Ontem presenciei um diálogo horrível. Ao saber que um político importante estava na cidade, uma mulher conhecida minha dispara:


– Nossa, vou me arrumar por que Fulaninho está aqui.


Eu, de prontidão, respondo:

– Pô, legal, mas o que ele já fez para você que não seja somente a obrigação?


Ela, também de prontidão, responde:

– Nada, mas ele é político e nós temos que ficar perto. Aff, Leandro, parece que você não entende nada de politicagem e interesse. Nem parece que você faz jornalismo.


Agradecido pela parte que toca meu estimado curso superior, deixei a conversa. Fui assistir a pizza do Faustão, porque lá estava melhor. Viviane Araújo estava lá.

Muita gente valoriza certos cargos no Brasil. Concordo que alguns cargos são essenciais e primordiais para o desenvolvimento de qualquer país, como engenheiros, médicos, pedreiros e professores. Até mesmo juízes podem ser considerados importantes se levarmos em conta o grau de violência de certa região. Mas políticos são cargos, por si só, diferentes.

A maioria dos brasileiros encara os políticos como deuses ou demônios. Reformulando, esta relação é quase de suserania e vassalagem. Quando o nobre chega à cidade, todos param para recebê-lo e contemplá-lo. Quando o cara vai embora, mete o pau. Isso é coisa de idiota.

“Aproveite a posição;
é só abaixar um pouquinho mais a cabeça”

O correto seria a relação de representatividade. O político é você na Câmara dos Vereadores, no Câmara dos Deputados, no Congresso. Ele é só o avatar de uma vontade popular (ou deveria ser). Valorizá-lo não irá melhorar em nada a sociedade, uma vez que buscamos a igualdade, né Constituição?

Óbvio que a relação deve ser pautado no respeito (como qualquer outra relação), mas o ato de baixar a cabeça e esticar as mãos me lembra os senhores feudais. Só falta o filho da mãe chegar no camarote do Carnaval e gritar: “Estas terras são minhas”.


Acredito que uma das formas de mudança de mentalidade da sociedade passa por pequenos atos. Se você começa recolhendo o óleo de cozinha em vez de jogá-lo na terra, um pequeno passo foi dado para não poluir o ambiente. O mesmo pensamento funciona na política. Se pararmos de inverter valores, quem sabe, no futuro… algum dia… essa droga não melhora?

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