Tava reparando por aqui como os conceitos de sensual e sexual vem perigosamente (ou não) se mesclando. Já pararam pra pensar quantas vezes um ensaio nu ou mesmo um conteúdo qualquer do Xvideos pouco tem de sensual? A maior parte disso está ligado à sexualidade, ou seja, ao mostrar (kibei do dicionário aqui), os caracteres que tornam o ser humano feminino ou masculino de forma pura e simples, sem conteúdo. Ou seja, é um festival de champolas e pirocas sem significado algum. É a (apenas gamers pegaram essa referência) Calófidutização das relações sexuais.

Xeu explicar melhor enquanto tomo um café quente. A sexualidade, pelo menos a que vemos atualmente, nada mais é do que a exibição dos órgãos sexuais, seja eles em contato ou não. O que eu sinto falta atualmente é da sensualidade, do (kibei novamente o dicionário aqui, me odeiem) prazer pelos sentidos. Ou seja, a luxúria, a lascívia, o despudor, a volúpia, a concupiscência que Santo Agostinho e São Tomás de Aquino repudiaram ao definir o desejo humano por bens materiais relacionados ao pecado original. Ok, acho que fui longe demais pra explicar isso, mas ficou inteligível.

De fato, a maior desejo que existe, pelo menos nesse ramo, são aqueles ligados à beleza e, consequentemente, ao sexo. Veja bem, as mulheres querem ter “os seios igual a da Fulana”, “a bunda se Siclana” e por aí vai. Já os homens desejam possuir esses pedaços de carne como se fossem de forma separada do resto do corpo. “Nossa, se essa garota tivesse a bunda daquela ali ela seria perfeita”. O que se busca então é o self-service sexual: passe na fila, pegue seus adjetivos corporais prediletos e monte ao seu gosto.

 

“E nesse açougue de mulher, o que não falta é filé” (Os Seminovos)

 

Ao conseguirmos falar abertamente sobre sexo nas últimas décadas, o fator sensualidade acabou indo pro saco (sim, isso foi um trocadilho). Eu estava pensando nisso desde a morte da Sylvia Kristel que, apesar de fazer um seriado em que rolava muito sexo, tinha uma carga dramática (ainda que rasa) bastante sensual. Emmanuele conseguia atrair pela sacanagem e pelo ambiente criado ao redor do ato sexual.

A partir do momento que ser sexy passou a ser relacionado mais ao tamanho do decote do que ao olhar misterioso, muito se perdeu. Garotas lindas de olhares profundos perderam espaço para as garotas fitness. Talvez muitas adaptaram-se nesse processo, o que fez com que suas jogadas de cabelo, forma de sentar e de cruzar as pernas fosse substituído pelo sideboob, pela calcinha à mostra e por outros momentos registrados pelos paparazzi.

 

O que é mais “sexy”? O que deixa mostrar ou o que dá a entender?

 

É essa supervalorização do sexo que existe que gera excessos na balança. De um lado temos aqueles que são a favor do “pelado, pelado (complete o resto aqui)”, aqueles que julgam que todos devem fazer sexo com todos, sem se importar muito com as consequências, com o dia seguinte (não a pílula) ou com as travas sociais existentes. É o sexo fast-food, delivery, o sexo miojo. Já outro grupo resolveu “escolher esperar”. É um pessoal que, supervalorizando o sexo de forma semelhante ao grupo anterior, resolveu santificá-lo, colocá-lo em um altar, adorando-o como se fosse deus-pai-todo-poderoso-criador-do-céu-e-da-terra. A relação sexual se torna tão importante que é preciso pensar muito, mas muito bem com quem vai fazer… aquilo que não podemos falar.

Esse povo todo esqueceu que algo muito mais sutil e importante, que é a sensualidade, muitas vezes já está presente nas relações, mas de forma oculta e escorrendo pelos cantos (parecendo… deixa quieto). Uma mão que aperta um lugar sensível (que não seja, necessariamente, um órgão sexual), uma carícia, um abraço, etc. Estamos pensando muito no tijolo e na cimento e nos esquecendo da decoração, do acabamento. Ver uma casa se construindo é até legal, mas ter prazer com a decoração, com os móveis e com os pequenos detalhes é melhor ainda.

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