Ultimamente, a utilização da palavra “ÉPICO” vem sendo muito comum. O que está errado. Saca só o sentido que a usam no Twitter. O que é uma coisa/atitude/história épica? É, segundo meu dicionário online preferido, algo de magnitude fora do normal, grandioso, heróico. Não basta ser algo mais ou menos ou mesmo algo difícil que muitas pessoas consigam repetir após várias tentativas. É preciso possuir uma escala de adjetivos para não caírmos em maniqueísmos inexistentes.

A mesma coisa acontece com o uso do substantivo ÓDIO. Normalmente o substantivo e seu verbo seriam utilizados para um sentimento de profunda inimizade, uma paixão que conduz ao mal que se faz ou se deseja para outra pessoa. É uma ira contida, um rancor violento e duradouro, uma antipatia e, indo além, algo que tão intenso que leva uma pessoa a desejar a morte de outra. Isso é o que Arya sente por Joffrey, o que Carminha sente por Rita e o que os judeus sentem pelo nazismo.


Eu odeio Coldplay. Algum dia explico o motivo



O fato é que, ao usar a palavra ódio, você precisa odiar mesmo. Tá bom, não precisa chegar ao extremo de desejar a morte, mas é preciso desgostar E apresentar motivos importantes para isso. Se esses motivos não existem, você apenas NÃO GOSTA. O que é não gostar? É não aprovar, não ter inclinação (natural, sexual, ideológica, whatever) para aquilo. É o que eu sinto por vídeos de Minecraft no Youtube, por exemplo.

Se você não gosta de uma coisa, no mínimo você deve respeitar e entender os motivos de alguém gostar daquilo. Por exemplo, vejo muitos vídeos de ódio contra o funk. Essa é a segunda vez que estou “defendendo” o funk. A primeira foi aqui. E reafirmo: o que te fode tanto num gênero musical? Você pode odiar aqueles que ficam com celulares em ônibus tocando a todo volume, mas odiar o gênero musical é uma idiotice. E se ele estivesse ouvindo uma música que você gosta durante todo o percurso? Outras pessoas não iriam “odiar” aquilo?

Mas aí muita gente irá dizer que odeia o funk por causa das suas letras promíscuas, que incentivam a prostituição, o apego ao dinheiro e a violência. Tá, então você também não pode gostar da música popular mundial. Me diz aí, qual a diferença entre Mr. Catra e Pitbull?



Aí o outro vai dizer: “ain meu rock é música boa e bem tocada”. Ok, pode até ser, mas suas letras também incitam atitudes semelhantes à do funk. Ou você vai me dizer que Free As a Bird (Beatles),  We Are All On Drugs (Weezer), Guns, Drugs and Money (Megadeth) e I Don’t Like Drugs (Marilyn Manson) não tem nada a ver com drogas? Só as letras são mais “viajadas” e tocam no assunto de forma velada.Aliás, não é só o funk que é alvo de críticas por sua “baixeza”, mas também o novo gênero que tomou conta do Brasil, o (intitulado de forma errada) sertanejo universitário. Suas letras seriam apenas uma repetição da onomatopeia TCH(coloque qualquer vogal aqui) e de expressões internéticas como “as mina pira”. Digo que, finalmente, a música brasileira, pela primeira vez, tem apelo popular mundial com um estilo único. Explico: essas músicas possuem o mesmo sentido de músicas de biscatinhas americanas e, ainda por cima, utilizam instrumentos e batida características do nosso país. Bom foda-se.


Mas fica a pergunta: você realmente odeia a música popular brasileira? Ou segue apenas os que os outros dizem? Ou será que você “odeia” só por que não possui uma Dodge Ram ou um Camaro amarelo? Além do mais, se você odeia uma coisa, qual a necessidade de ficar falando direto dela? É somente a necessidade de expressar o ódio? Não seria melhor você fechar os ouvidos ao que odeia e curtir somente o que gosta?

E outra coisa: será que se você possuir esse ódio todo a situação irá mudar? Os funks e sertanejos universitários deixarão de existir só por sua causa? É esse sentimento evangelizador que devemos tirar nós. Por que temos que fazer com que o próximo curta as mesmas coisas que a gente? Nos julgamos assim tão superiores? Brincadeiras sobre o gosto musical dos outros são bem-vindas (e eu até faço… e muito), mas odiar uma pessoa por causa de um gosto é um sentimento muito inquisidor.

Ah, essa é uma informação irrelevante, mas saiba que eu sou eclético no real sentido da palavra: escolho o que é melhor em cada gênero. Em todos os lugares existem coisas boas e ruins. Não sou nada sentimental, mas encontrei uma boa frase Charles Chaplin que resume bem o texto todo. “Creio no riso e nas lágrimas como antídotos para o ódio e o terror”. E se você me odeia, deita na BR!

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