Fazia tempo que eu não começava uma série de livros. Pra falar a verdade, a última série que comecei (e terminei) foi O Senhor dos Anéis. Não gosto muito de entrar num lugar desconhecido sem saber em qual Floresta Assombrada ele vai dar. Tipo, entrei numa época da vida (!?) em que quero certezas. Só aceito consagrações e nada de apostas. Quer dizer, não é bem assim, mas é assim.

Isto aconteceu com A Guerra dos Tronos. A obra se consagrou e, seguindo a modinha, decidi dar uma chance a essa chaprosca que é grande para dedéu (ainda se usa essa expressão?). Mas é como o JP disse no Nerdcast sobre o livro: é meio perigoso entrar numa obra que não sabemos se será terminada. Afinal, o autor tá velhinho e vai que…


Livro em que, na capa, o nome do autor está gigante.
Isso significa.



Sobre o livro, só tenho a dizer que é foda. Tipo, fazia tempo que eu não ficava empolgado com uma obra. Pensei em fazer uma leitura rápida mas, para não me cansar, fui saboreando cada página. Demorei exatas duas semanas pra ler (até que foi um tempo bom) e, no final, estava extrapolando o tempo que eu havia delimitado para a leitura (cerca de 3 horas por dia).

O enredo é épico. E a palavra épica é bem usada aqui. Ah! Cuidado com o spoilers a partir deste ponto. No começo do livro, você começa a fincar pontos fortes. Por exemplo: o rei é idiota (e de fato é), os Lannister são maus (assim como os Targaryen), os Starks honrados, a corte é um monte de puxa-sacos (?) e o resto são meros coadjuvantes. Só que, se você for pensar bem, os Targaryen foram tirados do poder no melhor estilo “extirpar o DEM da política brasileira”. Não sobrou quase nada, a não ser Viserys, que é um bostão fanfarrão que se acha, e Daenerys, que é praticamente uma criança que acata as ordens do irmão. O jogo vira quando Dany se casa com Khal Drogo, um cara foda que nunca perdeu uma luta e tem 100 mil seguidores (de verdade, não no Twitter). O irmão não consegue o que quer (homens para retomar os Sete Reinos), morre e Dany se torna uma mulher de verdade. O legal é reparar nessa transição da personagem. Só que aí tudo fode quando Khal Drogo morre, os seguidores vão embora e o filho nasce morto. Mas aí ela faz um ritual de magia negra LIKE A COLLOR e, dessa porra toda, saem três dragões (que haviam sido extintos). Só desgraça.

Do outro lado do mundo, no Norte, uma Muralha protege os Sete Reinos dos Outros, um povo selvagem que, no final do livro, você percebe que são capazes de fazer os mortos de levantarem com olhos azuis. Jon Snow é quem mostra a maior parte de como funciona a Muralha.



Se a Muralha é assim no verão, imagina no inverno…



Mas o principal ramo da história, ao menos neste primeiro livro, é a guerra dos tronos. Após saber que Jon Arryn (antiga Mão do Rei) fora assassinado e que as suspeitas caíam sobre os Lannister, Ned Stark aceita ser Mão do Rei Robert só para investigar a merda toda. Vários entreveros vão acontecendo entre os Starks e os Lannisters até culminar na prisão de Tyrion Lannister filho de Lorde Tywin (um cara motherfucker) por Catelyn Stark (esposa de Ned). Não vou contar tudo, mas ficamos sabendo que Tyrion era inocente e que, quem causava a merda toda era Jaime e Cersei Lannister. Nesse meio tempo, Robert morre e, ao invés de fugir, Ned fica em Porto Real (a capital dos Sete Reinos), pensando que poderia desmascarar os Lannister. Mas o idiota é considerado traidor e também morto. Nisso começa uma guerra entre os Stark e os Lannister. Estes últimos, pelo que entendi no final do livro, terão de enfrentar também Stannis e Renly (os irmãos do rei morto).

Vamos falar de dois personagens que, para mim, são os que mais mostram como a história é “de verdade”. O primeiro é Jon, filho bastardo de Ned Stark, que vai para a Muralha se tornar um membro da Patrulha da Noite. Ele percebe que, com a chegada do inverno (fator de suma importância na história… ou não) tudo pode mudar. A Patrulha se tornou um amontoado de inúteis e ele acha que pode transformar o poder da Muralha. Seu tio desaparece na Floresta Assombrada que existe para lá da Muralha. Ao saber da guerra, ele pensa em desertar mas, amparado pelos novos “irmãos” volta e fica sabendo que uma expedição será montada para saber o que aconteceu com seu tio. Aliás, é ele que enfrenta, junto com seu lobo, um dos zumbis que tentaram atacar o comandante da patrulha. Tenso. E quase amedrontador.



Tyrion é um anão motherfucker. Mais fucker do que mother



O outro personagem (pra muita gente, o principal) é Tyrion Lannister, filho de Tywin. Ele sempre foi rejeitado por ser anão, coxo e molenga. No entanto, ele é o cara mais esperto da história e, sempre com muito bom humor, consegue tornar a situação boa para seu lado. O importante deste personagem é que ele visita todos os lugares importantes. Ele vai para Winterfell (lar dos Stark) no começo do livro, passa pela Muralha, é preso e enviado para o Ninho da Águia, engana ladrões de estrada, conta como era o acampamento militar dos Lannister e, se torna tão importante a ponto de seu pai o enviar para Porto Real para governar no lugar de Joffrey, o sobrinho/novo rei/fazedor de merda que tomou o poder.

Com isso tudo, estou muito empolgado com o livro. Apesar do enfoque dele ser as conversas sutis e irônicas deixando de lado as batalhas sangrentas, a história é muito empolgante. Mesmo conhecendo como cada personagem age, você nunca a sabe a merda que ele pode fazer. Aliás, enquanto se lê, o “sentido de vai dar merda” vai só aumentando. É muito legal fazer o exercício da previsão de quando cada personagem morrerá e como os outros reagirão. Tentei adivinhar em muitas ocasiões, porém falhei miseravelmente em todas. Acabei A Guerra dos Tronos neste domingo, mas estou tão fascinado pela obra que vou começar a ler A Fúria dos Reis nesta segunda-feira mesmo. Por falar nisso, deixa eu começar.

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