Quando chegam os 13 fantasmas, digo, as 13 semanas para fazer o TCC, você passa em um teste de fogo de prazos. Nesse período, as atenções ficam voltadas para livros didáticos, teses de mestrado e doutorado, artigos, livros boring e todo uma porcaria acadêmica que, admito, é importante para o avanço científico e econômico do país, mas, na verdade, dá no saco. Mas isso só acontece porque não nos dedicamos o suficiente durante 3 anos e meio e deixamos para o meio restante toda uma carga de educação que temos que absorver. No entanto, como sou lépido, faceiro e um tanto quanto vagabundo, ainda arranjo tempo para ler chaproscas como A Fúria dos Reis.


Minha análise desse livro parte da capa. Não sei vocês entenderam isso também, mas ela traz Tyrion Lannister andando pelas ruas de Porto Real. Se for pensar bem, acho que essa visão foi a que mais me passou pela cabeça durante a leitura do livro. Tyrion continua sendo o personagem principal, uma vez que suas conspirações para se tornar o “comandante do submundo de Porto Real” são as melhores partes da história. Incrível como um personagem pode ter tanto carisma. Aliás, suas conversas com Varys, Cersei e Bronn são de longe, o ponto alto da qualidade de escritor de George Martin. As conversas são cheias de pormenores e detalhes que só são percebidos em uma leitura lenta e proveitosa. E é nesse livro que descobrimos qual o ponto fraco do anão. As mulheres. Em vários momentos ele lembra da mulher que tirou sua virgindade, de como Shae é importante pra ele… ele até salva Sansa da ira de Joffrey.

Véi… que capa foda

Uma marca desse livro é alta presença de sacanagem explícita. Se no primeiro livro tínhamos, no máximo, pessoas saindo de suas camas nuas e Shagga falando a todo momento que iria cortar o membro de fulaninho e jogá-lo para as cabras, em A Fúria dos Reis o negócio extrapola. Temos o uso das palavras “pau” e “buceta” a todo momento, além das relações sexuais de Tyrion com Shae, a nudez em praça pública de Sansa, a relação incestuosa de Theon com sua irmã, a conversa de Catelyn com Jaime e, algo que permeia todo o livro: o estupro. Como em toda boa guerra medieval (peraí, só medieval?), as mulheres pertencentes ao lado derrotado são estupradas como “prêmio”. No livro, estupros acontecem ou, pelo menos, são citados como possíveis acontecimentos, como na conversa entre Cersei e Sansa durante a batalha de Porto Real. Mas o estupro mais, digamos, “tcham” é a da filha da Senhora Tanda que, em plena revolta civil, é estuprada mais de cinquenta vezes em um beco e, depois, é encontrada nua vagando pela cidade.

Bom esqueci de falar o que está acontecendo em Westeros. Basicamente quatro reis reivindicaram poder após a queda de Robert Baratheon. Temos Joffrey Lannister em Porto Real, Stannis Baratheon nas ilhas dos Dragões (esqueci o nome correto), Renly Baratheon à sul (acho que é Jardim de Cima) e Robb Stark como Rei do Norte. Os Stark se enfrentam contra os Lannister enquanto Stannis, por meio da feiticeira vermelha, mata o irmão Renly, tomando parte de seu exército. Enquanto isso, no frio de Winterfell, os Greyjoy buscam  vingança contra os Stark e tomam a cidade. Na Muralha, uma expedição invade a Floresta Assombrada em busca respostas sobre os planos de Mance Rayder (este pretende invadir Westeros). E no outro continente, Daenerys viaja com seus dragões em busca de navios e homens para retomar seu reino.

No final do livro, Stannis marcha sobre Porto Real e perde. Theon é, aparentemente, morto por mercenários que vieram para ajudá-lo a defender Winterfell das forças restantes dos Stark.

Theon Greyjoy, tira essa armadura que você é moleque, ouviu?
VOCÊ É MULEKE!


Dois pontos de vista novos são adicionados ao livro. Theon vai às Ilhas de Ferro e, quando o poder sobe à cabeça, decide invadir uma Winterfell desprotegida com meia dúzia de gatos pingados. Vou te dizer que é bem interessante perceber o desespero dele à medida que a merda vem chegando. Suas atitudes são as de um fraco, totalmente dependente de seu pai e de sua irmã, apesar de odiá-los (provavelmente por isso mesmo).

O outro personagem novo é Davos, que vive ao lado de Stannis. Ele é um ex-contrabandista que se tornou um cavaleiro muito mais honrado que os outros. Seus conselhos dificilmente são seguidos por Stannis. Além disso, ele representa bem o medo que os homens do “rei de direito” possui acerca da feiticeira vermelha. Seu medo é estampado quando ele a leva para matar um senhor.

O cometa no começo do livro representa bem como qualquer pessoa ajeita um fato para seu lado. Cada um interpreta como quer. O fato é que, após os dragões nascerem, a magia retornou ao mundo. É como se o tecido da realidade dos livros de Spohr  tivesse se afinado, permitindo que magias pudessem ser usadas depois de tanto tempo. O livro continua com muitas conspirações políticas, mas ganha um ar de medo e descrença perante a magia que é sensacional.


A mulher bebe veneno e não morre; dá luz à espíritos assasinos:
SAI CAPETA!

Passando rapidamente pelos outros personagens: Jon tem uma queda em sua história, mas seu final neste livro deixa um esperança pela melhora do personagem em A Tormenta de Espadas. Várias coisas acontecem com Arya, mas acredito que dava pra sua história ser contada de forma mais dinâmica. O mesmo com Bran, que poderia ter suas ligações com os espíritos da floresta contadas de forma mais rápida. Daenerys e sua longa viagem só engatam do meio pro fim. Sua entrada no palácio/castelo/que-porra-é-aquela dos Imortais é muito foda e me fez lembrar do Exame Hunter em HunterXHunter. A parte de Sansa com o bobo é muito chata. Aquilo atravancou minha leitura várias vezes.

No mais, estou gostando de ver a evolução dos personagens, em especial das crianças e adolescentes. Até o final da saga, eles estarão adultos e será bem legal comparar. Demorei uma três semanas e meia para ler o livro, muito por causa do seu ritmo lento em comparação com A Guerra dos Tronos. Porém, dizem que o terceiro livro é o melhor. Então vou começá-lo já!

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