Também nunca entendi por quê eu sou tão ruim em dar títulos para os posts. Outra coisa que nunca vou entender é como existem socialistas, comunistas e pessoas que defendem o “proletariado” nessa constante “luta de classes” que temos na sociedade. Luta de classes essa que tem o embate entre trabalhadores “alienados” e a “burguesia”. Porque vocês, ditos defensores da igualdade, defendem conceitos tão antigos e ultrapassados como os da “esquerda”?

Pra começar, qualquer um que vem dizer que é de esquerda, direita ou centro é um babaca. Todas essas definições foram para o saco na queda da União Soviética. A partir dali, todas as ideologias…é… ladísticas (se é que vocês me entendem) foram pro saco. Sobraram aqueles que são liberais, conservadores, etc. As grandes discussões deixaram de ser a implantação de uma sociedade comunista, o fim da burguesia e todas essas paradas estruturais e conceituais e passaram a ser outras. Afinal, existe um jeito comunista de fazermos as crianças aprenderem mais na escola? O que é melhor para o combate às drogas? O capitalismo ou o comunismo? Será que o terrorismo é melhor combatido pelo capitalismo? Hmmm… dúvidas, dúvidas… dúvidas inúteis.

O Brasil, pelo que vejo, é um dos poucos países onde os militantes dos partidos de “esquerda” (intitulados agora de “progressistas”) ainda tem essa ideia de implantação de uma sociedade comunista. Claro que os caciques dos partidos levantam essas causas para inflamar seus militantes, mas me assombra ver que esses militantes são maiores de 18 anos. Como assim, caras? Você tem mais de 18 anos e defende a implantação de uma sociedade onde todos receberão a mesma fatia do bolo? Você já conversou com sua mãe sobre isso? Ela sabe que pagou seus estudos ou qualquer outro tipo de formação (muitas vezes cara) para que você ganhe mesmo que um servente de pedreiro?

É o pior é que esse tipo de gente, estranhamente, existe aos montes. Na faculdade mesmo você conhece sempre aqueles filósofos de cannabis que pregam a igualdade das pessoas. Sempre tem aquele pessoal que vai em congresso da UNE, é filiado ao PSTU (aqueles mais “gente boa” estão no PSOL), insubmisso a qualquer autoridade, etc. Sim, aqueles que enchem a boca para falar da exploração do homem pelo homem, que simpatizam com BoicotaSP, defende mensaleiros e foi/é contra a privatização da telefonia (mas que vive passando mensagens pelo smartphone).

 

A melhor frase de todos os tempos
A melhor frase de todos os tempos

 

Um recado para esse pessoal: parem com essa porra. Quando somos adolescentes temos na cabeça esse negócio de mudança do mundo, um lugar onde as pessoas tenham mais tempo para o lazer, para as festas, para os jogos. Ninguém pensa que, mesmo nos momentos de lazer, alguém tem que estar trabalhando para manter isso. O que fode é que nossos pais nunca conversaram com a gente sobre como a sociedade funciona, como os preços são marcados, como se dá o sistema de produção. E isso é foda. Aí chegam nossos professores, sim, aqueles que todos os anos fazem protestos na Apeoesp, ficam meses parados exigindo aumento (nada contra exigir aumento, mas contra ficar meses parados) e aí depois, explicando história, só mostram como o trabalhador foi explorado ao longo de tantos séculos. Escravos, servos, crianças trabalhando em fábricas na Inglaterra (cena clássica da Revolução Industrial), protestos dos trabalhadores contra o “sistema” e por aí vai. O que ninguém reparou é que a vida e os direitos do trabalhador foram evoluindo ao longo do tempo. E ninguém associa isso à evolução da tecnologia, por exemplo. E assim é criada uma nova sala 8ª série que acredita que o patrão é um FDP explorador e que, ao sair do emprego ele deve levar esse FDP no pau (aka justiça). E vai ganhar, pois no Brasil todo o direito está nas mãos do empregado, nunca do empregador. Nunca daqueles que tem a coragem de enfrentar impostos abusivos na compra de matéria-prima, na produção, na distribuição e em qualquer outra situação.

Eu comecei a mudar um pouco como eu penso a sociedade depois da leitura de “História da Riqueza do Homem”, de Leo Huberman. Ele mostra como foi a transição do feudalismo para o “capitalismo” não pelo lado das guerras que derrubaram o Império Romano do Oriente, mas pelas relações entre os agricultores, servos, trabalhadores livres e a distribuição de dinheiro e pagamentos que rolava na época. E depois como foram criados os comerciantes e burgueses. O primeiro pecado comercial (segundo a Igreja) que foi emprestar dinheiro a juros. As primeiras leis de defesa do trabalhador. O êxodo rural e o surgimento dos heimatlosen, como eram chamados os desabrigados na Holanda (sempre achei foda essa expressão holandesa, apesar dela ser bem triste). E por aí vai até a chegada do fascismo, nazismo e outras políticas extremamente autoritárias e perversas. É uma pena que esse livro de Huberman não contemple a queda do comunismo por causa da revolução tecnológica ocidental. De qualquer forma, vale a pena a leitura do livro, mesmo ele tendo uma pegada mais comunismo babaca de pesquisador que nunca teve um comércio.

 

Leitura recomendada. Só não se deixem levar pelo preconceito de Huberman
Leitura recomendada. Só não se deixem levar pelo preconceito de Huberman

 

Ah! E sabe qual o motivo d’eu ter colocado na terceira linha do último parágrafo o termo capitalismo entre aspas? Simplesmente porque ele não existe. O “capitalismo” é a forma comum das pessoas viverem, desde que houve o primeiro escambo e uma das partes achou que se deu bem na troca. E o comunismo>socialismo foi só uma teoria de como a sociedade poderia quebrar essa exploração do trabalho. Mas isso é um estudo antigo. As teorias de Marx já não servem mais para a sociedade há um tempão. Ou você vai dizer que é explorado pelo seu patrão mesmo recebendo uma série de benefícios salariais e tendo direito a 30 dias de férias por ano?

3 thoughts on “Nunca entendi o porquê de vocês defenderem causas comunistas/socialistas

  1. Concordo com quase tudo.
    Discordo da parte em que você diz que “direita” e “esquerda” foram pro saco. Acredito que esses dois termos indiquem um “pacote” de ideias e ideais que podem ser defendidos por uma pessoa e que, hoje em dia, também por partidos políticos (apesar de as pessoas quererem relativizar, já vi “filósofo de canabis” do PSTU dizer que o PT é de direita, só porque está a direita do PSTU. Isso é um erro, pois existe um centro [que não é ninguém], para o qual nos referenciar).
    E por último, discordo que “O Brasil […] é um dos poucos países onde os militantes dos partidos de “esquerda” (intitulados agora de “progressistas”) ainda tem essa ideia de implantação de uma sociedade comunista.” Essa é uma ideologia defendida por muitos partidos em toda América Latina (talvez com menor força no Chile), é só dar uma olhada no Foro de São Paulo…

    1. Não acredito que os outros países da América Latina defendam o socialismo. Acredito que o bolivarianismo (praticado por Venezuela, Bolívia e Equador) nada mais do que é uma ditadura do Estado (bem mais forte no caso da Venezuela) com pitadas de um falso socialismo e bananas. Quanto à existência de direita e esquerda, acredito que essas definições não passam de definições vazias com o único intuito de “sacanear” quem tá de um lado ou de outro. Os problemas modernos não são resolvidos a partir de conceitos de comunismo ou capitalismo, mas (como disse no texto) de liberalismo, conservadorismo e outros estilos de política. Que bom que gostou do texto, valeu!

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