Eu particularmente não gosto de viajar. Devo ser um dos poucos idiotas que pensam assim. Sou amante da frase da Dorothy: “There is no place like home”. Minha casa é o único lugar onde eu domino todas as ações, conheço a ordem das coisas e sei explicar para as pessoas como tudo funciona. Minha casa, emendando aqui com a internet, é meu porto seguro.

Aí no sábado passado fui pra São Paulo. Tinha um concurso pra fazer lá. Por ser o meu primeiro concurso, tenho certeza que fui muito mal. Pra começar, não entendo porque foram apenas 4 questões sobre inglês para um texto de meia página. Também não entendo porque a Cespe UnB tem essa parada de fazer um concurso com 120 questões com somente duas alternativas de resposta: certo ou errado. Essa ideia de dividir a vida em somente duas opções é, no mínimo, idiota. Donde veio esse maniqueísmo? Os caras que inventaram isso devem ser os mesmos que assistem um filme e só os definem como foda ou merda. Esses dias o Affonso Solano tava falando sobre essa falta de meio termo. Num concurso acho sempre legal ter 5 opções de resposta. É mais fácil escolher entre 5 opções do que somente entre duas.

Psicologicamente falando, ter duas opções sempre te deixa propenso a pensar que aquilo tem alguma pegadinha. E quando você tem certeza sobre uma resposta é ainda pior. A sensação de facilidade te deixa desconfortável. Mas isso só acontece quando você está sendo testado. É ao contrário de quando se está fazendo compras. Quanto mais opções, mais difícil escolher algo.

 

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Quanto às questões discursivas, não as achei tão difíceis. A redação era sobre a evolução da opinião pública. Uma das questões era para criar um palno de comunicação simples sobre prevenção de infecções hospitalares e a outra era sobre as vantagens e desvantagens de se usar convites impressos e digitais.

Sobre São Paulo, tava esperando um placa gigante quando eu chegasse. Tipo um “Welcome to fabulous city of São Paulo”. Sacanagem. Mas gostei de passear lá, em especial pela Chinatown. Incrível a quantidade de pessoas amarelas por lá.

Mas sabe o que foi mais foda na viagem? A volta.

Primeiro porque entrou uma garota muito gostosa que estava sentada do outro lado do corredor. Ela não tinha cara de piriguete, estava viajando sozinha, tinha um decote legal e desceu em Epitácio. Claro que eu não a conheço e, se você duvida, basta olhar o primeiro parágrafo. Na verdade tô falando isso para não tomar porrada no Skype daqui a pouco. Tá, chega de brncadeiras.

Peguei chuva em São Paulo desde a hora que cheguei lá. Domingo pela manhã tinha parado, mas, enquanto fazia a prova, a maldita voltou. Tá, não é tão maldita, eu gosto de chuva. O fato é que tava chovendo da partida até a chegada em Epitácio. Como vim de noite e não conheço a estrada, só percebi que estava chegando no Faroeste Paulista devido ao aumento da quantidade de raios. Não ouvi nenhum trovão por mais 600 km. Mas aí, chegando nesse fim de mundo eles começam. Vejam neste mapa que a divisa do Faroeste Paulista com o Mato Grosso do Sul é um local perigoso. Some a isso a péssima infraestrutura de energia. Aqui, basta dar um raio no Baêa que acaba a energia.

Descendo na rodoviária, o mundo simplesmente caiu em Presidente Epitácio. Vocês sabem, vocês conhecem, vocês confiam: TODO DIA TEM UMA MERDA. Esse mantra budista se aplicou às 7h da manhã. Caiu muita água. Tá caindo até agora enquanto escrevo este texto. Mas choveu tanto que A CHUVA ESTAVA ATRAVESSANDO A RODOVIÁRIA DE UM LADO PARA O OUTRO. Vocês imaginam como eu fiquei. Coloquei meu celular em risco para tirar a última foto do slideshow.

Na frente aqui de casa deve ter arrebentado alguns bueiros e tá descendo uma mistura de lama e coliformes fecais que é melhor eu parar minha descrição por aqui. Mas o Faroeste Paulista é isso. Ninguém manda nessa porra. Isso aqui é terra de ninguém. É onde dinheiro que é dado pela CESP para deixar a cidade linda é desviado para o bolso dos governantes.

Fiquei sabendo por fontes confiáveis que Epitácio, na época da construção do lago, recebeu em um ano o que ela demoraria 34 anos para arrecadar. Mas aí o que aconteceu com esse dinheiro? Vocês sabem, né? O Parque Figueiral era pra ser na continuação da orla. Mas aí nego faz lá na PQP. Aí fica difícil.

O Faroeste Paulista, região mais pobre do estado mais rico, é uma mistura de falta de grandes oportunidades com incompetências e desmandos. É um lugar quente e cheio de tempestades. É um lugar que, com um tempo de chuva, as garotas usam botas. Existem agroboys neste lugar. Tudo o que há rústico está aqui. Aqui é terra da brutaria. Quer saber, tô de saco cheio desse lugar. Deve haver algum lugar melhor que a minha atual casa.

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