Quando eu era criança (o que não faz tanto tempo assim fisicamente falando; mentalmente então…) costumava acompanhar as novelas da 7 da Globo sentado no chão do quarto, jantando e deixando cair comida no chão LIKE A MONGOL PEQUENO (rá! Não era, não sou e nunca vou ser gigante!). Então, desde essa época sei reconhecer a maioria dos atores da emissora pelo nome, pela novela que participaram e pelo nome do personagem (se pá até os bordões eu lembro). Isso fez com que eu possuísse um conhecimento inútil acerca de um produto cultural inútil.

No entanto, pense na molecada que está com 12, 13 anos hoje e que, graças à internet (a ~perigosa rede mundial de computadores~) , não precisam assistir belas porcarias como Kubanacan. Pelo contrário, esse povo não faz a mínima ideia do que seja o conceito de ibope (seja o número de televisores ligados num canal ou a empresa). Quer dizer, eles até sabem o que é, mas tão pouco se fodendo pra isso. O que interessa é a quantidade de views e likes que um vídeo pode receber.

Essa geração está aprendendo a acompanhar todas as noites (e madrugadas) livestreams de seus principais ídolos, em especial do Youtube de games. Seja no próprio site de vídeos do Google (oh! LIKE A JOURNALIST now!) ou então por meio de outros sites como o Twitch.tv, esse pessoal já se acostumou com programações ao vivo com hora marcada, participantes que eles conhecem, perguntas e respostas dos inscritos e muita bagunça típica do Youtube brasileiro. Afinal, para quê assistir o Jornal Nacional e a novela que se segue quando se pode disputar uma partida de Call of Duty com seu youtube favorito ao vivo, com ele comentando para milhares de pessoas?

 

Live do VenomExtreme: só falta o Epic Sax Guy

 

Aí eu penso o seguinte: e quando essa galerinha fizer parte com força (ui!) da população economicamente ativa? Se as TVs ainda ocupam espaço em Twitter e Facebook, daqui algum tempo isso passará a ser exceção. Imagine então quando o Youtube estiver cada vez mais presente nas TVs da sala, nos PlayStations e Xboxis (LIKE A MUSSUM). A primeira revolução videogamística foi a saída do console do quarto para a sala. A segunda será quando toda essa geração passar a pouco de foder pra TV e só ficar ligado no Youtube.

No entanto, algumas coisas ainda impedem o aperfeiçoamento da prática de livestreams por aqui. A internet é a principal delas. Como este serviço é uma bosta no Brasil, as transmissões ao vivo ficam lagadas ou travando a todo momento. Peraí, a maioria dos serviços no Brasil é uma bosta, o que significa que estamos no padrão merda de qualidade. Outra coisa é o formato dessas livestreams. Normalmente são apenas dois formatos: a jogatina ou as conversas no Skype. Pouco de vê de entrevistas mais sérias ou então discussões a respeito de temas importantes para a comunidade gamer. Imagina que foda seria se essas livestreams se transformassem em um tipo novo de podcast? Ia ser foda.

 

Quem não gosta do PoligoPapo? Quem não conhece, obviamente

 

As livestreams estão criando novos ídolos da internet. Se antes o youtuber de games (quando que esse povo vai passar a se chamar de “videomaker”?) era desconhecido, ligado apenas aos comentários e aos gameplays, agora ele está ligado muito mais à sua própria imagem. Isso é muito importante também para facilitar a divulgação do canal de forma a aumentar a publicidade. Afinal, é meio complicado conseguir uma parceria quando nem se sabe com quem se está falando. Ainda mais no Brasil, onde, infelizmente, certos estilos de vida ainda são vistos com maus olhos. Aqui ainda tem essa parada de aversão à adereços, tatuagens, roupas e tals, como se isso influenciasse de alguma forma o desempenho profissional de alguém.

Apesar de todas essas vantagens, eu particularmente não gosto tanto de livestreams. Primeiro porque, como expliquei, minha internet é um lixo. Segundo porque eu gosto e valorizo a trabalho de edição de qualquer produto. Às vezes fico mais atento em como fizeram aquilo do que no gameplay ou comentário. Então, acabo nao achando tanta graça em livestreams, onde, muitas vezes, falta ritmo. Acho que fiquei velho demais pra isso.

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