Parece meio clichê dizer isso (e é), mas faz tempo que não existe mais a separação do que é online e do que é offline. Você nunca sabe ao certo se o que está fazendo está conectado às redes sociais ou não. Quantas vezes você já não se conectou a um aplicativo com o seu Facebook? Aliás sempre tenho medo de me conectar com a conta do Facebook. Nunca sei se aquela parada vai vazar na TL e… sacomené? Então, a Microsoft pensando nessa nossa vida conectada, fará com que o próximo Xbox só funcione conectado à rede mundial de computadores. Isso tudo ainda é rumor e nada foi confirmado, porém o máximo que você conseguiria jogar offline no Xbox seria míseros três minutos. É mais ou menos o tempo que dá para você ligar na operadora, conversar com os atendentes e eles resolverem o seu problema. Mudou de casa e ainda não instalaram internet na nova moradia? HAHAHAHA. 

Um dos diretores de criação da Microsoft, Adam Orth, chegou a dar aquela ZOADA™ no twitter, falando que se você não tem uma conexão boa, por favor, não compre o próximo Xbox. Será que esses caras não pensam em todo um mercado emergente, a nova classe média, que poderia comprar o console? Além de deixar a parada sempre online ainda aproveita para tirar sarro. Sabe o que eu acho a respeito disso? Quem é pobre tem mais é que se foder (inclusive eu). Você não consegue ter uma internet de qualidade (quem no Brasil consegue?), então vá ter outro passatempo mais barato. Vá jogar um futebol com os amigos. Não no FIFA, seu viciado!

 

Se fode aê nerdão!
Se fode aê nerdão!

 

Falando sério agora. Todo mundo que joga videogame sabe que esse é um hobby caro. Tem gente que se acha excluído disso e acaba apelando para torrents e tals. Você pode achar que isso é fuck the police, rage against the machine, PSTU, etc, mas é errado. Conviva com isso. A Microsoft também sabe disso. No entanto, ela está produzindo um console que só funciona conectado à internet. Pensando pelo lado de muitos jogadores hardcore, isso não faz muita diferença. Pra esse pessoal jogar Forza, Gears of War, Halo ou Call od Duty, a conexão à internet é o principal. Pra essas pessoas pouca diferença faz. O Xbox foi criado para ser o hardware que abrigaria a Live, a maior (e provavelmente a melhor) rede de jogatina online do mundo. O pessoal tá ali para se matar em partidas de 5 minutos de Team Deathmatch. Nem são assim tantos jogos que são desenvolvidos para serem jogados sozinhos. Mesmo aqueles jogos que possuem campanhas singleplayer, muitas vezes é mais interessante jogar o co-op com os amigos. E se você pensa “ain, e os RPGs? Não vou poder jogar sem internet?”. Já que é assim, faço outra pergunta: quem tem um Xbox e curte RPG? Muito pouca gente né? Pra acabar com qualquer merda que alguém pode falar, o Xbox 360 vende menos que o PS2 no Japão. Dá só uma olhada nos jogos mais vendidos de Xbox 360.

 

Calófidûti, calófidûti, C-A-L-Ó-F-I-D-Û-T-I
Um futiba virtual

 

 

Mas essa quantidade de jogos multiplayer sendo vendidos a rodo significam que a decisão da Microsoft é correta? Talvez não. Veja os jogos de futebol. Muita gente (no Brasil veranil pelo menos) tem 7 jogos comprados na estante: FIFA (ou PES, tanto faz… é a mesma coisa) 2013, 2012, 2011, 2010, 2009 e eu acho que vocês entenderam onde eu quero chegar. Talvez ele ainda possua um Dance Central pra quando a galera chegar em casa, rolar aquela festinha, a namorada e as amigas quiserem dançar e panz. Só. Tem algum problema nisso? Nenhum. Talvez ele nem goste de jogar pela internet. Ele chama os amigos para isso. Quer dizer que esse cara aí não acessa a internet? De forma alguma, afinal, todo mundo está conectado hoje em dia. Ele usa a internet pelo smartphone. Agora ele não poderá jogar o próximo FIFA (meldels, que coisa sentimental; tô quase chorando). 

Então quer dizer que essa atitude da Microsoft foi só pra dar aquela zoada mesmo, gozar na sua cara? Não, não é bem assim. Ao exigir o “always on”, ou seja, conexão permanente com a internet, a Microsoft elimina qualquer chance do jogador ter uma cópia pirata do jogo. É o famoso e temido DRM. O controle extremo da propriedade intelectual pode levar a problemas como os vistos em Diablo III e SimCity. Qualquer problema de servidor, qualquer DDoS, manutenção de rede e outros problemas do mundo moderno e você terá lá um produto que se torna um peso de papel. Lembra aquele ataque que a PSN sofreu? Foram 24 dias de muita gente jogando modo campanha singleplayer. Agora imagina isso na Live. 24 dias de jog… PERA! 24 dias com o console desligado. Tomara que eles reforcem a segurança da parada.

A Eletronic Arts entregou pro povão meia dúzia de servidores de SimCity e ninguém conseguia jogar. Agora imagina a quantidade de dinheiro gasta para manter, sei lá, 70 milhões de aparelhos conectados. Claro que é não é todo esse povo que fica conectado direto, mas ainda assim é necessário suporte para tudo isso, ainda mais em lançamentos de jogos como Halo. Além disso, somente 20 a 30% dos proprietários de Xbox 360 os mantém ligados o tempo todo. E tome mais essa: muita gente ficou com o pé atrás depois dos fiascos dos games always on. E opinião pública conta muito nessa história. Ainda mais nas comunidades gamers que sempre se encontram nos fóruns da vida. Vai ser difícil a Microsoft reverter o preconceito contra isso. O marketing terá que trabalhar duro. Mas tudo também pode ser uma brincadeira, assim como a de Adam Orth: a Microsoft pode estar só zoando e chegar na E3 gritando um “Rá! Pegadinha!”. Vai saber (provavelmente não).

 

Ah, você não quer jogar multiplayer? Só quer construir sua própria cidade? SE FODE AÊ NERDÃO (parte 2)
Ah, você não quer jogar multiplayer? Só quer construir sua própria cidade? SE FODE AÊ NERDÃO (parte 2)

 

Falando a real: não faz sentido a conexão permanente com a internet. Muitos produtores já estão se pondo contra. The Witcher 3, por exemplo, será livre de DRM. O GOG, meu parque de diversões favorito, vende muitos jogos livres de DRM. O jogo é seu. Você baixa ele. Com essa “inovação” no novo Xbox, espero que pelo menos não precisemos baixar nada. Afinal, se tudo será online, pra quê baixar alguma coisa para a máquina. Se é pra esculachar e ser tudo online, bota tudo na nuvem e vamos ver no que é que dá.

Outro fato importante a se levar em questão é que os grandes jogos não são multiplayer. Ok, o que mais vende ainda é CoD, mas, mesmo assim, os produtores estão começando a perceber que gastar milhões para manter servidores, produzir ferramentas para online e tudo quanto é tipo de outros gastos já não estão assim valendo tanto a pena. Como vocês podem ver nessa matéria do Meio Bit Games, a quantidade de jogos multiplayer vem caindo. Enganar o consumidor com um hardware que “precisa” estar always on ou com um software que precisa de modo multiplayer online está chegando ao fim. Tudo precisa ter um motivo aparente. O que significa um mata-mata em jogos como Tomb Raider ou Max Payne? Eles não servem para nada, não acrescentam em nada. E só aumentam o preço do produto, a margem de lucro a ser alcançada, a maior imposição pelo fim da pirataria e atrasos na entrega do game (afinal, o multiplayer não pode ser tão ruim assim).

É por isso que sou contra o Xbox só poder ser usado conectado à internet. Dar apenas uma opção de uso para o consumidor é um atraso. Aliás, o Bane e o PS4 agradecem.

 

a verdade sobre a microsoft

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