Quando se faz uma faculdade, alguns rituais de passagem são obrigatórios.  Por exemplo, a primeira prova em que você se dá mal e fica com medo, o primeiro exame, a primeira DP (ui!), o primeiro trabalho em grupo em que ninguém faz porra nenhuma e por aí vai a quantidade de primeiras vezes de coisas que são comuns. Tem também a primeira vez em que você aperta o botão do fuck the police e se ferra pra valer nas provas. No entanto, ao lado da obrigatoriedade do TCC, existe algo que é mais curto e indolor (chega de insinuações sexuais): o ENADE.

O substituto do Provão é aquela prova que você não quer fazer, não tem tempo pra isso e, pra falar a verdade, tá pouco se fodendo pro resultado. O ENADE cai justo naquela época em que você tá terminando o TCC e que não quer ver nada relacionado à faculdade por perto. Agora imagina isso nas sacras vinte e quatro horas dominicais? Putz, teve bróder meu que chegou com pulseira da B-A-L-A-D-A, outra que esquece a identidade, mas não a carteirinha da faculdade (loucura dá nisso).

 

“Fichamento, terror na banca, norma da ABNT… e ENADE!” WTF!?

 

E graças à ideia da faculdade de distribuir camisetas para os alunos (eu prefiria um iPad para o melhor colocado por motivos de: meritocracia), o Campus I da Unoeste de Presidente Prudente estava parecendo o Stamford Bridge: todo mundo de azul.

 

GO GO BLUES!

 

Bom, vamos falar da prova. Achei as que as questões de ~realidade socio-econômica-política-brasileira-whatever~ estavam mais difíceis do que as questões de conteúdo específico. Não que eu seja um cara mal informado, mas, sei lá, as questões estavam um tanto quanto elevadas. O que é bom. Melhor uma prova assim do que a facilidade que foi o ENADE de 2009, que fiz quando estava no primeiro ano do curso.

Achei o conteúdo da prova específica bastante má distribuída. É legal dar uma ênfase em jornalismo online/digital/chame-do-que-quiser, mas fazer com que uns 70% seja sobre isso já é pegar pesado demais. Aliás, os 30% restantes foram sobre teorias da comunicação, o que deixa a prova muito lenta. E sem graça, eu acrescentaria se alguma prova tivesse que ter graça. Pra quem estava fazendo TCC sobre jornalismo online, a prova até que foi sussa.

Caiu Castells, escola de Frankfurt (me diz aí uma prova de jornalismo que não cai Adorno e Horkheimer) e McLuhan. Sério, McLuhan é um dos autores que sustentam a comparação que fiz no meu TCC. Quando vi que um das questões discursivas falava sobre a “Galáxia de Gutenberg” abri um sorriso do tamanho da Copa (imagina a festa!). Falei: #SiDeiBem! Tinha que comparar com o termo “Galáxia da Internet”, aí joguei lá sobre como a ~revolução da internet~ é muito maior que a revolução causada pelo impresso, uma vez que ela gera, nas gerações atuais, sentimentos de compartilhamento, divisão e senso de comunidade nunca antes vistos. Sentimentos antigos, como a da automatização da pesquisa científica e a padronização cultural estão muito mais fortes também. E fenômenos novos como o do “ateísmo de quarto”. Afinal, quantos ateístas você conhece na internet? E, puta merda, consegui usar a expressão “tirania do visual” numa prova. Só isso já valeu. Pena que eu nunca li “A Galáxia da Internet” de Castells. Aliás, recomendadíssima a leitura de “A Galáxia de Gutenberg”.

 

Apenasmente McLuhan

 

No entanto, apesar do alto nível da prova, alguns deslizes ocorreram. Deslizes nada. O nome correto são questões mal intencionadas. Eram três. Uma delas eu fiz um esforço mental gigantesco pra lembrar, mas não consegui. Tinha uma questão sobre WikiLeaks que nos forçava a dar como resposta certa que o principal questão levantada nesse processo era a “ilegalidade da obtenção dos documentos” quando, na real, o problema foi o “desconforto gerado entre os governantes”. Tanto que isso foi refletido nas negociações bilaterais e até mesmo nas multilaterais.

Mas a questão mais tensa era uma discursiva sobre a “democratização da comunicação”. Sério. Qual foi o petista que formulou esta questão idiota? Obviamente que meti o pau com gosto nesta questão (e eu tinha jurado que não usaria mais insinuações). Falei que isso era estratégia do governo de manipulação dos veículos de massa e que os conceitos das propostas são vagos. Só faltou eu falar de mídia golpista, PIG e que o choro é livre. Aliás, usar O CHORO É LIVRE seria a parte mais foda do ENADE. Mas faltou mana e eu não consegui usá-la.

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