Você, assim como eu, deve ter ficado muito tempo esperando pela entrevista da Rosane Collor ao Fantástico. Ou simplesmente ignorou e ligou o foda-se. Mas eu não. Como um adorador da disciplina História, qualquer novidade nessa área me atrai. Apesar de curtir tanto História do Brasil, esse período de regime militar e redemocratização era dos meus preferidos. O fato é que a Globo me convenceu (devo ser muito idiota mesmo) a assistir a entrevista da Rosane Collor de cabo a rabo.

Pra começar, a Globo deu ênfase na possível prática de magia negra por parte de Collor. Pra mim, o negócio já começou errado aí, antes mesmo da entrevista começar. Mas, resolvi dar uma chance. Mas aí, logo nas primeiras imagens, Rosane é inocentada de qualquer acusação que faria a seguir ao ser exibida com uma Bíblia na mão e cantando num culto evangélico. Aí um breve resumo histórico da trajetória política do Collor é contada sem um dos episódios mais importantes: o debate feito pela Globo nas vésperas das eleições, onde, nos melhores momentos, Collor “massacra” Lula. Bom, pulemos mais essa parte. Aliás, quase chorei vendo as velhinhas chorarem por ela.


Saca só o quadro na parede que foda



A própria Renata Ceribelli se contradiz ao falar que “são revelações inéditas que confirmam boa parte do que Pedro Collor, irmão já falecido, disse há 20 anos detonando o processo de impeachment”. Deixa eu ver se entendi. Vamos ouvir relatos INÉDITOS que são tão fodas que só vão confirmar o que já foi dito. E logo aos 2 minutos de reportagem, o livro já recebe seu anúncio. É tipo um “quer saber mais (ou não)? Compre o livro, seu otário!”.

Aí a entrevista começa e Rosane diz que recebeu um telefonema de Collor dizendo que ela não deveria ir em um ritual. Mas, na verdade, era uma pessoa anônima. Espero que no livro ela também não tenha se enrolado. Os rituais finalmente entram na roda e, em mais um flashback, a entrevista de Pedro Collor à Veja é citada. Nela, Pedro desceu o pau no irmão e citou esses rituais de magia negra. Ceribelli então promete que Rosane contará detalhes desta época.



“Rituais de magia negra? Oooh!”



A mulher que comandava os rituais, Maria Cecília, e que agora aceitou Jesus, virou pastora e conta como era sua vida pregressa em CDs (podia ser em vídeo e em Blu-ray duplo). Neste CD, Maria Cecília diz que fez rituais para que Collor alcançasse a presidência e se mantivesse lá. Maria Cecília já tinha contado sobre esses rituais em outra entrevista. Mas agora é a versão da ex-primeira-dama.

Segundo Rosane, Collor fazia trabalhos em cemitérios (chupem, góticos!), “matança” de galinhas, bois, vacas (chupem, desossadores de frigoríficos!). Uma imagem de 1991 é resgatada com Collor subindo a rampa de terno branco e Maria Cecília ao seu lado. Ela ainda disse que Collor se protegia dos ataques contra ele de forma a jogar o “mal” contra os adversários (chupem, jogadores de Magic!). O ex-presidente ainda teria feito rituais de ficar isolado por três dias na casa da Dinda (que, em outros países, é chamado de meditação) vestido com roupa branca.



E eu pensava que trabalho imundo, podre e nojento
era só no lixão da novela das 9



Uma coisa: qual o problema nisso tudo? Missas, cultos evangélicos, orações judaicas em sinagogas, reuniões sacramentais de mórmons, palestras e reuniões com passes de espíritas, orações direcionadas à Meca de muçulmanos, festas e oferendas no candomblé, oferendas e sessões de consulta na umbanda, sacrifício de animais no vodu, rezar trechos dos Vedas no hinduísmo, adoração à Hare Krishna, meditação no budismo, culto aos ancestrais no taoismo, oferendas aos antepassados no xintoísmo, orações no Bahá’í, WHATEVER. Tudo isso são rituais semelhantes aos de magia negra. Todos eles procuram obter contatos com seres superiores espiritualmente para que estes intercedam pelas pessoas. É muita pretensão e discriminação achar que uma religião que aceita Jesus é melhor que outra que adora outro deus.

Nem vou comentar sobre “maldição do Collor”. Pra mim, quando uma pessoa deseja mal a outra pessoa e essa primeira pessoa morre, o nome disso é assassinato. E a Rosane diz que ia contar uma coisa forte e diz que PC Farias tomava café na casa deles… pfff.



O PC Farias me lembra o Seu Barriga



Vamos pular as partes whatever da entrevista, aquelas que estão lá só para a reportagem parecer longa. Sobre a pensão que ela recebe, 18 mil reais, muita gente achou que “oh meu deus ela recebe muito e tá reclamando”. Primeiro, ele não tem que pagar mais somente por ser senador. Segundo, Collor tem que pagar mais porque, como todo “bom” político brasileiro, não deve declarar todo o dinheiro que recebe por ano. E terceiro, você pode achar 18 mil bastante, mas quem está acostumada com mais, não. E, quer saber, pensões não me interessam e nem sei o motivo de estar falando sobre isso.

A entrevista foi uma bosta, não trouxe nada de revelador e só expôs como contar sua vida em uma biografia é uma das melhores formas de ganhar dinheiro. Ah! E mostrou a mentalidade do brasileiro padrão perante a religião alheia.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s