Uma das minhas revistas preferidas de todos os tempos (adoro usar a expressão “todos os tempos”; ela cria um aura inexistente) é a EGM. Hoje (hoje?) ela se tornou a EGW. Lembro que seu layout era foda para a época. O conteúdo era insuperável num período pré-explosão da internet no Brasil. Quem nunca curtiu a coluna do Quartermann com suas previsões mirabolantes sobre o futuro da indústria? Ou então as brincadeiras de primeiro de abril em que lojistas colocavam em pré-venda jogos inexistentes? Ou então a vez em que Eric Araki deu nota 5 (justa) para FF X-II?

Puxa, Eric Araki merece um parágrafo à parte. Ele era um redatores que davam as notas mais baixas. O “Hércules Chinês” era atacado em todas as edições por causa de suas notas. Suas notas eram baseadas na evolução do jogo e no que ele trouxe de novo. Por isso ele criticava, desde de 2004, 2005, o marasmo da indústria de games. O caso da nota 5 para FF X-II foi emblemático, onde ele chegou a ser chamado de “cérebro de Chocobo” e teve uma página inteira de perguntas e respostas de fãs de FF. Aí eu fui procurar em que lugar eu poderia encontrar Eric Araki na internet e o primeiro link que encontro é um link para uma thread do Fórum do UOL Jogos em que o assunto é “Que fim levou Eric Araki?”. Acho que não preciso continuar minha busca. Procurei por perfil dele no Twitter por 10 segundos e não encontrei. Logo, ele está MUITO sumido.

Voltando ao assunto, peguei hoje a revista número 41 nas mãos. É a edição do mês de julho de 2004. A capa traz o seguinte assunto: “Vai pegar fogo! PS3, Xbox 360, Revolution. Qual é o melhor? Respostas a partir da página 50”. Só para começar, nessa época o Wii ainda tinha o codinome Revolution, então vocês já imaginam quanto tempo faz.

Este post é um oferecimento de Michael Pachter


Voltando ao assunto, peguei hoje a revista número 41 nas mãos. É a edição do mês de julho de 2004. A capa traz o seguinte assunto: “Vai pegar fogo! PS3, Xbox 360, Revolution. Qual é o melhor? Respostas a partir da página 50”. Só para começar, nessa época o Wii ainda tinha o codinome Revolution, então vocês já imaginam quanto tempo faz.

Logo de cara, a matéria abre com Reggie Fils-Aime, o chutador de bundas da Nintendo, criticando a estratégia da Sony de colocar um leitor de Blu-ray no PS3. E depois o Ken Kutaragi, o “inventor” do PlayStation, chama o 360 de Xbox 1.5. Ele diz que colocaram mais tecnologia no PS3 e que o console seria “resistente ao futuro”. Vendo como o Blu-ray dominou o mercado e como os rumores de que Watch Dogs não será possível nessa geração, chego à conclusão de que os dois falaram merda. Não vou nem comentar os preços de lançamento, pois eles nada surpreenderam. Quer dizer, o PS3 surpreendeu o bolso de todo mundo, mas deixa quieto.

Fils-Aime explica porque o “Revolution” seria mais barato: “Não oferecemos todas as frescuras que não fazem diferença para quem joga”. Depois Kaz Hirai surge ao dizer que a base instalada de PlayStations nos EUA preveniria o avanço do Xbox. Oh, que erro. “Essa lógica de sair primeiro não tem fundamento”. Estou rindo enquanto leio isso. Mas, pensando bem, ele estava certo: o Wii saiu depois e vendou bem mais.

Tem gente que acha o nome “Wii” feio. “Revolution” é muito pior


Um ponto crucial da matéria é o aparecimento do analista mais odiado dos nintendistas: Michael Pachter. Ele garante que, em 2007, o share de mercado seria o seguinte: Microsoft 45%, Sony 33% e Nintendo 22%. Depois ele dizia que a Sony acabaria passando a Microsoft depois de 2007. Aliás, teve alguma vez em que Pachter acertou alguma previsão? Fica a dúvida.

Em pelo menos uma coisa o PlayStation 3 serviu: se tornar o centro de mídia (assim como o 360). Veja, não estou falando que ele é ruim, mas é que não consegui me expressar de outra forma. Kaz Hirai também dizia que a então PSN ainda não era um sistema confiável. E continuou não sendo. Seria possível tornar o PSP uma extensão do PS3. Hããã… não estamos ouvindo o mesmo papo no PS Vita?

Avançando um pouco na reportagem, aparece J. Allard, da Microsoft, falando que “Não achávamos que eles anunciariam que todos os produtos Nintendo produzidos daqui pra frente teriam conexão à rede”. Isso é interessante porque, de certa forma, não se concretizou. O Wii, apesar de ter conexão com a internet e jogos compatíveis, ainda é um console extremamente “offline”. Uma coisa que deu certo e que os outros sistemas acabaram copiando ao longo dos tempos foi a retrocompatibilidade, com o lançamento de jogos nos consoles virtuais. Se bem que o PS3 original podia receber jogos de PS1 e PS2.

Algumas furadas da indústria (que na época não eram furadas) foram lembradas pela matéria. O “erro da alta definição da Nintendo” e o controle Sixaxis da Sony, aquele que parecia um bumerangue antes do lançamento e que, depois de lançado, não tinha a função rumble.

Mesmo sendo um protótipo, em algum momento o engenheiro pensou
que isso poderia ser bom. Drogas, sim ou claro?


Quanto aos jogos, é bom lembrar que, em 2004, muito se falava de Too Human, Warhawk e Tony Hawk’s American Wasteland. Não vou colocar imagem de nenhum deles aqui.

Não condeno a reportagem. Falar de um produto mais de um ano antes de ele ser lançado é uma tarefa muito difícil e que, em meio a chutes, é normal que se erre. É normal acreditar em coisas que não darão futuro. Mas não deixa de ser legal observar como uma indústria como a videogames pode mudar de uma hora para a outra, sem o mínimo aviso. E já estamos acompanhando essa nova transição agora.

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