Na lista de possíveis jogos para Wii U que vazou na net ontem, muita gente ficou empolgada com a presença de jogos “hardcore” na primeira lista. Nela vemos Aliens: Colonial Marines, Darksiders II, Dirt 3, Ghost Recon Online, Splinter Cell 6, Batman Arkham City e Metro Last Night. Todos jogos que são considerados “hardcore”. Mas será que esses jogos são hardcore mesmo?





O jogo acima não é hardcore. Armas gigantes overpower sem recoil não deixam o jogo hardcore. Lembro que tempos atrás (e bota tempo nisso), muita gente achava Counter-Strike um jogo hardcore. Isso vinha do fato do jogo possuir sangue e armas barulhentas. No entanto, desde aquela época percebi que o jogo não era hardcore. O meu principal argumento era a desbalanceamento das armas que não permitia combinações diferentes. Todo mundo usava duas ou três armas. E só. Você não precisava pensar “mas se eu usar a arma tal em tal mapa vou me dar bem”.

Com o tempo, os videogames da Nintendo passaram a ser considerados “brinquedos para jogadores casuais”, em especial o Wii. O problema é que os ditos jogadores hardcore de hoje em dia (que só jogam FPS), que acham que matar 86752349 zumbis em Left 4 Dead não sabem o que é a verdadeira dificuldade. Não sabem o que é dar um pulo preciso numa plataforma, escolher a estratégia certa em um RPG de turno, pensar o que o personagem deve fazer, isso tudo sem tutorial. Na minha opinião, qualquer jogo que tenha savepoint à cada 50 metros, autosave ou “return to last checkpoint” é uma bosta. Qual a dificuldade nisso? Veja não tenha nada contra esses games casuais (muito pelo contrário), mas contra os jogadores deles.

Vou derrubar aqui, um por um, os argumentos de milhares desses putos que não aguentariam 30 segundos em Battletoads, Contra ou qualquer “jogo de navinha”. Tirei todas essas definições da semideusa Wikipedia.

Muitos dos atuais jogadores “hardcore”
não conseguiriam chegar nesta fase

Uns dizem que o jogador hardcore é aquele que passa horas em um jogo, sem sair da frente dele. Já digo: horas de jogo não significa nada. Se você é um babacão, pode ficar horas e horas procurando todas as estrelas em Super Mario 64 que você não encontrará. É preciso pensar com a mentalidade do jogo, tentar novos golpes, pulos, passagens escondidas. Nos finais dos jogos, normalmente as coisas mais difíceis só irão ser alcançadas pelos mais inteligentes e não pelos mais reclamões que dizem “jogo bugado” e que tentam sempre a mesma coisa, sempre do mesmo jeito.

“Me cobre enquanto eu mato as baratas”

Dizem também que o hardcore é o que gasta muito dinheiro no jogo. Muita gente já pagou fortunas para a Blizzard durante 7 anos de World of Warcraft (15 dólares/mês X 84 meses = 1260 dólares). Isso não significa que essas pessoas sejam fodas no jogo, uma vez que ele é muito mais que um jogo. WoW é uma experiência social com elementos gamísticos. Outros tantos são assinantes do Call of Duty Elite. Esses caras são hardcore? Não, são apenas ricos.

“Eu, falso soldado gordo. Você, jogador idiota”

Outra regra que define a capacidade do jogador hardcore é a sua habilidade em acabar com outros no multiplayer (online ou não). Normalmente esse cara já sabe os melhores spots de um jogo, a melhor hora de soltar especial, etc. Ele aprendeu a mecânica do game e usa ela a seu favor. Não adianta nada você terminar um jogo no modo hard e depois tomar um pau no multiplayer. Uma regra: “NPCs não jogam a mesma quantidade de granadas (ou algo equivalente) que um jogador online”. PvP sempre é mais cruel que PvE.

Agora a principal regra (que me irrita profundamente) e que é alvo de fanboys. O videogame que você usa não significa se você é hardcore ou não. Não é porque o jogo tem gráficos piores que ele é mais fácil. Não é porque os gráficos são HD, com cutscenes de tirar o folêgo e gameplay de milhares de tiros zunindo que o jogo é melhor. A partir do momento que, para morrer, você precisa tomar 30 tiros, o jogo não é mais hardcore.

Obviamente que, a maioria dos games pode se tornar hardcore dependendo da sua vontade. Terminar Pokémon com três monstrinhos sem passar para a terceira evolução é ser hardcore. Pegar três estrelas em todas as fases e habilitar os estágios secretos de Angry Birds é ser hardcore. Jogar somente com um pedaço de pau  um escudo de madeira em Diablo é ser hardcore. Dos jogos lançados nessa geração, talvez só Dead Souls e seu antecessor, Demon’s Souls sejam hardcore no nível normal. Tirando isso, temos que voltar para as gerações 8 e 16 bits.

Não interessa a quantidade de inimigos e polígonos na tela.
O que interessa é a inteligência: a artificial e a sua

Aprendam que ser hardcore é entender as mecânicas de um jogo, como os cenários se dispõem e personagens se comportam, é aquele que testa, discute com os amigos ou em fóruns. É aquele que sabe diferenciar quando uma continuação piora ou é só mais do mesmo. É aquele que exige, compete (profissionalmente ou não) e sugere mudanças. Leram bem, jogadores “hardcore”? Ou será que vocês não tem paciência para leitura?

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