Tenho dito há muito tempo que os conteúdos que mais ficam presos na nossa mente são aqueles relacionados a sexo e violência. São coisas que, mesmo que você não goste, te prendem na frente do monitor de uma forma que sua mãe pode te chamar pra comer aquela lasanha deliciosa no domingo que você não consegue se levantar da poltrona. É foda. A foda te prende. Uma notícia sobre sadomasoquismo te faz, inclusive, inclinar levemente o corpo para a frente, querendo ler mais rápido (e com medo que alguém chegue para ver).

Veja, por exemplo, a demolição de prédios. Para a destruição de qualquer coisa um monte de gente aparece pra ver. Para a construção, as pessoas passam em frente a obra e nem sequer olham. Agora, quando existe a possibilidade de “dar merda”, a turba fica enlouquecida.

 

Pelo jeito o apocalipse já chegou na Argentina. Olhem os saques. Nunca mais vou poder esquiar em Bariloche.
Pelo jeito o apocalipse já chegou na Argentina. Olhem os saques. Nunca mais vou poder esquiar em Bariloche.

 

Aí chegamos ao fim do mundo. O hype para esse evento não é visto desde 1999. Naquele ano tivemos duas coisas. A primeira era histórica. Temos a expressão (atualmente inválida) “aos mil chegará, dos dois mil não passará”. Esse era bem idiota. Eu ainda não entendia muito bem das paradas, mas sempre achei balela. Naquela época eu pensei: “PQP! Eu ainda não joguei todos os RPGs do Super Nintendo! Puta mundo injusto”.

O outro medo era o do bug do milênio. Eu lia direto a Veja Vida Digital e vários especialistas falavam que os computadores dariam pau, que os sistemas de energia elétrica do mundo dariam pau, que os atores pornôs dariam… então, seria o caos. Todo o mundo como nós conhecemos explodiria. Mas aí o que teve foram uma meia dúzia de computadores com Windows 3.1 que não mudaram a data.

As pessoas não pensam no fim do mundo. As pessoas pensam em como aproveitar o fim do mundo (se fosse com a Alinne Moraes, seria muito bom). A ideia é fazer tudo o que não fizeram até hoje. Não entendo porque as pessoas não fazem o que querem. Pô, liga o foda-se, xinga aquela vizinha evangélica, da o cu, faz o que você quiser. Mas faça isso antes do fim do mundo. Se for no dia, não tem graça. Pra quem que você vai contar essas histórias depois? O legal de fazer coisas doidas é poder contar como você fez tudo aquilo sem que a sociedade te repreendesse com prisão ou com o não recebimento de convites para festas de casamento.

 

Fim do mundo com a Alinne Moraes? Cadê?! Cadê?! Cadê?!
Fim do mundo com a Alinne Moraes? Cadê?! Cadê?! Cadê?!

 

Toda vez que surge uma nova oportunidade do mundo acabar, o mundo vira uma desgraça. Eu viro uma desgraça. Todos os assuntos se viram para isso. Todas as piadas tem a ver com isso. O mundo vira uma desgraça tão ruim que dá até vontade de ligar a TV e assistir o Vídeo Show. A internet fica impraticável. Não seria nada mal mesmo se viesse o fim do mundo. Pensem na quantidade de vezes em que você clicará em “cancelar assinatura” entre hoje e amanhã. Olha só o trabalho.

Desejar o fim do mundo faz parte de querermos nos livrar dos problemas mais banais e idiotas que temos. Sabe aquela dívida da geladeira que não pagamos ou aquela garota branca que não “chegamos” por medo de tomar um fora? Todos esses pequenos problemas são levados em conta quando o fim do mundo chega. E problemas importantes, como a farsa do aquecimento global, são esquecidos. Isso é um problema. Isso é uma desgraça. Até o Jornal Nacional entra vibe de fazer link direto do Japão no melhor estilo “Calma, tá tudo bem agora”. Ê, desgraça de televisão do satanás! 

 

 

Como já disse aqui, meu desejo é que o mundo acabe lentamente. Óbvio que não será hoje. Até poderia começar hoje somente para que o cu das pessoas fechem de tanto medo. Mas eu queria algo mais lento, que gerasse sofrimento. A humanidade tá precisando disso. Qual foi o último sofrimento que tivemos? Segunda Guerra Mundial. Desde os baby boomers que nós estamos só na base da diplomacia, da conversa. Tá faltando mais tapa na cara neste mundo. Quem sabe o apocalipse não traz isso. E tanto faz o motivo. Podem ser terremotos, chuva de meteoros, mudança nos pólos magnéticos, zumbis, alienígenas (contra esses últimos dois estou preparado), máquinas vindas do futuro, whatever. Tá faltando um molejo neste mundo. Quem sabe acaba essa desgraça de um monte de papo furado.

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