Jogos de corrida são os melhores para aproveitar as músicas descoladas que os produtores escolhem. Não que os outros não tenham trilhas sonoras boas. Não que outros jogos não tenham músicas descoladas. Mas é que os jogos de corrida são aqueles que, pelo menos em mim, fazem com que eu me abstraia total do que tenho em volta. Perco horas em games de corrida, sempre jogando, como um bom macho, com transmissão manual, no hard e sem HUD. Não que eu deseje um realismo, até porque fazer curvas em avenidas movimentadas a 140 km/h não é nem um pouco realista. No entanto, esse é o máximo de VIDA LOKA que eu posso alcançar dentro de um bólido.

Meu jogo de corrida preferido de todos os tempos é Need for Speed Underground 2. Ele trouxe grandes melhoras em relação ao primeiro jogo dessa série, como carros mais pesados e uma cidade (acho que o nome é Bayview) gigantesca, com centenas de corridas e uma linguagem das ruas que era muito foda. E as marcas e patrocinadores? Putz, deu tanto saudade que fiquei vontade de jogar de novo. É só reinstalar, porque algumas semanas atrás o bom e velho uTorrent me trouxe esse clássico (o melhor Need for Speed já feito, diga-se de passagem). Rodei ele no máximo e ele ainda tá bonitão. Acelerar um Nissan 350Z numa autoestrada a 300 km/h com aquele blur do lado é uma das coisas mais divertidas de se fazer em um microcomputador pessoal. E com a trilha sonora de NFSU2 então…

Esse é um 350Z prestes a explodir no muro e nada acontecer com sua lataria. Que saudades de Bayview.
Esse é um 350Z prestes a explodir no muro e nada acontecer com sua lataria. Que saudades de Bayview.

O melhor Need já feito teve Snoop Dogg (Riders on the Storm), Unwritten Law (The Celebration Song) e Rise Against (Give it All), que é a melhor música do game. Outras músicas boas (algumas nem tanto) também fazem parte. Mas esse post não vai falar da trilha sonora.

A segunda melhor canção de NFSU2 é Scavenger, do Killradio. Eu não conhecia essa música até 2006, ano em que experimentei o game no saudoso PlayStation 2. Pra falar a verdade, eu não conhecia o Killradio até essa época. Só a pouco tempo, quando entrei na minha fase punk de músicas (não de estilo) que passei a ouvir alguns álbuns do Killradio. A banda até que é legalzinha e seu melhor disco é Raised on Whipped Cream (Scavenger está nele).

O post de hoje vai falar de um único verso dessa música:

So now I’m living off the spoils of leftover generations”

Apesar de fugir um pouco do contexto da música (e de não ser a versão original do jogo, que é essa aqui), digo que vivo em um universo onde nada é novo e, o que é realmente novo (não interessa se chupado de coisa antiga ou não) não me atrai. Só vejo, assisto ou ouço coisas antigas. Não sou eu quem possui a nostalgia: a nostalgia é que me possui. Simplesmente não consigo conhecer coisas novas ou projetos novos. Em qualquer conversa que entro, a pessoa fala, por exemplo, “Conhece tal coisa?”. Se nunca ouvi falar, a minha primeira pergunta selecionadora de conteúdo é “Foi feito no século vinte e um?”. Caso tenha sido feito, vocês já sabem qual a minha reação: “Não vejo/ouço essas porcarias novas”. É preconceito mesmo. Fez sucesso depois do bug do milênio? Então é uma bosta.

Você pode até dizer que mesmo as coisas antigas são baseadas em coisas mais antigas ainda. Eu concordo, mas ainda assim não consigo parar de consumir tudo aquilo que foi produzido da década de 50 até a de 90. E olha que sou novo, e deveria gostar de tudo aquilo que é mais novo (ou não, esse argumento não tem nada a ver). Pensando bem, caí em contradição a gostar de NFSU2 (e de Scavenger também), que é de 2005, mas, como um bom cagador de regras, me defendo que nostalgia de PS2 vale (mas apenas de alguns jogos). Pronto, cagada a regra, continuemos. Mas olha, eu não gosto do Killradio. É só uma música boa, como todas essas bandinhas revolts.

De qualquer forma, eu vivo sob a sombra daquilo que os antigos fizeram. De certa forma, me sinto preso toda vez que a criatividade é necessária para resolver algum problema. E, toda vez que preciso de referências, lembro apenas daquilo que foi criado nas décadas de 70 e 80. Curto até muitas coisas da década de 90. Mas, porque será que as coisas antigas parecem melhores que as atuais? Um fato é que detestamos a geração seguinte a nossa. Mas o recalque nostálgico vai além disso.

Gigi D'Agostino, o melhor DJ de todos os tempos. Um dia vou deixar minha barba igual a dele.
Gigi D’Agostino, o melhor DJ de todos os tempos. Um dia vou deixar minha barba igual a dele.

Eu diria, principalmente, que é por causa da simplicidade. Tudo que é antigo é mais simples. Hoje tudo tem um significado oculto, alguma coisa por trás, malícia. Boa era a época em que podíamos deixar nossos filhos nos carros, irmos para as festas e não nos preocuparmos com polícia nos culpando. Muitas vezes, um único significado é mais significante do que uma miríade de facetas. Ao querer se atingir um grande público, os produtos culturais se tornam vazios, com cada um colocando seu próprio interesse ali. Quanto mais de garagem, mais de raiz, mais moleque, melhor.

Aliás, sinto falta de algo que nunca vivi. Mas é que tudo que é antigo é tão bom, que parece que vivi tudo aquilo, mesmo que seja em emuladores, em players de música ou de vídeo. Para mim é estranho gostar de tanta coisa que já se foi. Ás vezes tenho medo de não ter o que ver de novo (mesmo antigo) daqui um certo tempo. Até lá penso em uma saída para isso. Bem, o próprio Killradio pode me ajudar nessa:

I’m sifting through your trash still I’m gonna make it last. Well, scavenger survivor’s find a way”

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