Quando se é adolescente, você se empolga com qualquer merda que seja transgressiva/agressiva/pseudo-foda. É nessa época que muitos podem se interessar por drogas, outros por anfetaminas (que éééé… também são drogas), ou então paradas esotéricas (ou exotéricas). Lembro que, quando tava no primeiro ano da faculdade, li um livro que era um resumo de A Doutrina Secreta. Se você clicar no link que eu coloquei aqui, vai ver que este livro é, possivelmente, o mais noiado da história. Madame Blavatsky (que, apesar do nome, não era dono de puteiro), viajou para Shangri-La e nos mandou 10 mil páginas de loucuras que ousou chamar de filosofia, história e religião. Li isso com 17 anos mas acho que nem com 87 eu entenderia alguma coisa. Um dado curioso é que o resultado da primeira busca por Shangri-La no Google é um hotel do Rio do Janeiro. Mais um ponto a favor da loucura.

Quando eu tava lá pela oitava série conheci um livro perdido em uma das (poucas) estantes da biblioteca lá do 18 de Junho, escola onde estudei da quinta série até o terceiro colegial (ou Ensino Médio, como dizem). O livro estava escondido ao lado de publicações de maior porte físico e só foi encontrado porque eu não me interessava pelos títulos dos outros livros que povoavam a estante. Naquela época eu tinha acabado de ler História Sem Fim, que é um livro tão cheio de drogas quanto Alice no País das Maravilhas. Mas essa é uma outra história que deverá ser contada em outra ocasião. O livro que encontrei perdido era O Hobbit.

 

Esta sim é uma verdadeira sociedade. Os caras se juntam pra ir buscar ouro.

 

O Hobbit me chamou atenção por causa do nome. Naquela época eu não fazia a mais puta ideia do que era O Senhor dos Anéis, apesar dos filmes que já existiam. Eu não era ligado em filmes (e continuo não sendo, apesar de já ter assistido uma caralhada). Não vou falar aqui como o livro é bom, pois isso todo mundo já sabe. É uma obra fantástica e quem nunca leu tem que ir pro inferno.

Uma coisa que me atraiu logo de cara foi o alfabeto presente no começo do livro (e acho que no final também), onde uma frase importante (que não me lembro qual) era escrita nisso. E logo embaixo vinha a tradução. Eu e meu amigo Diego, que leu o livro na mesma época, ficamos malucos com essa porra desse alfabeto e começamos a pesquisar sobre o que seria aquilo. Foi aí que chegamos nas runas. Nos dias seguintes o Diego encontrou na internet o alfabeto completo, bem como alguns símbolos adicionais que tinham significados próprios.

Pronto, foram vários dias escrevendo nesse alfabeto. Como coisa que não presta aprendemos mais rápido, em dois dias eu estava escrevendo na mesma velocidade em que copiava a matéria de Geografia. Tá bom, exagerei, mas eu conseguia ler e escrever muito bem. Meu inglês era nulo nessa época (eu acho que é até hoje), mas o rúnico estava fresco no cérebro. O legal do alfabeto rúnico é que ele trazia muitos símbolos que eram muito semelhantes ao alfabeto latino, o que, de certa forma, facilitava as coisas. Uma coisa que não entendi anos depois é que, sendo as histórias da Terra Média baseadas na mitologia nórdica, como que o alfabeto tinha origem latina? Viva a globalização.

 

Não é tão difícil quanto parece

 

Incrível como quando a gente é criança/adolescente temos uma maior capacidade de aprender as coisas. Se fosse para decorar fórmulas matemáticas eu não teria aprendido tão rápido. E o desejo de possuir uma linguagem própria, que ninguém entende é muito fascinante. Os “trouxas” podiam pegar a papel, virar e revirar, mas não entenderiam nada.

E olhando na Wikipedia, vejo que o alfabeto rúnico já foi usado no misticismo germânico (?), na SS alemã, a organização militar do III Reich que mais cometeu crimes contra a humanidade (depois do Marines… ou não) e no neopaganismo (?). Vejo que saiu daqui a minha vontade de ler A Doutrina Secreta. Apesar disso não me tornei esotérico, ufólatra e muito menos usuário de drogas. Chupa, Record!

2 thoughts on “E daí que você sabe português? Eu sabia a linguagem rúnica

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