Lá para 2004, 2005 e 2006 eu comprava a Eletronic Gaming Monthly. Quer dizer, era financiado pelos meus familiares, mas era eu quem comprava. Acho que foi por causa dessa revista que fiquei com vontade de ser jornalista e trabalhar com revista. Esse negócio de querer ser jornalista só porque se é leitor de revista é bastante comum. No entanto, fico pensando quem pensa em se tornar designer de fases a partir das entrevistas do profissional que fez seu game favorito. Na época que eu lia a revista tinha até uma série de entrevistas com os diversos profissionais da indústria de games. E desde aquele tempo eu fiquei puto com o pessoal da gerência de marketing. Tenho certeza que foram esses caras que foderam tudo (DLCs, microtransações, freemium). Deixem-me acreditar nisso.

A primeira revista que comprei vinha na capa Cy Girls, um game para PS2 feito pela Konami (e pela mesma equipe de Metal Gear Solid) com mulheres como agentes mercenárias. Pensando agora, tinha uma personagem que só usava a katana, desviando até balas com a espada. Será que é daí que veio a inspiração para Metal Gear Rising? O tempo dirá. Então, me apaixonei pela redação da revista. Não exatamente pela escrita, mas pelo ambiente. Isso porque, após o editorial, apareciam as fotinhas dos redatores, seguido de uma breve piada sobre cada um. Algumas edições depois eles passaram a colocar o que eles estavam jogando. Muitas edições depois colocaram tudo isso antes dos reviews dos jogos. E é por causa dessa revista que utilizo a palavra “review” para identificar as resenhas que faço aqui no blog.

Mas o que valia na revista eram as entrevistas com os produtores. O material era produzido pela EGM americana em muitas ocasiões mas, ao longo do tempo, eles foram aumentando a participação brasileira na parada. Lembro que o melhor preview que já vi (tanto em matéria de texto quanto de diagramação) era o de GTA: San Andreas. A matéria começava com o desenho de uma roleta gigante e depois explicava cidade por cidade do jogo, mostrando ainda detalhes das rádios, minigames e outros detalhes do jogo. Muito foda.

 

Caras, esse pôster é gigantesco. Acho que são uns 70cm
Caras, esse pôster é gigantesco. Acho que são uns 70cm

 

Mas eu criei esse post aqui só para falar de uma pessoa: Eric Araki. O Hércules Chinês dava notas ácidas. Em um post que eu não vou lembrar aqui, comentei que certa vez ele deu nota 5 para Final Fantasy X-II. Os fãs xiitas da série ficaram furiosos. Foram milhões de emails. Disseram que ele tinha cérebro de Chocobo. Ele, que é/era um fã da série, discorreu como X-II era descerebrado. Comparou com Sailor Moon. Eu fiquei tão pasmo com as palavras utilizadas que pensei na hora “quero trabalhar com isso”. Não quero nem comentar dos bons redatores que hoje estão aí pela internet. Se eu fizer isso este post não vai ter fim.

Obviamente que a EGM não era só isso. A revista trazia pôsteres fodas. Até hoje os tenho aqui, esperando por uma boa parede para pendurá-los. Dois, em especial, chamam atenção: um que vem o amigão da vizinhança para o lançamento de Spider-Man 2 e que, do outro lado, vinha o policial motherfucker Tanner da série Driver. E o outro pôster vem a capa de GTA: San Andreas (foto aí de cima) e, do outro lado, o mapa de estado fictício do jogo. São coisas que não vou jogar fora nunca.

 

Driv3r foi um lixo, mas essa imagem é legal
Driv3r foi um lixo, mas essa imagem é legal

 

Acho que esse foi o primeiro jogo do Spidey em que ele se pendura em prédios e não em pássaros
Acho que esse foi o primeiro jogo do Spidey em que ele se pendura em prédios e não em pássaros

 

Outras coisas que não jogarei fora são algumas passagens da revista. Sim, frases completas que nunca esquecerei. Tem “A Nintendo está louca” quando lançaram Donkey Konga. Tem outra clássica que foi num preview de algum jogo do Hitman. Eles estavam lá mostrando as armas que o psicopata Agente 47 poderia usar quando chegaram na pá: “A distribuição de peso deste sólido instrumento permite ‘pingar’ duras pancadas no inimigo. Vote nesta arma, ela é uma obra de arte”. E no review de Black (jogo de tiro para PS2 e acho que para Xbox) lançaram a ótima: “Xinguei. E como xinguei. Xinguei como um filho de caminhoneiros criado por um estivadores num posto de beira de estrada”. E no próprio pôster de San Andreas tem o “Admita: você comete crimes só para ser perseguido pela polícia. Você gosta da emoção da perseguição, certo?”. São essas pequenas doses de nostalgia que me fazem folheá-la de vez em quando. E que fazem ela merecer um Retromana.

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