Quando se é criança e se está em grupo com outras crianças, é difícil sentar em um canto e brincar de Lego, por exemplo. A maioria das brincadeiras, obviamente, resume-se a machucar os outros coleguinhas com objetos que iam desde papel amassado, passando por gizes e “elásticos de dinheiro” e chegando a pedras.


Sim, pedras. Esses minerais nas mãos de crianças são verdadeiras armas de destruição em massa. Na época em que eu estudava da primeira à quarta série, milhares delas eram encontradas pelo chão de terra da escola. Inclusive chão de terra deveria ser proibido nas escolas. Acho que as mães que lavam roupa deveriam fazer um abaixo-assinado sobre isso, exigindo asfalto onde há terra vermelha.

Este objeto tem uma perfeita distribuição de peso. Use sem dó.

Então, a guerra de pedras acontecia nos minúsculos intervalos. Deveria ser uma meia hora de intervalo, mas isso, para crianças, é pouco. Consistia basicamente em um jogo de Worms sem turnos. Eram granadas sem tempo. Aqueles infantes tacavam pedras sem parar, especialmente quando a reserva do adversário acabava e ele precisava pegar mais munição no chão.

Como para sacanagem e humilhação todos são criativos e habilidosos, eu, no auge dos meus 9 e 10 anos, desenvolvi uma técnica. O dedinho e seu próximo seguravam uma pedra enquanto os outros três dedos lançavam outra pedra. Eu sou um descoordenado (quase um mongol, diria alguém mais sacana), mas essa skill permitia que eu fizesse Double Hit no meu adversário. Era uma técnica invejada que, somente após 11 anos estou contando para alguém.

Alvejar alguém era legal, porém na minha melhor história eu fui o alvo.

Em mais um dia de brincadeiras saudáveis, fui buscar, longe das árvores de proteção, lascas de cimento que serviriam como munição. Sempre as usava, pois elas “causavam mais dano”. Afastei-me da proteção e corri de costas para o adversário. Meu rival tentou me acertar com aqueles tiros laterais, mas Nossa Senhora das Costas Quentes me salvou. Consegui alcançar o local das lascas de cimento. Enquanto estava recolhendo as pedras, vejo aquele desgraçado lançar uma pedra para o alto, para que ela passasse pelas árvores. Óbvio que na quarta série não tínhamos aulas de física. Mas aquele filho de kenga, pelo jeito, já conhecia o conceito de balística. Olhei para cima e acompanhei a trajetória da pedra. Fui indo para trás para me proteger (minha grande burrada) e a observei novamente. Nesse momento o sol me cega e a perco de vista. Consigo me recuperar, dou um pulo e, mesmo assim, ela me atinge.
Não foi headshot (se fosse não estava aqui), mas ela quase acertou minhas bolas em formação. Foi na virilha. Caí no chão com uma dor excruciante e parei a brincadeira ali. Não dava mais pra mim.



Claro que no outro dia voltamos com a diversão violenta sem nos preocuparmos com nossa segurança.

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