Considerações éticas (e sérias) sobre robôs

Tava estudando aqui para escrever o background de alguns personagens do livro que estou escrevendo (sim, é isso mesmo; e é um livro de ficção científica) e me deparei com alguma dúvidas éticas a respeito da relação entre robôs e humanos. Já que eu estava precisando divagar e pensar em merda, decidi compartilhar com vocês tudo isso aqui. Afinal pra quê ficar segurando tudo isso só para colocar na história meia-boca que estou escrevendo? Não faz o menino sentido. Tá, até faz sentido, mas foda-se.

Deixo claro que as três leis da robótica do Asimov foram abandonadas aqui. Na história e mundo que estou criando, os robôs podem ferir seres humanos ou permitir que eles se machuquem. Isso desde que eles sejam programados para isso. Mas as outras duas regras estão valendo aqui, afinal ele ainda tem que seguir as ordens dos humanos e tem que proteger sua existência. Percebi agora que dois terços das regras ainda estão valendo. Percebi também que fui idiota em falar de abandono das regras do Asimov. Percebi que fui idiota como sempre.

A história se passa no final do século XXII e, nessa época, já há tecnologia para que os robôs consigam copiar praticamente todas as funções dos seres humanos. Bom, vocês vão entender melhor a partir das perguntas e das respostas.

 

Um robô é um ser vivo? 

O que podemos considerar como ser vivo? Essa é uma questão complicada, uma vez que, nessa época, já temos robôs capazes de gerar seu próprio material genético. Talvez a maior discussão esteja na reprodução. Um robô que produz um robô a partir de peças metálicas pegas em qualquer lugar pode ser considerado um ser reprodutor? Ou então robôs de verdade são apenas aqueles que são criados por humanos? Já é possível que um robô tenha um sistema reprodutor, completo, inclusive com órgãos sexuais. Entramos aí em outro problema: um robô tem o direito de ser semelhante a um humano quanto a sua imagem? Ou eles tem que ser diferentes para não causar problemas de identificação? Se eles forem diferentes, então eles não possuem os mesmos direitos dos seres humanos, uma vez que nós somos capazes de nos transformarmos em qualquer coisa. Somos capazes até mesmo de nos tornarmos robôs, uma vez que órgãos, ossos e outras partes do corpo podem ser substituídos por componentes robóticos.

 

Quem é quem, quem será meu bom?
Quem é quem, quem será meu bom?

 

No caso de uma reprodução robótica, quem iria programar o robô gerado por dois outros robôs?

Sendo os robôs ainda dependentes e ajudantes do ser humano (mesmo com alguns direitos assegurados), como ficaria o desejo de um robô de se reproduzir, gerar um novo ser inspirado nele? Primeiramente, para este robô se reproduzir, foi necessário que um ser humano tenha colocado em sua programação um código responsável por querer fazer isso. Neste caso seria esta pessoa a responsável pela programação do novo robô? Afinal, um novo robô gerado por robôs ainda deveria estar ligado ao ser humano original que criou aquela família ou deveria ser “libertado”?

 

Relacionamentos entre humanos e robôs são legais? 

Imagina o choque na sociedade quando as primeiras pessoas passarem a ter relações sexuais com robôs. Logo depois, teremos as primeiras tendo filhos com esses robôs. Depois teremos a velha guarda rejeitando o casamento entr humanos e robôs, semelhante ao que temos hoje com o casamento gay. Se o pessoal quer controlar quem enfia o quê no cu, imagina com aqueles que deixam um ser metálico enfiar um ferro (nesse caso, de verdade) no orifício anal? Demorarão anos para que isso aconteça. Haverão protestos e mais protestos, mas ainda assim a lei passará. Mas como ficarão os sistemas de pensão uma vez que um robô não morre e a vida de um ser humano é finita? Mesmo em futuro onde o ser humano se torne imortal, ainda poderemos morrer em acidentes. Já os robôs podem ser reconstruídos. Bastante complicado.

 

Os robôs tem direito a gerarem (construírem) seu próprio DNA para se reproduzirem com e como humanos? 

Um dos assuntos mais polêmicos. Afinal, dois conceitos de vida ainda são bem distantes entre robôs e humanos: crescimento e reprodução. Um robô não precisa de células. Seu corpo pode ser formado por uma espécie de gel que simula a pele. Já a criação de uma DNA próprio iria complicar. Eles poderiam ter um sistema interno que só fabricaria porções de DNA quando precisassem. No caso, em relações sexuais. Mas esse sistema de fabricação poderia escolher características para um ser humano. É um dos problemas que temos hoje em dia. Todos sabem que, se deixassem, a maioria das pessoas escolheriam o sêmen de doadores altos, loiros e de olhos azuis. Como um robô decidiria por isso? Seria ético e moral escolher as definições do próprio filho?

 

Antes de isso tudo, haverão pessoas que vão querer fazer sexo com robôs. Se o robô é um ser vivo e você o usa única e exclusivamente para o sexo, ele se torna um escravo? Afinal, robôs tem que receber salários? 

Uma robô-prostituta seria uma coisa perfeita (do ponto de vista sexual): sempre estaria disposta, “conservada” e poderia trabalhar 24h por dia, recarregando suas energias com o calor do(a) parceiro(a) sexual ou enquanto ficasse deitada na cama. Mas seria legal (do ponto de vista jurídico) manter uma robô escrava sexual? Onde ficariam os direitos do robô no quesito liberdade? Se um robô não se cansa e nem precisa se alimentar, precisaria ele receber salários? Lembremos que, ainda assim, robôs precisariam renovar seus dispositivos de tempos em tempos, trocar o gel que simula a pele e consertar qualquer defeito que surja. Quando existirá a equiparação de salário entre robôs e humanos?

 

Uma dúvida que a sociedade resolve em menos de 140 caracteres
Uma dúvida que a sociedade resolve em menos de 140 caracteres

 

Os seres gerados biologicamente de uma relação entre humanos e robôs são registrados de que forma?

Na certidão de nascimento dos seres gerados dessa relação vem marcado que tipo de… origem? São meio-humanos ou meio-robôs. Como serão trabalhadas as escolas para que essas crianças não sofram bullying? Haverão leis especiais para elas?

 

Robôs podem adotar crianças humanas? Robôs podem gerar humanos?

Poderia um ser humano ser criado por robôs? Levando-se em conta que, neste cenário, os robôs já ajudam na criação de infantes há muito tempo. Mas serem pais de humanos? Psicólogos dirão que as crianças se espelham nos pais e não conseguirão se espelhar em um robô. Mais complicado ainda quando dois robôs gerarem um humano a partir de DNA criado por eles mesmos. Isso será permitido? O tempo dirá.

5 coisas irritantes em fotografias na internet

Confesse: você estava com saudades da série de coisas irritantes, não é? Pois eu não. Escrever isso aqui me deixa com tanto ódio de mim, de você e da humanidade que é difícil enfrentar a realidade depois de escrever tanta raiva em letras arábicas. E o assunto de hoje fala sobre a criatividade humana. Ou a falta dela. Incrível como os animais ganharam o poder de registrar visualmente o que se passa na frente dos seus olhos e fazem isso da pior maneira possível. Você ganha uma câmera com megapixels e megapixels de qualidade, flash, filtros de imagem e mais Lightroom, Photoshop e zilhões de programas de edição. E o que você faz? Caga tudo. Pra falar a verdade, por volta 7 bilhões de animais bípedes desse nosso mundo são capazes de cagar o que centenas de cientistas demoraram anos para fazer. Todo mundo caga. Uns mais outros menos. Deixa eu ir logo para os tópicos antes que eu me estresse antes da hora. Se bem que fiz um pacto comigo mesmo que não vou mais me estressar nestes posts. O objetivo é a diversão.

 

5) Fotos “zueronas”

Como vocês sabem, a zuêra não tem limites. Até o Vegeta sabe que a zuêra não tem limites. Porém, assim como o universo, a zuêra possui lugares ainda não alcançados por nós. Vira e mexe, os animais alcançam estes lugares ainda pouco explorados. Observem a foto abaixo.

 

"Você está defecando pela... pela..."
“Você está defecando pela… pela…”

 

O que leva alguém, com todos os seus neurônios em pleno funcionamento tirar uma foto dessas? A explicação de “apenas pela zuêra LOL” não serve. Essas pessoas não pensam que fotos como essas continuarão para sempre na internet. O que seus filhos vão achar disso no futuro? Será que a sua mãe sabe que você tira fotos assim? Se ela souber com certeza irá reprovar. A escatologia é um negócio que, assim como a zoofilia, o hentai e o furry são coisas que, mesmo em uma escala diminuta, agridem de uma forma muito forte. Espero que a “zuêra” ricocheteie e volte para você com a força de um meteoro de Pégaso.

 

4) Garotas sensuais

Este tópico não me deixa assim tão irritado. Porém é aquela típica situação “chove e não molha”. A garota está sensualizando na foto. Está com o decote generoso. Está mostrando aquela pinta no seio direito. Primeiramente, esta foto chamativa… te chama a atenção. Aí, como um bom stalker, você vai ver as outras fotos. Estão bloqueadas. Só amigos podem ver. Ok, você vai lá, aceita a amizade, vê as fotos mas a garota não fala com ninguém. Vocês podem até me chamar de Gerald Thomas (seria injusto, mas vocês tem essa liberdade), mas argh!, porque existem as malditas fotos que não representam a personalidade das pessoas? A pessoa só é sensual em fotos. Ou então só em alegre em fotos, mas na verdade sofre de depressão. Tô com ódio disso.

 

3) Avatares photoshopados

Mais um tópico que não posso mostrar fotos dos amigos para não responder a processo. Me digam uma coisa: estamos no bate-papo UOL ou no Facebook? Nessa altura do campeonato internético vocês ainda insistem em mostrar outras pessoas nos avatares. Só que a facilidade de alcance a ferramentas como o Photoshop, escovinha e outras maravilhas da vida moderna nos pregam peças. Ontem estavámos eu e a Gi destilando maldades no inbox quando me deparo com uma foto muito bonita no feed do FB. Pensei “Oh meu DEUS, que gata!”. Olho para o lado e me surpreendo com o nome da pessoa. Não acredito e vou ver a foto em tamanho maior. Vi a foto e um estalo veio à minha cabeça “Tenho que relatar isso num post”. Porque vocês fazem isso? (PQ FAS ISO ROMARINO?) Se até a máscara de Link cai em Majora’s Mask, porque a sua não iria cair? Parem com saporra.

 

2) Poses manjadas

Lá vem! Quantas vezes por dia vocês se deparam com fotos de times de futebol? Sim, aquelas em que as pessoas estão lado a lado com os braços nas costas dos outros? Uma dúzia? Mais? Já tirei fotos assim. Muitas. Mas frequentar a faculdade se resume a tirar fotos dessa forma. Ainda assim essa pose não é mais manjada que as amigas fazendo biquinho na foto. Ou então tirando fotos de lado, encoxando a amiga seguinte. Reparo que falta criatividade em vocês. São sempre as mesmas fotos. Só as vestimentas mudam. E aquela pessoa que todo dia tira foto do xícara de café? Ou então do pôr-do-sol via janela do trabalho? Não quero nem entrar no assunto Instagram, gatos, cupcake, Kit Kat e cia. LTDA (lembra que essa expressão era usada antigamente?). Pessoal, pensem um pouco antes de tirar as fotos. Existem tantas opções, mas o arroz e feijão é o mais comido. Eu fico realmente desgraçado da minha cabeça com isso.

 

Peguei isso lá no Flogão, mas poderia ser no seu Facebook
Peguei isso lá no Flogão, mas poderia ser no seu Facebook. Reflita

 

1) 16:9 widescreen from hell

Vou revelar uma coisa importante. Eu me segurei até aqui. Mas agora é impossível. Como é irritante a pessoa que, ao fazer imagens com o celular ou com a câmera, a utilizam na vertical. O pior é quando se faz vídeo dessa forma. Perceba só uma coisa: seus olhos estão um ao lado do outro, não em cima um do outro. Logo, ao ver um vídeo, é muito mais confortável assistí-lo “esticado para os lados”. Entenderam? Fotos e vídeos são na horizontal, não na vertical, seus animais! Aprendam a usar saporra que vocês compraram. Mas é foda. A idiota vai lá e tira uma foto pro perfil na vertical. Até o Facebook tem dificulldades para analisar tamanha façanha. Se chega no Youtube e a principal imagem que temos da explosão em West foi feita na vertical. Vocês reclamam de tarjas pretas nos filmes mas fazem isso, né? Cêis gostam disso, pode falar. E aquele pessoal que coloca filtro do Instagram em screenshot? E aquele pessoal que registra todas as suas fotos em sépia LIKE A OLIVER STONE? Olha, eu tô com um ódio disso, dessa burrice humana no uso de uma câmera que eu vou terminar o post aqui antes de…   

[NOW PLAYING] Treasure Adventure Game

Tô jogando um game bem legal chamado Treasure Adventure Game. Faz um tempão que ganhei ele de graça numa promoção do GOG e só agora que fui jogar. Apesar dos gráficos pixelados e bem simples, ele diverte bastante, principalmente em seus diálogos muito bem humorados. A jogabilidade é muito boa e mistura bem puzzles, plataforma e metroidvania.

Os puzzles, apesar de simples, exigem que você raciocine um pouco em como utilizar os muitos itens e novas habilidades que são adquiridas durante o gameplay. E como são várias dungeons a serem exploradas, muitas vezes você só consegue alcançar outras áreas ou resolver os problemas dos NPCs depois de algum tempo. Esse esquema de ir e voltar em várias áreas é uma das coisas que eu valorizo (e que é chamado de Metroidvania). A característica de plataforma é realçada com uma peculiaridade do personagem principal: assim como um bom pirata, ele possui um gancho em uma das mãos. Isso permite que ele se prenda às plataformas e ataque os inimigos.

O jogo tem uma escala de dificuldade muito bem feita. No começo você achará que ele é um jogo bem fácil. De fato, ele é. Mas quando se alcança por volta de 70% de conclusão do jogo, ele passa por um forte aumento na dificuldade. Algumas áreas, como a que, no final, você enfrenta os principais capangas do vilão, exigem boas doses de concentração e smash buttons corretos. Então, não se engane com seu visual simplório.

Boa pedida para passar o tempo, com uma história legalzinha sobre preservação da natureza e que não te irritará. Você sempre ficará querendo jogar mais para chegar no próximo checkpoint. Vale a jogatina.

Eu fiz um álbum no Facebook mostrando algumas passagens do jogo. Dá uma olhada.

[REVIEW] As Crônicas de Gelo e Fogo: A Dança dos Dragões

– Serão os seus Sete Reinos assim tão diferentes? Não há paz em Westeros, não há justiça, não há fé… e muito em breve não haverá comida. Quando os homens passam fome e estão doentes de medo, procuram um salvador.”

Como A Dança dos Dragões se passa na mesma época de O Festim dos Corvos, toda aquela atmosfera de desespero, medo, sujeira e abandono continua presente aqui. Só para constar: Dança é melhor do que Festim. Primeiro porque Dança traz meus personagens preferidos, o que já ajuda logo de cara. Segundo porque seus diálogos são mais bem construídos (justamente por causa desses meus personagens preferidos). Para lembrar você que já leu o livro há algum tempo ou que por algum motivo idiota está lendo a análise do quinto livro de uma saga tão extensa, Dança traz todo mundo que não aparece em Festim. Aqui são relatadas as histórias do Norte, do mundo Para-Lá-Da-Muralha, de Volantis e da Baía dos Escravos. Nada desse povo do Sul com seu calor e suas frescuras. Esse é um livro de machos. Eu diria que esse é mais que um livro de machos. É um livro nojento, repleto de passagens que trazem o pior do ser humano. É um livro que já começa terrível, contando como ficou a situação do povo livre depois da batalha na Muralha. Varamyr Troca-Peles foi o escolhido para abrir o livro morrendo (como todos os personagens que abrem todos os livros).

Tinha os lábios vermelhos, os lábios fendidos, a garganta seca e ressecada, mas os sabores do sangue e da gordura enchiam-lhe a boca, mesmo apesar da barriga distendida gritando por alimento. A carne de uma criança, pensou, lembrando-se de Bossa. Carne humana. Teria caído suficientemente baixo para sentir fome de carne humana? Quase conseguia ouvir Haggon rosnando-lhe.

– Os homens podem comer a carne de animais e os animais a carne de homens, mas o homem que come a carne do homem é uma abominação.

Abominação. Sempre foi essa a palavra preferida de Haggon. Abominação, abominação, abominação.”

O povo livre se divide em três: os que morrem de fome, os que procuram se reorganizar para lá da Muralha e aqueles que se sujeitam a Stannis. Destes, alguns se tornam homens de Lorde Snow, que lhes oferece abrigo, trabalho e comida na Muralha, mesmo sob a vista torta de muita gente. De cara vemos como Jon evoluiu nesses livros. Apesar de não ser um comandante carrancudo, ele traz muito da justiça que o pai lhe deu. Uma de suas passagens mais interessantes e que marca essa transição é a morte de Janos Slynt. Ele começa a pensar em punições cada vez mais severas ao malandrão até que decide-se pelo enforcamento.

E a Muralha sofre de mesmo mal que o resto de Westeros sofre: a falta de bons líderes. Já falei sobre isso no review de O Festim dos Corvos, mas vale a repetição. Todo mundo que era foda, respeitado e o caralho à 4, já morreu. Na Muralha o próprio Jon me ajudou a fazer a listinha. O Velho Urso, Quorin Meia-Mão, Donal Noye, Jarmen Buckwell, o tio de Jon… e a lista não para aí, pois no final do livro mais bons homens morrem. Só sobram os fracos.

Na velocidade em que está, Stannis demorará 100 anos para chegar em Porto Real
Na velocidade em que está, Stannis demorará 100 anos para chegar em Porto Real

Porém, mesmo com alguns momentos interessantes, como sua luta com o Camisa de Chocalho (que revela-se depois como Mance Rayder) e umas duas conversas com Stannis, as partes de Snow são exageradamente lentas. Em especial no começo. São uns três capítulos contando eventos que já tínhamos visto em O Festim dos Corvos sob os olhos de Sam. Não era necessário tudo aquilo. A parte dos diálogos repetidos é legal, mas a enrolação para a partida de Sam é muito grande. Mas não é nada que quem chegou até aqui não consiga superar. O final de Jon é aquele que nos deixa em dúvida: seria ele, na verdade, o Azor Ahai renascido e não Stannis? Melisandre pareceu bastante confusa quanto a isso no último capítulo.

Continuando no Norte temos o personagem mais bem construído desse livro: Fedor. Incrível acompanhar como Theon Greyjoy, metido e fanfarrão, se tornou um cachorrinho de Ramsay Snow (Snow não! Bolton!). Depois de ficar meses numa masmorra sem comer direito e sendo esfolado, torturado e amputado inúmeras vezes, Theon se tornou Fedor. Com isso ele obteve uma mente perturbada, amedrontada e receosa de qualquer opinião que Ramsay emita sobre ele. Saca só a forma como ele é apresentado:

A ratazana guinchou quando a mordeu, esperneando violentamente em suas mãos, num frenesi para fugir. A barriga era a parte mais mole. Rasgou a carne doce, com o sangue quente escorrendo pelos lábios. Era tão bom que lhe trouxe lágrimas aos olhos. A sua barriga trovejou e ele engoliu. À terceira dentada a ratazana parou de lutar e ele estava sentindo-se quase satisfeito.”

Vejam a cara de desaprovação de Lorde Bolton diante das atrocidades do filho
Vejam a cara de desaprovação de Lorde Bolton diante das atrocidades do filho

Ramsay é a pessoa mais grotesca de Westeros. Nem as maldades feitas pelos Bravos Companheiros chegam aos pés do que esse bastardo faz. Ele representa toda a maldade do Norte, aquela que é demonstrada. Diferente do Sul, onde a maldade é velada. É claro que Ramsay terá uma morte horrível em breve. Aliás, ele nem merece uma morte em batalha. Espero ansioso por esse momento. Assim como espero pela revelação de que Arya não é Arya. Os Bolton se revoltarão contra os Lannister (falei bosta aqui. O amigo Nanotícias lembrou que Roose e Fedor tiveram uma conversa e falaram sobre isso) . Por falar em Norte, percebe-se que essa região é mais “espiritualizada” que o Sul. A presença dos deuses antigos ali é muito mais forte que os Sete abaixo de Fosso Cailin. Além disso, o povo do Norte é bem diferente no que diz respeito a resolver as situações. Essa passagem do senhor de Porto Branco (mesmo sua origem não ser bem o Norte) representa bem.

Eu bebo com Jared, gracejo com Symond, prometo a Rhaegar a mão de minha querida neta… mas nunca julgue que isso quer dizer que me esqueci. O Norte lembra-se, Lorde Davos. O Norte lembra-se e a farsa está quase no fim.”

Ainda a respeito do Norte, espero que Bran e Arya não se esqueçam o que aconteceu com eles e com a família deles. E como “o inverno está chegando”, a hora de se lembrar de tudo também está para chegar.

A respeito de Davos, eu simplesmente não havia acreditado em O Festim que ele havia morrido. Além do que sua morte tinha sido contada de forma tão rápida e sem importância que não achei justa. Um cara como ele merecia um final melhor. Depois de sofrer muito, perder quatro filhos e a bolsinha em que carregava seus dedos, ele merecia algo melhor (nem que seja uma morte melhor). Morrer em Porto Branco seria uma sacanagem. E o cara é corajoso, hein? Chamar um Frey de mentiroso na frente de uma corte inteira foi a prova de que Davos é foda. Nos capítulos dele também achei que ele se encontraria com Rickon e, de alguma forma, ficasse quieto e não contasse esse fato a Stannis. Mas ficou nisso mesmo.

Um capítulo discreto, chamado “A Noiva Desobediente”, foi um dos melhores. Nele é contado o que aconteceu no refúgio de Asha Greyjoy e, consequentemente, sua morte. E que morte. Ela leva um monte de gente na espada até morrer. Só que não morre no mar, o que me faz pensar que ela ainda voltará no livro da mesma forma que os mortos estão voltando. Mas o melhor do capítulo com certeza é sua cena de sexo com Qarl. Sério, dá vontade de comer Asha, de tão bem escrita que foi essa cena. Disparada a melhor transa dos cinco livros.

Estava ensopada quando ele a penetrou.

– Raios lhe partam – disse – Raios lhe partam raios lhe partam raios lhe partam. – Ele chupou-lhe os mamilos até que ela gritou, meio de dor, meio de prazer. A sua rata tranformou-se no mundo. Esqueceu-se de Fosso Cailin, de Ramsay Bolton e de seu bocadinho de pele, esqueceu a assembleia de homens livres, esqueceu seu fracasso, esqueceu seu exílio, os inimigos e o marido. Só as mãos dele importavam, só a sua boca, só os seus braços à sua volta, a sua pica dentro dela. Ele fodeu-a até a pôr a gritar, e depois fodeu-a de novo até a pôr a chorar, antes de finalmente despejar sua semente no ventre dela.”

E bora terminar o Norte falando a respeito de Bran. Finalmente ele consegue coordenar sua troca de peles e agora faz isso de boa. E ele se encontra com os “filhos da floresta” que, após uma pausa de umas 300 páginas no livro, revelam a ele que ele é um vidente verde (oh, ninguém sabia). Nunca gostei dos capítulos de Bran. Pelo menos nesse livro o autor deixou pouco espaço para ele. Resta saber no sexto livro como ele irá utilizar todo o poder que ganhou. Minha opinião: ele não fará nada porque é um bosta.

Agora chega de frio. Vamos para o calor da Baía dos Escravos. Daenerys. Caras, eu fico tenso toda vez que um capítulo dela se inicia. Parece que a qualquer momento os dragões morrerão (um já foi embora) ou que ela será assassinada. Esses dragões dela lembram o Charizard do Ash. Charizard era desobediente e só foi ajudar Ash quando ele tava fodido no final da Liga Laranja. É isso mesmo? Nem lembro mais.

Percebe-se que ela não deseja mais tanto assim voltar para Westeros. Ela quer ficar em Meereen e ajudar todos aqueles escravos libertos. E, diabos, porque ela é tão burra? A filha da mãe está sendo cercada por exércitos e mais exércitos e fica lá parada esperando o ataque. Gosto bastante dos capítulos dela, mas eles me deixam angustiado. Eu quero vê-la atacando Porto Real com dragões e passando o archote em tudo, mas como digo sempre, ela está bufando no farináceo. E aquela líder que ela era está se perdendo no desejo louco que ela tem de ser fodida (vamos usar o palavreado do livro) por Daario.

Uma coisa interessante de se observar também é a corrida pra ver quem chegará primeiro em Daenerys. Quentyn Martell, Aegon Targaryen, Tyrion Lannister ou Victarion Greyjoy? Por depender de si próprio, chuto em Victarion, principalmente por nada da sua frota ser comentada em A Dança. Falando a real aqui: Quentyn é um merdinha. Como um cara como aquele deseja ser rei? Ele vai chegar pra Daenerys com mais duas pessoas e a Mãe de Dragões falará: “Você só trouxe isso? Eu preciso de uma tropa para me defender”. Tenho certeza que Quentyn irá se enganar legal no próximo livro. Vai vendo. Já o outro Targaryen tem mais força e, após receber uma lição de Tyrion, aprende o que deve fazer. Esse moleque tem futuro, apesar de eu achar que ele é o típico personagem que irá morrer.

Por fim Tyrion. Como eu estava com saudades desse personagem. Mas vou dizer logo de cara: seu final foi péssimo. Como assim o final de um personagem tão foda termina nele contemplando os fogos da Valíria? Assim como o final de Bran, fiquei procurando se tinha mais coisa depois daquilo. Os créditos passaram, acenderam-se as luzes, começaram a limpar a sala e eu fiquei perguntando “Tá. E daí?”. Todos os seus capítulos tinham sido muito bons, destacando-se o discurso que ele faz para desmascarar Aegon Targaryen e sua trupe e o jogo de cyvasse com Aegon para mostrar o quanto o moleque ainda é… moleque.

Illyrio dá tantas voltas nas conspirações que nem ele mesmo sabe o que quer fazer (mentira)
Illyrio dá tantas voltas nas conspirações que nem ele mesmo sabe o que quer fazer (mentira)

Também é muito interessante a volta de Illyrio Mopatis que, como se percebe, conspirou junto com Varys por anos para colocar de volta os Targaryen no trono. A origem de Varys mostra o quanto uma pessoa pode ir longe apenas tramando e provocando reações nas pessoas. Tyrion continua falastrão mas, como sempre está dependendo de alguém para alcançar seu objetivo, muitas vezes ele se segura para não falar besteiras.

Griff fitou-o, franzindo o semblante.

– Te avisei Lannister. Ou controla sua língua ou a perde. Há aqui reinos em risco. As nossas vidas, os nossos nomes, a nossa honra. Isto não é nenhum jogo que estamos jogando para seu divertimento.

Claro que é, pensou Tyrion. O jogo dos tronos.”

Tyrion entra em uma amargura profunda depois de matar o pai. Vira-e-mexe ele sai perguntando por aí por onde andam as rameiras, frase dita pelo pai pouco antes da morte. E já que tocamos no assunto, o amigo Nanotícias cantou a pedra que Tyrion poderia ser filho de Aerys (Tywin corno), o que faria com que ele seja o maior pretendente ao trono de ferro. Se isso for verdade, a história sofrerá um plot twist tão foda que explodiria a cabeça de muita gente, seja aqui na Terra ou em Westeros. Enquanto essa provável mudança não ocorre, o Anão continuará muito amargurado e pensativo. Nessa passagem em que ele vai foder uma prostituta (e depois é pego por Jorah Mormont), isso fica bem claro.

Rolou para fora dela sentindo-se mais envergonhado do que saciado. Isto foi um erro. Que criatura desgraçada essa que me tornei.

– Conhece uma mulher que se chama Tysha? – perguntou, enquanto observava a sua semente escorrer de dentro dela para a cama. A rameira não respondeu. – Sabe para onde vão as rameiras? – Também não respondeu a essa pergunta. Tinha nas costas um rendilhado de estrias de tecido cicatricial. Essa mulher para todos os efeitos está morta. Acabei de foder um cadáver. Até os seus olhos pareciam mortos. Nem sequer tem força para me abominar.

"Vai, me chama de assassino de parentes que eu gosto"
“Vai, me chama de assassino de parentes que eu gosto”

Acho que agora entendi o significado de A Dança dos Dragões. Sim, sou meio burro, mas foi escrevendo isso que percebi que são três Targaryen vivos: Daenerys, Aegon e Tyrion. E um dragão para cada um deles. Mas pera… porque diabos Tyrion não tem os cabelos prateados? “Ah, puxou pra mãe”. Foda-se, até os outros bastardos do Targaryen tem os cabelos prateados. Argh! Chega de especulação. O Nano disse que Os Ventos do Inverno será lançado ainda neste ano. Em outro lugar li que o lançamento será em 2015. E que Um Sonho de Primavera sairá só em 2019. Serão mais 6 anos esperando? Melhor não pensar.

O fato é que o próximo livro ainda demorará um bocado. Minha análise da série até aqui é que ela é absolutamente perfeita. Não posso ir mais além para não adentrar na perigosa síndrome de Lost. O Festim dos Corvos e A Dança dos Dragões foram para mim como um período entre-guerras. Não dá para combater a todo momento. E em Os Ventos do Inverno finalmente teremos aquilo que foi prometido desde a capa do primeiro livro: o inverno. Todo mundo vai se foder legal pois as guerras impediram o acúmulo de alimentos. Será gente comendo gente, literalmente falando. Enquanto o livro não sai, vou ler e reler esse trecho de capítulo de Arianne Martell.

Só peço que uma coisa não falte: os grande parceiros de conversa. Ainda sinto muita falta da dobradinha Tyrion+Bronn. Enquanto eles não se reencontram, fico contente com diálogos como os de Jorah e Tyrion. Pra mim, todas as centenas de páginas são válidas paor causa de diálogos como esse:

– Pode ser que só queira ver-te pagar pelos seus crimes. O assassino de parentes é maldito pelos olhos dos deuses e dos homens.

– Os deuses são cegos. E os homens só veem o que querem ver.

– Eu vejo-te com bastante clareza, Duende. – Algo negro esgueirou-se para o tom do cavaleiro. – Fiz coisas de que não me orgulho, coisas que trouxeram vergonha a minha casa e ao nome do meu pai… mas matar o próprio pai? Como é possível que algum homem faça tal coisa?

– Dê-me uma besta e baixe as calças que eu te mostro. – De bom grado.

– Julga que isto é uma brincadeira?

– Julgo que a vida é uma brincadeira. A sua, a minha e de toda a gente.”

***

Bom, já que o próximo livro da série vai demorar, minha única saída é partir para outro. Vou aproveitar e eliminar uma das vergonhas que é nunca ter lido nada de Bernard Cornwell. Pesquisei e vi que sua melhor série são As Crônicas de Artur. Então o próximo review será de O Rei de Inverno (caramba, é inverno pra tudo quanto é lado).