Muitas vezes, desde a infância, quando nossos professores indicavam livros para a leitura obrigatória, torcíamos o nariz, franzíamos a testa e terminávamos com um “Afff…”. Nunca tive muitas situações desta, pois os professores não nos obrigavam a nada e também porque sempre li os livros que achava interessante sem precisar ser ordenado.

No entanto, ao ingressar no terceiro grau, passamos a ter a leitura complementar/obrigatória/vale-dois-pontos-na-prova. Não era chato, afinal se você não gosta de ler os livros da sua área, porque está fazendo este curso. Depois de todos estes anos, chegamos em um livro muito foda que li essa semana e, já que tenho um blog, vou fazer um post de review dele.

“Deus é inocente, a imprensa não” traz como as mídias americana e brasileira trataram os eventos relacionados aos atentados de 11 de setembro. O autor e jornalista Carlos Dorneles mostra como o governo Bush, o Islã, os motivos dos atentados, Israel entre outros temas foram modificados pela imprensa. Para isso, ele analisou os principais jornais impresso dos EUA, do Reino Unido e do Brasil e os canais de TV americanos. Todas as notícias foram confrontadas e discutidas. Tudo com muito detalhe.



O título é ótimo, mas a capa deixa desejar



Fica claro como a imprensa tornou-se uma criada do governo Bush quando passou a deixar de dar notícias sobre a recontagem de votos na Flórida após os atentados e como a necessidade de guerra invadiu o pulmão dos jornalistas.

De repente, não se sabe se influenciado pelo patriotismo idiota americano (e, por conseguinte, dos jornais brasileiros que copiam material gringo) ou pela compra intelectual a partir dos petrodólares, a mídia passou a condenar qualquer ato vindo dos habitantes do Oriente Médio. Se percebe que conceitos básicos do jornalismo foram abandonados.

Os jornalistas passaram a confiar apenas em dados do governo americano, não confiando em nada que afegãos diziam. Os jornalistas ocidentais, nas guerras (guerras? Melhor usar o termo colonização exploratória) do Afeganistão e do Iraque, foram proibidos de permanecer no battlefield, chegando lá através apenas dos militares americanos. Além disso, eles não podiam divulgar nada que pudesse “chocar” a opinião pública mundial, como imagens de civis afegãos mortos ou os vídeos de Bin Laden que saíam a torto e a direito naquela época.

Foi nessa época, inclusive, que a rede de TV do Catar, Al Jazira, tornou-se uma das maiores do mundo. Seus repórteres não estavam ligados a impérios e nem a empresários do petróleo. Suas reportagens traziam os dois lados da notícia, algo que não acontecia no jornalismo ocidental.



Fica óbvio que o governo Bush
1- Praticou os atentados ou
2- Aproveitou-se da merda para ter motivos de expansão



Vários direitos não foram preservados, o que não foi divulgado por aqui. Milhares de civis foram mortos, sedes da ONU e da Cruz Vermelha bombardeadas, presos em Guantánamo sofrendo a barbárie. Incrível como uma ideologia foi tão fortemente empregada em pleno século XXI, o século da informação. Levantou-se um ódio contra “infiéis” islâmicos como se não se via desde a época das Cruzadas. Até hoje, se você ver alguém com turbante na rua, é bem capaz que você cruze para o outro lado.

Não vou contar mais sobre o livro. Quem quer centenas de exemplos de como nossa mentalidade sobre a relação EUA-Oriente Médio foi distorcida, tem que ler o livro. Pelo menos para mim, todas as teorias da conspiração que tinha em mente foram elucidadas e confirmadas. Sua cabeça irá explodir.

Isso só mostra como devemos ficar atento às notícias, ainda mais quando muitos interesses, personagens, dinheiro e ideologias estão envolvidas. Recomendadíssima a leitura deste livro.

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