Quando comecei a ler As Crônicas de Gelo e Fogo eu estava esperando um épico. Mas, chegando ao terceiro livro, percebo que a série está longe de ser um épico. E isso não é uma característica ruim. Muito pelo contrário. A Tormenta de Espadas é o livro mais tarantinesco que já li. Explico: você nunca sabe quais serão os próximos passos que cada personagem tomará. Exceto por uma ou outra atitude, como, por exemplo, as de Jon Snow e Daenerys Targaryen (as mais “épicas” das crônicas), você nada por um mar desconhecido de pretensões, conspirações, reviravoltas e muitos, mas muitos assassinatos. Bom, acho desnecessário colocar isso, mas vai lá: tem muitos spoilers aqui. Ponha sua conta em risco.

Diferente de A Guerra dos Tronos com seu ritmo acelerado e A Fúria dos Reis com sua vagareza, A Tormenta de Espadas traz de tudo um pouco. Até o meio do livro tudo parece em câmera lenta, com muitas daquelas letras em itálico que mostram o pensamento do personagem. Tudo muda após o Casamento Vermelho, onde Robb, Catelyn e todo o exército do Rei do Norte e Rei no Tridente são postos na espada. Nada sobra. E a cena é linda, com o tambor de fundo incessante. Enquanto eu lia, conseguia imaginar o som. Imaginar uma trilha sonora para uma cena do livro é algo que nunca tinha acontecido comigo. O desespero de Catelyn é angustiante e realmente sentimos pena dela quando a merda acontece.

Catelyn se tornou uma amargura só e pensa que entrou na “idade do me processa”

O livro poderia ser dividido em dois volumes tranquilamente, o que facilitaria bastante a leitura. O Casamento Vermelho é um belo de um divisor de águas e facilitaria minha vida pra caramba. Gosto de ler deitado no sofá e os 10kg dessa edição de 880 páginas não ajudam. É melhor não pensar na quantidade de páginas dos próximos dois livros para não desanimar. Mas falemos dos personagens.

A melhor adição do livro é, sem sombra de dúvidas, Jaime Lannister. Sua aventura para chegar a Porto Real mostra como um acidente pode mudar a vida das pessoas. Ao menos até o fim deste livro, Jaime perde todo o seu brio e sua prepotência ao encontrar uma mulher que se iguala a ele no combate físico e, principalmente, ao perder sua mão direita, a mão que o tornou famoso por matar o Rei Aerys. Sério, é triste ver um cara definhar do jeito que foi.

Desde o segundo livro que eu torcia para que Catelyn Stark morresse. Eu já tava de saco cheio da amargura dela. Achei que seu final foi digno e, das mortes de “personagens reais”, a mais foderosa. Após matar um dos netos de Walder Frey, um cara pega ela pelos cabelos. Sua força se perde de tanto arrebentarem ela e, a única coisa que ela pede (e em pensamento) é que não cortem o cabelo, pois Ned não gostaria. Em seguida cortam sua garganta. Pra mim é, disparada, a melhor cena da história até o momento. E o legal é que são umas duas páginas apenas de confusão. Nisso que eu li que iriam matar o Rei Robb mesmo comecei a falar “QISSS” a todo o momento. Tava parencendo o Guizo com a baba escorrendo.

É muito interessante observar como a família Stark tem tipo um pacto com a eternidade. Bran e Rickon morrem e voltam. Catelyn a mesma coisa. A mãe da família provavelmente foi ressuscitada graças a Thoros de Myr, mas não dá pra entender porque ela iria querer voltar. Segundo ela pensa, todos os seus filhos estão mortos. No máximo ela ficou sabendo pelo grupo de Beric Dondarrion que Arya está viva, mas e daí? Espero que a volta dela tenha uma justificativa bem plausível.

Quero ver uma luta entre Beric Dondarrion e Barristan, o Ousado

Vamos ao que eu chemei de épico no começo do texto. Jon Snow foge dos selvagens e comanda a defesa da Muralha (uma das partes que gostei mais). Depois Stannis chega e lhe oferece Winterfell. Aparentemente essa recusa é explicada no começo de O Festim dos Corvos. Saberemos qual será a punição de Snow ou se ele aceitará Winterfell de lambuja. E a Daenerys? Dany consegue seu exército de escravos e, sua andanças libertando cidade por cidade me lembra muito as peregrinações cristãs, tipo as Cruzadas. Outra coisa interessante são as 3 traições que ela sofrerá. Será que realmente a “traição” de Jorah Mormont foi uma traição por amor? Difícil saber. Certamente a por ouro será a do Magíster Illyrio. Os capítulos de Daenerys, por ela estar longe de Westeros, parecem ser uma história a parte. E os dragões vão demorar pra começar a foder todo mundo…

Quanto a Davos e Sam, não tenho muito a dizer. Eu considero os capítulos deles algo como pontes para que possamos curtir os outros personagens mais importantes, como por exemplo, Tyrion Lannister. Como sempre, os diálogos dele com qualquer pessoa são insuperáveis. O que achei meio chato foi a saída de seu principal acompanhante de conversas afiadas: o mercenário Bronn. Apesar de, na sua última conversa com o irmão (o melhor diálogo do livro, entre o Maneta e o Narigueta), ficar explícito que ele conta que matou Joffrey só pra “pagar de matador”, vemos que ele também se “ressuscita” ao matar o poderoso Tywin Lannister. Dúvidas (ao menos para mim): Tywin morreu mesmo? Tyrion conseguirá fugir de Porto Real? Além disso, fico pensando se ele terá alguma utilidade na história a partir de agora. Afinal, ele já conseguiu o que queria: a Casa Martell vai ficar puta da vida após a morte da Víbora Vermelha.

E falemos agora de Mindinho. Conhecemos mais sobre sua origem e como ele possui uma “carreira meteórica” em Westeros (trocadilhos com o cometa vermelho mode off). O cara agora possui Harrenhal (se bem que ninguém e todo mundo possui Harrenhal) e o Ninho da Águia. Aliás, Sansa Stark com seus capítulos chatos teve um fechamento sensacional. A gritaria que aconteceu na beira de um precipício foi espetacular. Não sei o que vai acontecer com Sansa, mas acho que Petyr casa-se com ela e pega o que restou da Winterfell para ele. Chuto Petyr Baelish como o próximo rei de Westeros.

Mindinho > Petyr Baelish, o mestre das moedas > Lorde Petyr Baelish > Rei Petyr (?)

Uma característica principal desse livro são as fugas, Perceba que todos os personagens estão fugindo. Seja a “fuga” de Jaime de Correrio, a fuga eterna de Arya (que está fugindo há umas 1500 páginas), a fuga dos pesadelos de Catelyn, a demorada fuga de Sansa, a fuga dos poderes de Tyrion, a fuga gelada de Jon, etc. Nessa altura da história, todos já perderam alguma coisa e não se sabe realmente quem são os inimigos. Ninguém possui mais honra ou mesmo paciência para a vingança.

Fechando esse review, fiquei pensando se A Tormenta de Espadas é o melhor livro que já li em minha vida. Pra mim, ele está no mesmo patamar de A Sociedade do Anel. Claro que não dá pra comparar uma obra com a outra. Enquanto uma é fantasia, a outra é muito mais política. Tô com muita vontade de saber o que vai acontecer com Jon Snow, Petyr Baelish, Tyrion e até mesmo Arya. A obra me enfeitiçou de tal forma que estou ansioso para começar O Festim dos Corvos. Mas preciso dar um tempo para começar, preciso descansar a cabeça. Deixa ver… vou começar nesta quarta-feira e…

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