Estava arrumando minha mochila calmo e sereno (como em baile de moreno, completaria Funky Black Cat) quando encontrei, em meio às centenas de coisas que ocupam aquele objeto depositário, um papel  ocupando frente e verso com informações sobre a ética anarquista. O texto é do Coletivo de Estudos Anarquistas Domingos Passos, de Niterói, escrito em janeiro de 2004. Resolvi ler e depois perder mais tempo ainda escrevendo este post.



Sempre curti esse símbolo
Para começar, já vou dizendo que não tenho ideologia e acredito que elas não são mais necessárias em nossos dias. Afinal, existe o jeito capitalista, comunista, anarquista, de direita, de esquerda, social-democrata ou republicana de, por exemplo, resolver o problema da Cracolândia? Não. Existe apenas o jeito certo e o errado. O certo é oferecer assistência médica e psicológica aos viciados em droga. O errado é chegar metendo a porrada.

Vou aqui pular as partes idiotas do texto, como a que diz que os empresários são a escória da sociedade. Também vou evitar falar de conceitos antiquados como “sociedade capitalista” e “burguesia”.

Uma coisa que achei interessante e que merece ser citada aqui é quando o texto diz que o anarquismo é um instrumento de transformação. E a ética anarquista entra em atitudes como apoio mútuo, autogestão, internacionalismo e liberdade. Na hora me deu um estalo e a minha querida internet veio à mente.

Se você perceber bem, todos estes conceitos foram aplicados na Web. O apoio mútuo pode ser visto em ambientes de crowdsourcing (em que uma galera, espalhada por toda a internet, se junta para resolver problemas). A autogestão é observada nos fóruns e chans, espaços de onde surgiu o grupo Anonymous (que, semelhante ao que prega o anarquismo, não tem um comando central). O internacionalismo e a liberdade são pregados em movimentos como o do Occupy, onde a organização é feita em redes sociais.

De cara, pensei se os piratas do Vale do Silício imaginaram isso em frente aos PCs ou se todas essas características apareceram aleatoriamente.
Percebemos que as bases de cooperação na internet são totalmente voltadas para o anarquismo. Um meme não tão antigo de chan dizia para não sermos “escravos do sistema”, assim como é propagado pelo anarquismo.

E, pelo jeito, o modelo neo-anarquista (criei agora esse nome) de desenvolvimento da internet prejudica as antigas lideranças comunicacionais e econômicos dos grandes grupos de poder, chamados de “os 1%” pelo pessoal do Occupy. São eles que, não admitindo a mudança de educação e forma de pensamento vigente, criaram projetos como SOPA, PIPA, ACTA e Lei Azeredo. E nós, detentores deste pequeno espírito anarquista, ir contra esta onda (na verdade, tsunami).


Pensei agora que eu devo ser um pouco anarquista também. Será?

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