É normal uma empresa confrontar a outra agressivamente por espaço no mercado. É normal que se pegue pesado, jogue de forma injusta. Aliás, eu acho é pouco. Queria que o mundo fosse dominado por grandes empresas só para o mundo de Syndicate se concretizar. Bom, whatever. Nas primeiras aulas de Introdução a Publicidade (eu até me divertia nessas aulas o que me faz pensar novamente que deveria ter seguido para publicidade) temos que ouvir o velho papo de Coca-Cola X Pepsi, por exemplo. Em tecnologia, isso é muito comum. Aparelhos eletrônicos sempre foram muito parecidos (ou não) e algumas vantagens em especificações sempre foram abordadas em propagandas. Já tivemos a clássica disputa do glorioso Super Nintendo contra o fuleiro Mega Drive, por exemplo. Já tivemos Apple X Samsung. E parece que teremos agora Valve X Microsoft.

A empresa de Gabe Newell parece que comprou briga ao mostrar um anúncio aos seus usuários que utilizam Windows que eles poderiam mudar o sistema operacional para Linux (na verdade o Ubuntu) para continuar usando o Steam da melhor forma possível. Isso tudo depois do próprio Gabe dizer que o Windows 8 é uma bosta para rodar jogos, que a interface touchscreen é passageira, etc. Balela. Blefe. Seu principal medo reside na compra de jogos de Xbox 360 direto do Windows 8. Mas, quando compramos uma briga, é sempre bom sustentar os argumentos. Faz meio ano que Gabe anunciou que 2500 jogos iriam aparecer no Steam para Linux. Por enquanto, apenas meia dúzia de jogos pingados estão lá. E a Valve não dá nenhum jogo de graça pra quem muda pra Linux. Não há nenhuma vantagem nisso.

 

Ok, vamos lá jogar um Team Fortress e depois... éééé... Team Fortress
Ok, vamos lá jogar um Team Fortress e depois… éééé… Team Fortress

 

Nem grandes jogos da própria empresa foram portados para Linux. Não tem Half-Life, Portal, Left 4 Dead, nada. Só o gratuito Team Fortress 2 está lá (aliás, onde Team Fortress não está?). Valve fez a técnica do “Everybody Hates Chris”: dê o primeiro tapa. Mas fica difícil algum usuário mudar para Linux só com promessas.

Um dos principais pontos é o convencimento que a Valve tem que fazer nas empresas produtoras para desenvolver o jogo para Linux. Não é nada fácil alguém que só produz para Windows ter que contratar uma nova equipe só para atender aos desejos de alguns moleques que entraram na pilha da Valve. Por enquanto, só 1% dos usuários do Steam usam o Ubuntu (e menos ainda usam a versão 12.04 LTS, a única recomendada pelo Steam, diga-se de passagem). Como que uma empresa vai se aventurar nisso? Além do mais, os produtores independentes, com suas pequenas equipes, vão procurar sempre vender seus jogos para um maior público. Não faz sentido ele desenvolver para Linux.

Mas todo esse burburinho serve para anunciar novos produtos como o Piston, da Xi3. O primeiro hardware a trazer o Steam de fábrica (não me venha falar da conexão de contas PSN-Steam) irá trazer Linux como sistema operacional. A Valve já disse logo que o Piston traz o Steam, o que não significa que a Valve só produzirá isso. Semelhante ao que foi o 3DO, várias empresas podem produzir hardware que rodam Steam, tudo no sistema de parceria, claro. A própria Valve trará (algum dia, em algum lugar do futuro) o Steambox. Enquanto isso, para não jogar dinheiro fora, ela verá como o mercado reagirá com esses aparelhos pré-Steambox.

 

Olha só que bonitinho. Uma gracinha!
Olha só que bonitinho. Uma gracinha!

 

Tirando o fato de que roda Linux (nada que uma instalação marota do Windows não resolva), o Piston me parece muito bom. Como eu disse aqui nesse post, dá pra conectar sua vida nesse aparelho. Serão 4 portas USB 3.0 e 4 portas USB 2.0, HD de 1TB, além de outras definições técnicas que, blá, não fazem muita diferença pra quem é gamer. O problema (o? São vários!) é que o Piston segue a arquitetura de performance de outro aparelho da Xi3, o X7A. Esta belezura custa nada menos que US$ 999. O computador mais barato da Xi3, o X5A, custa US$ 499. Ainda é um preço muito alto para os gamers tratarem como uma possível plataforma de games. O grande diferencial da parada é a possível troca das placas de vídeo do aparelho. Seria possível fazer upgrades constantes na máquina. Mas quem faria isso? Quem gastaria mais e mais? Já que é pra gastar cada vez mais, não seria melhor comprar logo um PC fodelástico, instalar na sala do mesmo jeito e fuck the police? Além disso, todo upgrade tem um limite. É difícil trocar placas-mãe, processadores e tals sem ter um mínimo de complicação na instalação. Será que o usuário comum, empolgado com o novo hardware, faria isso tranquilamente? Difícil dizer.

Eu adoraria ter um PC bem pequenininho do lado da TV, mas muita gente torceria o nariz para a quantidade de mexidas que teriam que fazer na bagaça. O jeito é esperar pra ver qual será o novo passo da Valve. Donde virá o próximo ataque? Como sempre, ESTAMOS DE OLHO™.

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