já perdi as contas

 

Ainda no escopo de competição com a TV, esses canais pagos passarão a ter programação. Se eles se comprometerem a lançar novo vídeo do terça-feira às 20h, eles serão obrigados a lançarem novo vídeo toda terça-feira às 20h. Qualquer tipo de desculpa será inútil. Afinal, você imagina, sei lá, o Luciano Huck colocando um aviso dizendo que não vai ter programa porque ele tava sem saco pra gravar? Ou então não ter novos capítulos de Malhação porque os atores estão em semana de provas? O profissionalismo é extremamente essencial. Eu, particularmente, não gosto de canais que se comprometem, por exemplo, a lançarem 2 vídeos por dia. Sempre acho melhor que o youtuber escolha quando ele quer lançar vídeos. Isso é internet. Não é necessário uma grade de programação como na TV. É possível voltar e assistir um vídeo a qualquer hora.

Claro que não serão todos os grandes canais que passarão a cobrar pelo conteúdo. Um cara que faz vídeos de Minecraft ou Call of Duty não tem motivo para escolher este novo método. Temos que pensar no público. Apesar de muitos adolescentes e crianças possuírem acesso a cartões de crédito internacionais para, por exemplo, comprarem jogos e aplicativos no iPhone, ficará meio pesado se eles resolverem se inscrever em uns 20 canais que exigem pagamento. Seria legal ver a surpresa do pai quando a conta do Youtube chegasse. Aliás, eis um inception: crianças, filmem a reação dos seus pais diante da conta do Youtube e postem no Youtube. É a zuêra dando voltas.

 

Único canal do YT pelo qual eu pagaria para ver os vídeos
Único canal do YT pelo qual eu pagaria para ver os vídeos

 

Uma coisa que acho complicado também é esse começo de extrema dependência que alguns produtores de conteúdo estão passando a ter do Youtube. É uma parada do Google, que é muito forte, mas e se acontecer do Google querer fechar a bagaça? Todo o seu trabalho foi perdido? Acho muito importante quando uma pessoa cria um site próprio para seu negócio. A (ou seria “o”) IGN é um grupo bastante forte no Youtube, porém eles possuem uma plataforma de vídeos independente no site e trazem conteúdos exclusivos para ele. A mesma coisa, por exemplo, com o Jovem Nerd. Aliás, ambos os sites possuem uma rede social própria. Acredito que dessa forma fique mais fácil saber quem é o seu público, de forma a vender uma publicidade que seja importante para eles. Mas agora, hein, já pensou se o Porta dos Fundos ou o Parafernalha passasse a cobrar a inscrição. Você pagaria os 4 reais por mês? Olha, numa situação hipotética, eu só pagaria para assistir os vídeos de, sei lá, um ou dois (não, um só) canais em que sou inscrito.

4 thoughts on “O fim do Youtube moleque, o Youtube de raiz

  1. Entre todas as minhas 82 inscrições, eu não pagaria por uma. Eu só pagaria por um canal que desse alguma espécie de atendimento exclusivo. Por exemplo: se um canal de tutoriais de modelagem 3d oferecesse um hangout um-a-um (ou mesmo cinco-a-um) com um instrutor, eu me sentiria tentado.

    Com entretenimento e notícias, melhor ficar com anunciantes mesmo.

    1. Mas e se esse canal tem 500 mil assinantes? Como ele vai dar atendimento exclusivo? Quantas pessoas teriam que trabalhar para tocar este canal? E eu acho justo pagar por entretenimento. Tem que sempre levar em conta o custo/benefício.

      1. Existem muitos que fazem esse tipo de serviço. Nem todo serviço precisa ser escalável para ser lucrativo. E mesmo assim, uma pessoa pode ter dois canais: um free e outro pago.

        Coisas como vídeos de humor são de apelo de massa, por isso compensa usarem propaganda. Se se esconderem atrás de um muro de pagamento, perdem o potencial viral que é o responsável pelo sucesso de tantas pessoas.

        E sobre ser justo. Achei justo pagar pelo Indie Game: The Movie, e paguei pelo Kickstarter de Tides of Numenera. Mas não pagaria jamais pelo kickstarter do Richard Geriot, por exemplo. Não só pelo custo/benefício, mas se aquela coisa existiria se não fosse pessoas como você(eu).

        Os dois exemplos que eu citei necessitavam do investimento de pessoas como eu, por que não são de apelo popular. Eles simplesmente não teriam popularidade para sobreviver de anúncios ou num modelo free-to-play.

      2. Ah sim, a viralização só vai rolar em vídeos gratuitos. Mas definir o que será free, freemium ou qualquer destes outros conceitos de venda digital vai muito do gosto de cada pessoa. Se existiram mais de 1 milhão de pessoas burras o suficiente para comprar Aliens: Colonial Marines, qualquer coisa pode ser vendida.

        Meu maior receio é que alguns canais se tornem pagos mesmo com o conteúdo deles não sendo voltado para o tipo de público que paga pelas coisas. Se temos aí uma geração acostumada com The Pirate Bay e AdBlock, fica difícil vender alguma coisa para eles. E, na minha opinião, o Youtube não é bem o lugar certo para vender coisas, mas apenas ideias.

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