Estou esperando ansiosamente pela chegada do Carnaval. Não, seu desgraçado, eu não sou daqueles santos durante 360 dias do ano e um depravado por 5 dias, embriagado, beijando seres humanos do mesmo sexo, jogando confete pro alto e com dor na bunda na manhã seguinte. Não. Estou esperando o Carnaval por dois motivos. O primeiro é para assistir o desfile da Inocentes de Belford Roxo. Explico: pra começar, o nome é ridículo. Inocentes e Carnaval numa mesma frase não dá. E Belford Roxo é um nome bem legal. Sempre brinquei com esse nome desde uma zoeira que o Hermes e Renato fizeram há muitos anos e eu tô com preguiça de procurar saporra no Youtube. O segundo motivo pela espera da maior festa do nosso Brasil veranil é que, em plena Quarta-feira de Cinzas (como se essa data significasse alguma coisa) tem a volta da Liga dos Campeões da Europa, em sua decisiva e épica fase de mata-mata.

Tá, você finalmente entendeu que eu gosto de futebol, mas deve estar aí falando “Ain, vossê só gosta de futebol das Europa. Devi de torce pro Barssa só p q é modinha”. Novamente digo não para você. Gosto de futebol muito tempo antes disso. Minha primeira lembrança de um jogo de futebol completo (é claro que eu não lembro o jogo inteiro) é a semifinal da Copa de 98 entre Brasil e Holanda. Lembro também alguma coisa da outra semifinal entre França e Croácia. Mas Brasil e Holanda tá mais na cabeça porque eu sabia falar os nomes da maioria dos holandeses graças a Ronaldinho Campeonato Brasileiro 98. Graças a esse game eu já sabia que Kluiwert era o cara a ser marcado naquela seleção. De fato ele jogou muito bem aquela partida. Aliás, é impossível esquecê-la devido a piada que fiz (e o Brasil inteiro deve ter feito) sobre Cocu ter batido o pênalti com seu orifício anal. Naquela época eu ainda não sabia quem era Count Dooku, de Star Wars, então eu me achava o piadista. Piada mesmo era acreditar que táticas eram necessárias para vencer um jogo que tem lances desse naipe:

 

 

É dessa época que passei a acompanhar o futebol brasileiro fielmente. Cheguei a assistir Romário em seu fim de carreira (sendo artilheiro do Campeonato Brasileiro andando 50 metros por jogo). É dessa época que me tornei são-paulino. Meu pai era são-paulino mas, como ele morreu quando eu ainda urinava em fraldas de pano, não cheguei a ser influenciado por ele. Por sorte, minha irmã mais velha é são-paulina e me ensinou a gostar do time. Detalhe: minha irmã do meio é palmeirense sem nenhum motivo. Nem ela mesma deve saber o motivo de torcer para o sofrível e fuleiro Guarani de Pompéia.

Comecei a torcer para o São Paulo quando ele estava numa zica desgraçada. Depois da era Telê, o time entrou numa decadência forte. Por exemplo, de 1999 a 2001 era muito mais “fácil” torcer para o Corinthians do que para o São Paulo. E ninguém assistia os jogos comigo. Eu era uma criança que, vendo os outros times bem melhores que o meu, não me influenciei por outros times. Observem que, desde esta época eu já possuía um caráter nunca antes visto ou comentado neste humilde blog. Eu poderia estar matando, roubando, fumando cigarro na padaria, mas não: eu amo esse time. Mas acredito que me tornei são-paulino de verdade na recém-criada Copa Sul-americana. O ano era 2003 e o São Paulo enfrentava o poderosíssimo time do River Plate. Naquela ocasião, mesmo com o time se doando ao máximo, fomos eliminados do torneio. Aquela foi a única vez que chorei por causa de futebol. Jurei que nunca mais faria essa babaquice. Gostar de um time é como gostar de uma marca qualquer. É legal, mas não devemos levar isso à sério. Quando se leva à sério o negócio fica chato.

 

 

Veio o ano de 2004, participação na Libertadores depois de muito tempo, Luís Fabiano jogando muito. O time foi passando, passando até chegarmos na semi-final contra o desconhecido e retranqueiro Once Caldas. O segundo jogo já tinha passado do tempo extra indicado pelo árbitro. Ainda assim, em um lançamento em que o atacante adversário estava impedido, os caras foram lá, fizeram um gol e decretaram nossa eliminação. Lembro que, na hora do lançamento eu, sentado na cama me esforçando pra ver alguma coisa em uma TV de 14 polegadas, gritei “Tá impedido! Tá impedido!”. Mas nem o árbitro e nem o auxiliar me ouviram. Se eu conhecesse o André Henning nessa época teria gritado um “Tão metendo a mão! Não deixa! Não deixa!”. Aquele árbitro merecia apanhar de cinta junto com o Stankovic.

No entanto, no outro ano fomos campeões da Libertadores e do Mundial. No ano seguinte perdemos na final da Libertadores, mas iniciamos a série de três campeonatos brasileiros consecutivos. Foi foda. Aí chegamos até a Sul-americana do ano passado onde finalmente ganhamos alguma coisa. Esse ano espero por mais um título da Libertadores, agora que temos um time bastante competitivo e bem treinado.

 

Mais imagens como essa, por favor.
Mais imagens como essa, por favor.

 

Muita gente acha que, por eu gostar de RPG (games em geral), tecnologia e afins, eu não saiba nada de futebol. Pelo contrário. Eu sou daqueles que sabe quando um volante está jogando muito avançado e desguarnecendo um ataque. Aquele que sabe diferenciar um lateral bom (aquele que chega na linha de fundo para fazer o cruzamento) de um ruim (que cruza a bola da intermediária ou que só toca de lado). Sei explicar todas as regras e entendo relativamente bem de tática. Aliás, essa parada de saber esquemas táticos vem justamente do videogame. É muita coisa de RPG ficar organizando o time de forma certa para enfrentar o adversário. Eu ficava minutos e minutos arrumando a posição em campo de cada jogador. O time que eu sempre escolhia era o Boca Juniors que tinha no ataque Canniggia e Maradona. Meu carrasco sempre era o River Plate de Ortega. Caraca, taí: os anos 90 tiveram a maior quantidade de craques jogando o fino da bola. Quero ver ter alguém que sabe mais de futebol do que eu para dizer que estou falando merda.

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