Nunca escondi que sou saudosista e nostálgico. Não vou entrar na onda de dizer que os jogos atuais são ruins, sem criatividade, sem isso, sem aquilo. Muito pelo contrário, as novas ferramentas permitem que muitos projetos de baixo orçamento alcancem patamares de qualidade e reconhecimento nunca imaginados. Voltamos aos tempos em que uma boa ideia é valorizada e não apenas os grandes trabalhos de grande equipes de grandes empresas.

No decorrer da história, muitos dos jogos que tentaram explorar ao máximo as inovações da época se tornaram, com o tempo, jogos feios e com jogabilidade travada. Tomemos como exemplo os FPSs clássicos como Doom, Wolfenstein 3D e Quake. Seus gráficos e jogabilidade estão completamente datados. Nesse segmento de jogos tudo mudou. Desde o básico posicionamento da arma chegando até o sistema de saúde.

Mas não é sobre isso que quero falar aqui. Como sou um apaixonado pelo Super Nintendo, vou falar dos jogos deste console que não envelheceram. De cara, já digo que a geração 16 bits foi abençoada com direções gráficas que não visaram o realismo dos cenários. Muitos jogos possuem gráficos desenhados à mão e depois transcritos em códigos de programas. Óbvio que muitos jogos que empolgavam naquela época possuíam tecnologias inovadoras que faziam nossa boca abrir aos primeiros frames em movimento. São os casos de Mortal Kombat, F-Zero, Pilotwings, Star Fox, Super Mario Kart, a série Strike (Desert, Urban, Jungle) entre outros jogos. Eles utilizaram tecnologias que, em poucos anos, tornaram-se ultrapassadas.

Os jogos que não envelheceram são aqueles em que você bate o olho e não fica comentando “olha isso aqui, que mal feito”, “tá faltando polígonos aqui” ou então “nossa, olha esse serrilhado”. É onde entra, por exemplo, um dos jogos mais bonitos de todos os tempos.



Parece que foi feito com lápis de cor



Super Mario Wold 2: Yoshi’s Island pode não ser tão conhecido quanto o antecessor, mas traz gráficos tão lindos que, quando eu vi pela primeira vez, fiquei abobado. O acabamento é tão bom que dá vontade de construir um altar para o designer desse jogo. Pra mim, Yoshi’s Island é muito superior à Super Mario World. No entanto, ele não é um jogo “Mario”. O nome Mario está ali só para ambientar a coisa toda, mas o ambiente remete a um ambiente de sonhos. Algo que só é visto em Mario Bros. 2 (que, como todos sabem, não é um jogo do Mario).

Outro game que me impressiona é A Link to the Past. Esse é um dos jogos Zelda que mais gosto depois de Ocarina of Time (N64) e The Minish Cap (GBA). Seu acabamento artístico pode ser visto nas árvores e, principalmente, nos detalhes das construções mais importantes. Além disso, seu visual desenhado convence qualquer criança a se aventurar por Hyrule (mesmo o jogo sendo um tanto difícil para crianças).



Quem conseguir pensar besteira nessa imagem tem sérios problemas sexuais



Uma empresa que se dedicava aos seus jogos era a Disney (que tinha parceria com a Capcom) e dava um acabamento incrível nos produtos. Posso citar vários games que ainda são jovens, como The Lion King, Alladin, Castle of Illusion, Goof Troop, Quackshot e, um dos meus preferidos, The Magical Quest. Lá pelo meio da década de 90 eu era uma criança que não conhecia o mundo da Disney. Só que aí me mostraram esse jogo que me convenceu a comprar uns três ou quatro gibis do Mickey (e olha que eu nunca gostei de quadrinhos).


Mickey sempre foi um bundão



Por fim, um dos jogos mais bem acabados de todos os tempos: Donkey Kong Country. Com vários níveis de paralaxe (cenários que se movem em velocidades diferentes), este game trouxe, além da dificuldade crescente, um falso 3D que nos ambientava perfeitamente nos vários “mundos”. Suas sequências foram se aprimorando até chegar na perfeição gráfica que foi Donkey Kong Country 3. No entanto, o primeiro jogo (e o segundo também) são melhores em relação ao design de fases e entraram para a história (pelo menos na minha cabeça) como o supra-sumo gráfico do SNES.


Quantas vezes eu já passei por essa selva,
peguei esse K e matei esse Kremling?



Disso tudo tiro uma conclusão. O jogo não precisa ser realista para ter bons gráficos. Nem ter sangue, violência e mortes hediondas. Claro que isso é importante em muitos jogos, mas não é o essencial. Outra conclusão: eu quero mais jogos em que os gráficos sejam desenhados à mão. E não me venham com cel-shading! Obrigado.

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