Que tal pagar 1500 obamas para testar o Google Glass? Pois é, se eu tivesse dinheiro, morasse nos EUA e fosse maluco, pagaria com certeza. Mas, caramba, com 1500 daria pra comprar uns três PlayStation 4, revender por 2500 dilmas cada um por aqui e ficar rico. Ou não. Bom, o fato é que eu (e o mundo) quer um Google Glass. O primeiro motivo é a possibilidade de utilizar um aparelho realmente do futuro. Sério, a gente já tá acostumado desde a década de 90 com computadores e celulares. Eles foram só melhorando e atraindo funcionalidades de outros aparelhos. Mas aí vem o Google jogando a realidade aumentada na nossa cara. O Google é tipo um ator pornô e nós somos a Stoya. Estão gozando na nossa cara. E o segundo motivo é que o óculos é mó stáile.

Pra começar, a chegada do Google Glass finalmente nos traz algo que seja do futuro. Temos um meio futuro sonhado em meados do século passado que é o acesso a informação em qualquer lugar. Os dispositivos móveis nos deram isso. Agora chegou a era em que esses dispositivos se acoplarão a nosso corpo de forma que não saberemos mais o que é realidade virtual ou realidade… ahm… “animal” (bom nome que eu inventei, hein?). Não mais interesserá se o que estamos vendo é observável com ou sem aparelhos específicos. Aliás, o segundo passo da “revolução aumentada” é o encaixe desses dispositivos no nosso corpo. Imagina um Google Lens que ninguém percebe que você está usando. Ou então o passo a frente do Google Glass em que você deixa de falar “Ok Glass, kick my ass” e passa a fazer movimentos com as mãos para interagir com as coisas ou então somente pisca os olhos para confirmar ações.

O foda do Google Glass reside única e especificamente no fato de que ele pode ser usado de uma maneira supersimples e, o mais importante, como um acessório comum. Aparelhos de realidade aumentada não são necessariamente uma novidade. Já ouviram falar de um tal de Wikitude AR? Eu também não, mas dá só uma olhada. Queria um só pra dar uma zoada. Chegando mais perto da realidade, o Nintendo 3DS tem realidade aumentada, mas você precisa segurar o aparelho com as mãos. Agora tire as mãos da jogada. Você pode fazer qualquer outra coisa com as mãos. Óbvio que ainda não dá pra garantir o sucesso do aparelho. Não sabemos qual será seu alcance, qual seu peso, se usar aquilo cansa as vistas, por quanto tempo dura a bateria… tudo isso é muito importante. Mas vamos falar de outras coisinhas.

 

 

O principal objetivo de um aparelho como o Google Glass não é por o indivíduo em contato com seus falsos amiguinhos das redes sociais. Claro que ele tem que ter suporte gravação de imagens, áudio e vídeo. Isso é o básico. Mas o mais interessante é o PvE, o Player versus Enviroment. O contato que você fará com o ambiente, com os objetos que te cercam é o mais importante. As principais aplicações que vi eram duas. Um GPS que se mistura com a sua visão, criando uma indicações de rotas no melhor estilo jogos de corrida. Informações sobre o lugar em que você está (imagina só que foda: numa tragédia o óculos te indica para onde é a saída de emergência), bem como sobre produtos numa loja ou valores nutricionais de frutas em um supermercado.

Imagina o uso do Google Glass como o mundo de Deus Ex. Pra vocês que não curtem tanto o jogo mas ficaram empolgados com Watch Dogs, tá bom, pode ser um Watch Dogs. Só que, em vez de um iPhone na mão, o que temos são óculos. Agora, o dia que conseguirmos hackear câmeras através de redes wireless com um Google Glass, poderemos afirmar com a mais absoluta certeza que alcançamos o futuro distópico.

 

 

Vejo, de cara, três características que tornariam nosso futuro com o Google Glass uma forte distopia.

Pra começar, conteúdos relacionados a pornografia e pedofilia poderiam ser rastreados pelo Google (ou por qualquer empresa que vendesse um aparelho desses) de uma forma ridícula. Basta que a câmera registre o que a pessoa está vendo e, a partir de parâmetros de segurança já existentes em motores como o do Youtube. Mas fica a pergunta, como o Google identificará que alguém está cometendo um crime ou brincando com os amigos? Ou então se está vendo crianças nuas pela sacanagem (pedofilia), com algum motivo artístico, científico ou educativo (lendo sobre Lewis Carroll) ou simplesmente dando banho no filho. Nesse futuro a missão de policiar as pessoas passará para as mãos das empresas? Lembre-se que o ser humano é burro e descuidado o suficiente para filmar suas sacanagens com o novo aparelho.

Outro problema é a estupidificação coletiva que isso pode gerar. O ser humano já é estúpido. As crianças de hoje em dia já não querem aprender mais pelos métodos tradicionais. Com um óculos desses nas mãos, todas as dúvidas serão resolvidas, literalmente, num piscar de olhos. Pra quê aprender? Nem o “trabalho” de tirar o celular do bolso nós teremos.

 

Deus Ex: Invisible War é um bom exemplo de distopia futurista. Aliás, seria foda se o Glass tivesse essa interface
Deus Ex: Invisible War é um bom exemplo de distopia futurista. Aliás, seria foda se o Glass tivesse essa interface

 

Por fim, o uso do Google Glass ou de qualquer outro dispositivo de realidade aumentada acoplado ao nosso corpo será objeto de consumo dos mais ricos. E por um bom tempo. O Glass serviria também como válvula de escape, o amigo que você não tem, a privação social e essas porras que temos muito atualmente. Pra quê entrar em contato com as pessoas sendo que eu posso conversar com os objetos, com os aparelhos eletrônicos, com a minha casa e descobrir um mundo inteiramente novo?

O que eu falei aqui nos últimos parágrafos nada mais é do que uma dos aspectos da distopia, que é o pessimismo e a falta de esperança. Mas eu sou pessimista. Será que eu cairia numa estupidez humana guiada pela realidade aumentada? Talvez (SIM!). De fato, nosso mundo passará por uma nova revolução tecnológica através da realidade aumentada. Se ela será boa? Sim, mas só o tempo dará a certeza

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