Bom, antes de começar a falar sobre o texto e os erros cometidos, já vou logo dizendo que sou a favor do aborto e defendo a causa. Aborto é questão de saúde pública e deve ser discutido por toda a sociedade, seja no Congresso ou até mesmo nos templos religiosos. Não acho errado alguns religiosos serem contra o aborto, apenas acho que eles estão errados nesta colocação.



Logo na introdução do texto (escrito por um tal de TIBA, que eu não faço a menor ideia de quem seja), ele deixa bem claro que tratará do assunto aborto do ponto de vista ideológico, o que já derruba, ao menos para mim, a discussão. Como disse acima, aborto é questão de saúde e que, infelizmente, precisa ser discutido no âmbito político.

Depois é citado o projeto de neo-nazistas sobre a prática do infanticídio. Vê-se que eles apelam para algo absurdo (neonazismo + infanticídio) para colocar no mesmo escopo uma ideia mais simples que é a do aborto. E eu digo mais simples do ponto de vista da aceitação popular.

Dá raiva de ver símbolos apelões como este

Aí eles começam com o contexto histórico. Lênin (sempre achei o cara foda) teria sido o primeiro líder a implantar o aborto em um país, no caso, na União Soviética. Depois eles citam Hitler. O maluco do ditador alemão aceitava qualquer ideia que 1) defendia a raça ariana e 2) exterminava as minorias. Dessa forma, muitas das leis promulgadas durante seu governo são racistas. Mas o texto coloca as ideias do ditador alemão como atuais.

Alcançamos o magnata John Rockefeller. Estamos falando do filho do “homem mais rico de todos os tempos”. Em 1910 ele resolveu se tornar filantropo. A partir daí ele passou a defender o controle populacional no mundo. Uma das formas de controle populacional era o aborto, mas também entrava no mesmo balaio o planejamento familiar e a distribuição de métodos contraceptivos. Mas o texto da Canção Nova acredita na teoria da conspiração de que “o crescimento populacional no mundo era uma ameaça à soberania americana”. WTF?! Até onde sei, maior população significa maior mercado para vender produtos industrializados.  Será então que os EUA teriam medo de uma invasão? Ah, sim, me lembrei de que eles são uma nação pacifista e possuem apenas meia dúzia de soldados armados com estilingues.

Tem gente que não pode nem olhar para essa bandeira;
qual o motivo de tanto ódio?

Chegamos ao ridículo que foi citar o Relatório Kissinger. Eles mesmos dizem que o relatório foi cancelado pelo governo, mas que as embaixadas pelo mundo o aceitaram e colocaram em prática. Se isso fosse verdade, nunca que a CIA iria deixar um simples relatório vazar. E olha que estamos falando de mais de 20 anos atrás, época em que os Estados Unidos dominavam a maior parte do mundo.

Depois eles cometem uma segregação por sexo. Eles ligam, de forma correta porém aliada ao “mal”, de que a redução da fertilidade é tem tudo a ver com a entrada da mulher no mercado de trabalho.  Parece que eles acham ruim uma família com um ou dois filhos. Esqueceram de que tanta gente passa fome no mundo (apesar disso não estar diretamente relacionado à superpopulação, mas à falta de vontade dos governantes).

Na seção “Um breve resumo” me senti de volta aos anos 70 (apesar de nunca ter visitado os anos 70). Está escrito que para que os países do Norte continuem sendo potências, os do Sul precisam se foder. Todos sabem que, atualmente, o crescimento do mundo depende dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e que a saída da crise econômica da Europa, por exemplo, depende daqueles países se (como vou dizer isso?) “curvarem” ao estilo econômico de austeridade e controle de gastos que eles pregavam aos países subdesenvolvidos nos anos 90.

Depois tem isso:

Referente a eles próprios, também querem um povo saudável, inteligente, notável, sem defeitos mentais ou físicos… Enfim, o mais próximo do perfeito, para que comandem o mundo e tenham a mais alta qualidade de vida. Um mundo de poucos e com alta qualidade de vida.

Fico me perguntando se há algum problema nisso. Querer uma sociedade melhor, mais inteligente e com maior qualidade de vida é, em teoria, o objetivo de todos os países. No entanto, não é simplesmente aprovando o aborto que isso vai acontecer em curto, médio ou longo prazo. A evolução de uma população está mais ligada à educação do que a escolha de ter ou não um filho.

Depois atingem um ponto interessante, que é o interesse da “indústria do aborto”. Sim, muitos médicos e clínicas ganhariam dinheiro com isso, mas eles não ganhariam o mesmo tanto se deixassem a gravidez rolar? Pelo o que sei, sustentar a gravidez é um negócio caro e traz muito mais dinheiro para o mercado do que simplesmente abortar um feto.

Aí vem a parte mais ridícula, aquela que fez a minha cabeça colar no teto. É entretitulada (existe essa palavra?) de “Ações práticas para implantar o controle demográfico”. Nesta parte, eles listam “princípios” que “impedem o crescimento e desenvolvimento dos países subdesenvolvidos”. São estes princípios o homossexualismo, feminismo, cultura da família pequena, contracepção, esterilização, alarde sobre aquecimento global e explosão demográfica (?!) e o aborto.

Eles não sabem que homossexualismo é questão de comportamento e escolha, esquecem que foi o feminismo que permitiu com que os países subdesenvolvidos se desenvolvessem (as mulheres se libertaram da dependência econômica dos homens) e esquecem que foi a cultura da família pequena, a contracepção e a esterilização que permitiram menores gastos em saúde (menos gente, menos doença, menos gastos).

Mas vou me concentrar nas partes mais agressivas. O que o aquecimento global e a explosão demográfica tem a ver com o subdesenvolvimento? Isso não entra na minha cabeça. Está escrito que os países desenvolvidos jogam essa “teoria da conspiração” nos países subdesenvolvidos “na tentativa de afirmar que o problema do mundo está no número de pessoas”. E não está? Cite um país economicamente e socialmente desenvolvido com superpopulação. Não existe.

Os parágrafos seguintes metem o pau em feministas, na ONU e até no governo Lula.O mais idiota é quando o médico Bernard Nathanson, “um dos maiores defensores da vida”, conta como funciona um lobby (coisa que ninguém sabe). Odeio quando alguém diz que lobby é ruim. Os que acreditam em seus conceitos devem defendê-los conquistando apoio dos congressistas. Qual o problema nisso? Estamos aí para pressionar quem decide por nós. 


O que mais dói na minha cabeça é a falta de lógica do texto. A maioria dos ataques concentra-se no “argumento contra a pessoa” e não contra a ideia. É um absurdo como alguém desse naipe consegue liderar pessoas.

3 thoughts on “832 erros no texto “Uma visão geral sobre a implantação do aborto”

  1. Prezado Leando FreirePrimeiramente agradeço a observação que você fez no meu texto, pude rever o que escrevi e modificar a parte que uso a expressão “países do norte” e “países do sul” para determinar os países desenvolvidos e subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, troquei os termos e o texto ficou melhor mesmo.Você diz que rebate todas as minhas idéis, porém, não são as “minhas idéias”, são relatos históricos, citações de fatos e documentos que comprovam, sitematicamente, uma organizada tentativa de implementação do aborto.No seu texto encontrei apenas uma contestação pertinente, a que citei acima, e mais nenhuma. Eu realmente procurei cuidadosamente.Fica claro a sua opinião pessoal a favor do aborto e a subjetividade da sua contestação.Definitivamente você não rebate todas as “minhas idéias”, mas discorda delas, o que é diferente.No seu texto, fica evidente a opinião de que seria um absurdo comparar aborto com assassinato e ao meu ver essa sua opinião é o centro do texto. Porém, se fosse comprovada que a vida humana se inicía na concepção, o assunto estaria encerrado correto? Então vamos nos entender, porque talvez você não saiba mas essa comprovação já aconteceu.Entre muitas, o VII Conclave das Academias de Medicina se pronunciou dizendo que a vida humana se inicia na união do ovócito com o espermatozoide: http://blog.cancaonova.com/tiba/2009/05/29/congresso-medico-confirma-%E2%80%9Cvida-comeca-na-concepcao%E2%80%9D/E muito outras provas científicas já foram emitidas por delegações científicas sérias e de renome internacional.Percebi também que você citou uma parte do meu artigo fora de contexto, exatamente este: “Referente a eles próprios, também querem um povo saudável, inteligente, notável, sem defeitos mentais ou físicos… Enfim, o mais próximo do perfeito, para que comandem o mundo e tenham a mais alta qualidade de vida. Um mundo de poucos e com alta qualidade de vida.”Antes dessa parte explico o princípio da idologia eugenista que dá sentido a este trecho.Sinceramente não acredito que você tivesse a intenção de manipular o sentido do artigo, mas toda citação de parte de um texto, sem contexto, torna-se um pretexto.Fica claro no seu texto o despreparo quanto ao assunto “Aquecimento global” e a ligação das ideologias antinatalistas com o controle Demográfico, penso que não é uma obrigação saber, mas antes de discordar, um estudo sobre o assunto, seria muito útil para uma contestação pertinente.Termino agredecendo aquela sua observação que me permitiu fazer um artigo ainda melhor.Espero que nós dois consigamos o melhor possível dentro dos nossos limites, porque acredito que você também queira fazer o que é certo e defender o que é nobre.CordialmenteTiba

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