Como já disse certa vez, quem viveu a era de ouro (assim classificada por mim) dos videogames sabe que muitas das manhas dos jogos eram aprendidas por meio de notas em cantinhos de revistas ou a partir da pura, simples e muito bem-vinda cagada. Para quem não sabe, a era de ouro engloba as gerações 16 e 32 bits.


Com a internet e, posteriormente, com o maior alcance de internet banda larga no Brasil, surgiram os youtubers de games, caras que postam vídeos de gameplay comentado (nem sempre o comentário é sobre o gameplay, nem sempre é ao vivo, nem sempre é um gameplay sem cortes). Depois da onda dos podcasts, onde vários dos que surgiram na primeira leva se tornaram grandes meios de comunicação com milhares de downloads, a onda atual ocorre no Youtube.

Eu que fiz a montagem. Na mão dá pra ver escrito “You”…
ai, caramba, estraguei a piada. Mas que piada?

Motivos para isso são as facilidade em se capturar áudio e vídeo, a disposição de jovens (nem todos são tão jovens assim, mas tá valendo) em produzir conteúdo e querer ser um formador de opinião e, claro, a maior procura por games que se existe hoje em dia.
Acontece que o crescimento dos youtubers de games está sendo muito rápido. Um canal com, vai lá, 5 meses de idade já possui 10 mil inscritos, o que dificulta algo que muitos dos espectadores mais procuram nos vídeos: respostas e atenção.

Quem procura vídeos de gameplay comentado, ou então aqueles walkthroughs ou playthroughs, quer encontrar respostas para as dúvidas e dificuldades que encontram nos jogos. Acontece que a maioria das pessoas que procuram isso são moleques de tudo, que ainda não desenvolveram suas capacidades cognitiva e interpretativa totalmente.

Se um youtuber faz uma gameplay de M.O.A.B no Modern Warfare 3, um dos sujeitos mencionados no fim do último parágrafo logo coloca um comentário embaixo clamando: 

(insira o nickname do youtuber aqui), faz um vídeo de como pegar moab”


Se o filho da mãe tivesse assistido o vídeo, perceberia que o cara aproveitou certos pontos do cenário, não entrou pelo meio do mapa, usou arma tal, perk tal, kill streak tal, etc. Não interessa se o cara ficou falando sobre como foi o fim de semana dele: basta prestar atenção.

Falando em atenção, esqueci um pedaço da frase do pobre infante: 

(insira o nickname do youtuber aqui), faz um vídeo de como pegar moab. Dá joinha pra ele ver”.


A possibilidade de dar “gostei” e “não gostei” em qualquer coisa do Youtube gerou um novo terreno para os attention whores, pessoas que estão atrás de atenção e que querem ter seus comentários lá em cima na página. O pior é que outros attention whores dão joinhas no comentário.

Claro que os youtubers não fazem apenas vídeos. Muitos deles possuem trabalhos fora da internet, mas uma coisa é certa no mundo da criação de conteúdo. Qualquer um que possui um meio de comunicação com o mundo gosta de ler os comentários das pessoas, verificar as estatísticas geradas e comparar com outros trabalhos já feitos. Pode ser difícil ler todos os comentários? Pode, mas eles são lidos.

Um outro problema vem acontecendo. Porém, este é bem mais sério. É a tomada da opinião do youtuber como verdade absoluta. Acontece que, mesmo que se apresente argumentos contrários à opinião comentada no vídeo, o comentário é alvo não só de “joinhas negativos” (criei agora), como também de xingamentos diretos e infelizes. Se uma brincadeira é feita, ou então uma pequena trollagem é produzida, logo ela é identificada como “opinião contrária” e atacada por todos os lados. Falta humor nos comentários do Youtube. Apesar da maioria dos vídeos tratarem o jogo de forma descontraída, parece que os fanboys levam muito à sério qualquer característica do game posta em dúvida.

Lembro que, nesse caso aqui, apenas defendi uma opinião contrária. Alguns comentários até que foram inteligentes, mas a maioria deles descambou para o tradicional e rasteiro xingamento. Ou então o caso do vídeo de primeiro de abril do MarquesZero (sempre uso esse vídeo como referência), onde, ao menos no começo das visualizações, muita gente desceu o pau no cara por ele não ter feito o que prometia no título. Existem casos (estou falando igual ao Datena neste momento) até de youtubers que explicam que aquele vídeo era uma piada. Simplesmente ridículo. Que tal o uso de um alerta de sarcasmo?

Um detector de sarcasmo! Pronto! Melhor ainda!

Confesso que este post foi o desabafo de um inscrito em vários canais de games do Youtube, que vão dos nanicos até os gigantes. Gosto muito do trabalho que eles fazem, mas está cada vez mais difícil ler os comentários em busca de algo a mais. Só espero que isso mude com o tempo. Quem sabe os hipsters chatos/chupadores de bola do Instagram/metidos não mudam para, sei lá, o Vimeo e deixam aquilo legal? O problema seria chegar mais gente, aí a parada não seria mais underground, os próprios vimeors (criei agora) não iriam gostar dos “sujos” que iriam acessar, iriam desistir de fazer mais vídeos, iriam…

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