Donde vem meu apelido “PD”?

Muitas vezes é difícil entender a origem de uma conversa que é pega pela metade. Você fica meio que boiando até pegar o fim do meada e sacar tudo. Em fóruns, quando um novato pergunta algo nostálgico, todo mundo xinga o cara, manda ele de volta para o buraco de onde veio, etc. É o conceito (corretíssimo) que temos dos noobs. Um bando de idiotas que, se ficassem prestando atenção desde o início, não passariam tal vergonha.

Essa parada de ficar só observando a conversa para pegar as gírias é chamado de LURKAR. Tá querendo se enturmar? Chega lá e fica só observando. Hoje, por exemplo, na BlastCaverna (grupo no FB só para o pessoal do Blast), lurkei uma discussão de 891 comentários. Só depois dei minha contribuição.

 

Lurkar > Stalkear. Ou não
Lurkar > Stalkear. Ou não

 

Já para a vida de uma pessoa, é difícil ficar lurkando. É mais fácil stalkear. Ainda assim, mesmo que existam stalkers no meu tuíter (algo impossível), eles ficariam boiando quando algumas pessoas me chamam de PD. Meu nome é Leandro Freire de Almeida e não tenho nem a letra P nessa bagaça (confesso que conferi duas vezes antes de escrever isso). Então, donde vem saporra?

Ainda lá pelo 5º ou 6º termo da faculdade, eu tinha o costume de fazer PDF de todas as apostilas passadas pelos professores. Era uma forma de economizar para a geral economizar (essa frase ficou horrível). Tem professor que utiliza esses PDFs até hoje nas aulas. Ninguém venho me agradecer até o momento, deixo registrado.

Só que teve uma vez em que o professor só passou duas folhas para umas cinco pessoas da sala. Aí eu falei: “Relaxa pessoal, amanhã eu faço o PDF e mando procêis”. Beleza. Só que, no outro dia, resolvi fazer um negócio diferente. Em vez de simplesmente digitalizar o material, eu digitei tudo e coloquei alguns easter-eggs no conteúdo. Tinha uma parte que citava Collor e aí eu coloquei os dois “L” em em verde e amarelo. Tiveram outras coisinhas também, que nem lembro direito. O principal foi que, em cima, coloquei assim:

Edição e revisão: Leandro PDFreire de Almeida”

Pronto, a partir dali os mais chegados passaram a me chamar apenas de PD, uma forma carinhosa (ou muito filho-da-puta, como queiram) de me caracterizar diante de algo que eu fazia muito naquela época: PDFs. Em especial, devo a Giovana por este apelido ter pegado inclusive para pessoas que nunca receberam um email meu com link para download no Dropbox.

 

PDFCreator, o programa preferido do PD
PDFCreator, o programa preferido do PD

 

Aliás, fiz muitos PDFs ao longo de vários anos da faculdade. Eu sempre pegava as apostilas de quem não gostava de estudar em frente ao computador, digitalizava e compartilhava com o pessoal da sala. Se eu tivesse cobrado por esse serviço teria juntado riquezas para sete vidas de luxúria. Só que não. Pensando bem, nem economizar eu economizei, uma vez que digitalizar gasta muita energia e causa um stress danado. Ainda mais para um vagabundo como eu era. Um abraço do PD.

Review: Stealth Bastard

Quem não gosta de lasers? Quem não gosta de enganar robôs de vigilância superinteligentes? Quem não gosta de ninjas? Quem não gosta de sangue?

Há um tempão atrás, quando eu ainda estava com meu outro microcomputador, encontrei pelas interwebs um joguinho indie e gratuito chamado Stealth Bastard. A temática parecia bem legal: era um daqueles games de fases curtas, mas com uma pegada de dificuldade um pouco maior e com stealth. E eu adoro stealth. Só de pensar em entrar em lugares sem que ninguém me veja… putz, isso é muito foda. Eu sou daqueles que chego em casa sem fazer barulho, dou a volta na residência, entro no quarto, troco de roupa e, quando minha mãe vai ver, eu já estou sentado no sofá. Acho isso o máximo. E babaca também, mas fazer o quê, né?

Stealth Bastard também traz todo aquele senso de urgência comum nos jogos de hoje. O objetivo não é fazer melhor. O objetivo é fazer o mais rápido possível. Eu, que gosto de estudar os padrões de movimento dos robôs e das plataformas, muitas vezes não dou muito bem. Seria mais interessante se o jogo tivesse, além do número de mortes (que indica sua eficiência), a quantidade de vezes em que um alarme foi disparado ou quantas vezes você foi visto pelos robôs. Isso daria mais “stealth” e menos “bastard” (seja lá qual for o sentido que se dá para isso) ao jogo. E o jogo ainda traz aqueles óculos verdes estilosos de espião que só o Sam Fisher tem. 

 

"You gonna die, Charlie"
“You gonna die, Charlie”

 

A campanha é fácil. O primeiro nível é praticamente apenas de tutorial. Aliás, tutorial é algo um tanto quanto besta neste jogo. Além das setas direcionais, só se usa a tecla Z para pular e ficar pendurado nas plataformas. E o botão CIMA também é usado para interagir com os computadores. Os outros quatro níveis vão ficando cada vez mais interessantes. Destaque para uma das fases em que se exige manipular as cores para abrir passagens específicas. Muito bem bolado. As últimas fases nem são tão difíceis assim. Mesmo curtíssimas, as fases possuem savepoints, o que facilita bastante para os impacientes ou que não gostam de tanto desafio.

Mas Stealth Bastard brilha nas fases criadas pelos usuários. Enquanto que a campanha pode ser finalizada em menos de uma hora, os mais de 1200 levels criados pelos fãs irão te entreter por muito tempo. Neles é possível encontrar desde fases curtas e fáceis até fases com níveis de dificuldade absurdos, com puzzles que te confundirão. É quase um Kaizo Mario da espionagem. Não, é menos. Mas é bem difícil. Já o mais legal nisso aí é realmente tentar fazer o menor tempo e alcançar o topo do ranking. Ás vezes eu não erro um passo e, ainda assim, não fico com o menor tempo. Maldito lag.

 

É muito difícil ficar em primeiro no ranking mundial
É muito difícil ficar em primeiro no ranking mundial

 

Ainda estou na espera de um jogo que misture o Stealth Bastard com o Ultimate Assassin, outro jogo indie (só que em Flash) que eu gosto bastante. O que eu mais procuro em jogos stealth é o sofrimento que, após minutos e minutos para passar por uma simples parte é recompesado com uma descarga de energia interna que só traz felicidade.

Agora chega de jogar Stealth Bastard que eu preciso voltar minhas atenções para a legislação do mercado de petróleo, gás natural e biocombustíveis. Um abraço.

Review: Protocolo Bluehand: Zumbis

Ô, final do mundo chegou! Em casa é que eu vou ficar! Tem zumbis na rua que vão me devorar! 

Putz, eu tinha que começar o review de PBHz falando e cantando merda. Aliás, nos últimos dias eu venho fazendo várias paródias mentais. Tá foda. É um péssimo costume que eu não consigo perder. De fato, galhofagem por galhofagem, a série Protocolo Bluehand é bem maior do que qualquer coisa que já escrevi neste humilde blog.

Ao falar de zumbis, Alexandre Ottoni, Deive Pazos e o enigmático Abu Fobiya, o pai do medo, conseguem ser ainda mais brincalhões e “filme B style” do que em Protocolo Bluehand: Alienígenas. Obviamente que o estilão trash só é presente na linguagem (que mistura coisas sérias e até mesmo úteis com muita besteira), pois o cuidado técnico de ilustração, edição e diagramação é imprecável. Neste sentido, PBHz consegue ser ainda melhor que PBHa.

Tem que carregar junto com o Protocolo Bluehand: Alienígenas. Ou seja, mais peso na mochila
Tem que carregar junto com o Protocolo Bluehand: Alienígenas. Ou seja, mais peso na mochila

Os relatos fantasiosos e cheios de easter eggs de John Doe, do egípcio Tuk Ahn e do renomado psicólogo Frederick K. tornam PBHz um festival de referências para quem é fã do Jovem Nerd. Tudo de forma a avisar sobre os tempos vindouros onde, em meio a chuva de pica, deveremos pegar a menor e sentar. Confesso que, enquanto esperava a chegada do livro, eu só pensava nestes momentos de risada. Esses momentos que, se você contar pra alguém que não ouve o Nerdcast, eles ficarão boiando.

Ainda assim, muitas informações são passadas no livro. Em nenhum momento eu consegui comparar os protocolos com “O Guia de Sobrevivência aos Zumbis” de Max Brooks. Houve um cuidado especial do livro em não se concentrar em como matar um zumbi ou qual a arma necessária. Ficou muito bem explicado que matar um zumbi não é uma coisa fácil. Não podemos ser o exército de um homem só. Tomou-se muito cuidado em explicar, principalmente, o abalo que a sociedade sofrerá quando o apocalipse zumbi chegar.

Destaque para os infográficos, algo que senti falta em PBHa. Muito bem explicados e ilustrados, eles explicam bem como sobreviver, onde se refugiar (estou procurando uma fazenda agora mesmo) e, principalmente, onde não ir. Outras informações, como, por exemplo, a montagem de uma pequena rede elétrica, como tomar banho e lavar roupas sem água e até mesmo como se tornar um ermitão, são úteis para qualquer situação extrema que podemos passar. Não é só contra o T. zombi que devemos nos preparar.

Goste ou não, The Walking Dead revolucionou os quadrinhos, a TV e os games
Goste ou não, The Walking Dead revolucionou os quadrinhos, a TV e os games

Os últimos capítulos do livro mostram até onde a cabeça de um nerd pode chegar ao dissecar um tema. “Zumbis Juridicus” (um capítulo provavelmente pensado por Azaghâl) e seu estilo politicamente incorreto nos mostra como a sociedade é idiota. As expressões que não devemos usar são simplesmente sensacionais. “Vida Prática” me ensinou muitas coisas e arrancou risadas sobre zumbifilia. Por fim, o epílogo só pode ter sido a quatro mãos. Ninguém consegue escrever aquilo sozinho… e sóbrio.

PBHz atinge o objetivo que PBHa chegou bem perto: tornar-se, essencialmente, um livro de humor. A leitura é extremamente rápida (levei umas 12 horas parando para as necessidades fisiológicas onde me higienizei após “passar o fax”) e prazerosa. Em nenhum momento passa pela cabeça: “Vou parar aqui. Amanhã eu continuo”. Tudo o que senti falta em PBHa está aqui: mais fantasia e menos coisas sérias (se é que isso é possível, sei lá). É um livro absoluto maravilhoso.

Fica meu desejo para que, no final do ano que vem, saia um Protocolo Bluehand: Máquinas (ou Robôs, whatever), onde pudéssemos aprender sobre os perigos que as máquinas vindas do futuro podem trazer, como combatê-las, como identificar se a sua máquina está se virando contra você e outras coisas que somente a cabeça de três nerds podem imaginar. Se a capa de PBHa trazia o sangue verde alienígena e PBHz a mordida de um zumbi, PBHm poderia ter uma faixa queimada por raio laser. Ia ser foda.

Segue meu código de reconhecimento na Rede Bluehand:

PBHaz+5518?1632838997