Sábado, 19 de janeiro de 2013, 4 da tarde. Estava eu além do horário que normalmente dedico a esta nobre rede mundial de computadores. Ultimamente largo vocês mais cedo para estudar. Mas ontem eu precisava fazer uma exceção. Mas 100 mil pessoas estavam comigo nesta mesma hora, no mesmo lugar, no mais novo xodó (oh expressão noventista) da internet: o Mega. Exatamente um ano atrás o FBI fechou o Megaupload, o maior ambiente de compartilhamente de arquivos, conhecimento, cultura e sacanagem explícita já desenvolvido pela humanidade. Pela humanidade não, por Kim Dotcom.

O cara, que um ano atrás foi preso e acusado de putaria, digo, pirataria internética, voltou. Eu não esperava por isso. Eu não esperava que o, na época, líder do ranking mundial de Call of Duty: Modern Warfare 3, esse jogo fuleiro, voltasse das cinzas. Realmente pensava que ele havia se tornado um exemplo para todo o mundo de como esse negócio de compartilhar produtos carregados de direito autoral na internet pode dar merda de uma hora para a outra. Mas este novo episódio na vida de Kim Dotcom (minha próxima missão é ler sua biografia) mostra como alguém que desafiou os poderosos do “mundo real” pode voltar.

 

 

Kim Dotcom é o Napoleão Bonaparte da internet. Foi preso, sumiu e agora está de volta. Só espero que seu novo reinado não dure apenas 100 dias. Não vou entrar aqui em detalhes de como o Megaupload sacaneava fortemente quem produzia conteúdo. Como diz Marco Gomes, não é roubo, não é furto, mas quem pensa assim? Os juízes com certeza não. A indústria fonográfica foi para as cucuias (caramba, de onde eu tirei isso?) com esse negócio de livre compartilhamento. Os superstars passaram a ganhar dinheiro de outra forma por causa dessa nova realidade. Tudo se adapta.

Claro que isso não era culpa só do Megaupload. Outros sites de mesmo esquema continuaram e continuarão fazendo a mesma coisa. Aliás, os torrents, em minha opinião, são bem mais úteis que esses sites. Porém, para os preguiçosos, a volta do Mega é motivo para rojões. E Kim Dotcom, com o futuro Megabox, irá facilitar a divulgação de músicas por parte de cantores e bandas independentes. Chegará para tomar o mercado, uma vez que será um mistura de Spotify com iTunes com preços agressivos: 90% mais barato em relação aos serviços de Apple e Google. Esperemos para ver a reação desses gigantes. O Google, por exemplo, fez pressão em Obama contra SOPA e PIPA. Será que ele não se voltará agora contra a empresa neo-zelandesa?

Ainda na característica da agressividade (coisa que curto muito, por sinal), o próprio Mega vem para esculachar os concorrentes. Serão 50 GB de espaço gratuito. Muito (e bota muito) mais que os concorrentes Drive (do Google), Dropbox e SkyDrive (da Microsoft). Kim Dotcom com certeza deve ter gasto boa parte da fortuna que tinha para reconstruir sua fama. Seus sócios, Mathias Ortmann, Bram van der Kolk e Finn Batato, também devem ter entrado nessa roda. Eles querem tocar o puteiro na internet (no bom sentido, é claro… pera aí… bom sentido?) e com muita força. Será possível comprar espaços de 1, 2 e 4 TB no Mega. Gente, 4 TERABYTES. Pensando como um gamer nostálgico, dá pra colocar todos os jogos de NES, Master System, SNES, Mega Drive, GBA, e o caralho a quatro. Dá pra colocar sua vida aqui dentro. E por um preço irrisório, módico e motivo até de piada: 30 euros por mês. Ahm? Não dá pra colocar tudo? Não quer gastar dinheiro? Crie 10 emails em 10 minutos do Gmail e terá 500 GB aí de lambuja e sem pensar muito. Olha só que foda. E quando o negócio ficar otimizado para acesso via smartphone e tablet, fodeu, já era. Será o dia em que a internet será zerada para uma nova jornada (com muitas emoções).

 

Essa imagem é tipo um Anonymous só que ao contrário. É tudo muito doido quando se fala de Kim Dotcom
Essa imagem é tipo um Anonymous só que ao contrário. É tudo muito doido quando se fala de Kim Dotcom

 

O lançamento do Mega foi na mansão de Dotcom e contou com discurso falando mal do governo americano, encenação de invasão do FBI e aplausos de jornalistas. Aliás, quanto ao título do post, Dotcom pretende dar a volta por cima com a ajuda da Nova Zelândia, que, segundo ele, o ajudará com qualquer coisa em troca de postos de trabalho. Na hora lembrei do post sobre o #FaroestePaulista onde, no final, pesquiso sobre empregos neste país. Ei, Tony Lentino (CEO do Mega), tem uma vaga aí?

É difícil dizer qual será o alcance que isso proporcionará. Será que as pessoas confiarão no Mega? Confiarão numa empresa capitaneada por uma pessoa que já esteve na cadeia? Parece discriminação, mas muita gente pensa assim. E os governos do mundo? Quando fecharão saporra? Realmente não sei. Eu já fiz meu cadastro e, sinceramente, espero que tudo dê certo. Daqui algum tempo penso realmente em dar (mais) dinheiro para Kim Dotcom. Ele merece? Não. Ele se importa com isso? Talvez. Mas toda a internet está feliz? Com certeza.

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