Existem alguns livros que gostamos muito, mas que, por terem sido lidos muito jovens ou sem o espírito da coisa, acabamos esquecendo partes da história. Esquecer partes de uma história não é necessariamente ruim, pois, se esses pedaços fizerem faltas, temos sempre a oportunidade de pegar o livro de volta, lê-lo e relembrar como aquilo era bom. Ou não.


Jogos de videogame que resistiram do começo da década de 90 (ou de antes até) até hoje são grandes blockbusters de venda certa. Alguns são ótimos e encantadores mesmo depois de tantos anos, como as séries Mario e The Legend of Zelda. Outros se tornaram obras Cult, como Earthbound/Mother. Por fim existe a classificação daqueles que se perderam no caminho, devido ao descaso dos produtores ou ao cansaço da fórmula. O grande exemplo é Final Fantasy.

Nunca entendi esses cachorros do inferno

Eu guardo um canto no meu cérebro para lembrar dos bons (e maus) momentos jogando a série da Square.  Comecei a série por Final Fantasy II (que na verdade era Final Fantasy V) e a história me cativou. Primeiro porque ela era muito boa mesmo. Quem não quer saber porque um meteoro caiu e quais as causas de os ventos terem parado? Isso é muito bom. Segundo porque foi o jogo que introduziu o Active Time Battle, sistema diferente dos RPGs que eu já tinha jogado. E terceiro porque, naquela época, era meu somente meu quinto ou sexto RPG jogado e, venhamos e convenhamos, era dos mais bonitos.

Depois veio Final Fantasy VI e acabou com a minha vida. FFVI está entre os melhores games que já joguei. A história é densa, os personagens carismáticos (olha na logo do blog e você verá Terra, uma das principais do jogo) e o sistema de tempo nas batalhas foi melhorado, lembrando muito o de Chrono Trigger (eu já tinha jogado a aventura de Crono quando joguei FFVI).

Fiquei muito infeliz quando a série saiu dos consoles Nintendo e foi para o Playstation. No entanto, arrumei um amigo para jogar Final Fantasy VII na casa dele. Eu ia lá todos os dias e, como era um RPG de turno, elaborávamos estratégias em conjunto. Discutíamos argumentando que tal golpe era melhor em tal momento, enfim, aquela nerdice. Terminamos FFVII e, claro, nos empolgamos para FFVIII. Naquela época eu já não acreditava como uma série podia ter ido tão longe. Oito é um número expressivo.

Então, ao chegar Final Fantasy Oito eu me decepcionei. Eu gostava das batalhas do sétimo jogo, aí a Square (acho que já era Square Enix nessa época) mudou tudo. Para mim, em um RPG, o que mais interessa depois da história é o sistema de batalha. Eu não curti o do 8, que trazia a opção de roubar a magia alheia. E outra: o jogo tinha carros. Não aceito meios de transportes tão modernos quanto carros. Deveria ser obrigatório nos RPGs o uso de aviões, dirigíveis, navios e trens, mas carros e motos já é demais! Parei ali.

Isso não é Final Fantasy

Por causa disso, perdi minha animação na série. Soube que Final Fantasy IX trazia ambientes medievais (diferente do VIII), os magos das antigas de volta e tals, mas eu nunca joguei. Até hoje não sinto vontade de jogá-lo, bem como os jogos seguintes da série principal. Final Fantasy X trouxe uma droga anexa chamada Final Fantasy X-II. Quando soube que um jogo da série Final Fantasy trazia um trio de mulheres porradeiras como principais logo depois do sucesso de “As Panteras” eu percebi que tinha ficado inteligente demais para jogar FF. Ou seria o jogo que emburreceu? Acho que foi os dois.

Enquanto o povo “curtia” FFVIII e FFIX, eu e meu amigo debulhávamos em Final Fantasy Tactics. Aquilo sim era um jogo de estratégia. Complexo mas atraente, ele trazia milhares de opções que devem ter alegrado os nerds por todo o mundo.

Depois do ano 2000, tive um hiato de Final Fantasy. Não joguei nada da série até descobrir os emuladores e as ROMS de NES e SNES. Foi aí que tive a ideia de fazer a “maratona Final Fantasy”. Em um ano zerei (ainda se usa esse termo? Prefiro mais “zerei” do que “fechei”. Whatever) os Final Fantasy I, II, III, IV, V, VI e Mystic Quest. Foi uma loucura foda. Lembro que quase fiquei cego de tanta coisa colorida e surdo por causa dos summons e músicas de entrada para as lutas.

Jogar Final Fantasy é uma questão de paciência. Diferente de Zelda onde você deve ser curioso (para encontrar objetos escondidos) e Diablo (onde é necessário habilidade e agilidade nos cliques), Final Fantasy exige de você perseverança. É frustrante entrar em batalhas longas, é chato fazer grindingpara matar chefões, é ruim ler linhas e mais linhas de bons mas cansativos diálogos. Mas é bom. Até Final Fantasy VII, terminar um jogo da série era muito recompensador e motivante. Você se acha um boss. Recomendo a todos que joguem, pelo menos, Final Fantasy VI (para mim, o melhor), Final Fantasy VII (para perceberem a revolução que foi) e Final Fantasy I ou II (para se perguntarem porque os produtores fazem jogos com tantas batalhas aleatórias).


Aliás, não recomendo a ninguém fazer uma maratona Final Fantasy. Se fizerem isso, comprem um estoque de fraldas, achocolatado em pó e salgadinhos com gosto de isopor.

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