Depois do fechamento do Megaupload e da auto-preservação deoutros sites de compartilhamento como FileSonic e Uploaded.to e 4Shared, a pergunta que fica é a seguinte: este é o fim do paraíso internético onde um puto no interior da Brasil pode passar conteúdo (diga-se, filmes, músicas e jogos) para outro puto no interior dos EUA?


É triste dizer isso, mas acho que sim. Não vou comentar aqui se o que o Megaupload ou outros sites fazem é pirataria ou não, nem vou dizer se isto é certo ou errado. Vou comentar sobre o fim de uma cultura.

Para quem é nerd, a internet, com toda a certeza, foi o maior invento já criado. “Putz, agora eu posso passar toda essa minha coleção de filmes antigos para meus amigos”, pensa um. Outro pensa: “Sensacional! Vou tirar scans desse meu mangá favorito e passar para outros reclusos em seus quartos”. Isso com certeza terá seu fim.

Minha pasta pública no Dropbox: centenas de reais
dos meus colegas de sala economizados

A partir do momento que os governos olharam para a internet, ofereceram a maçã proibida dizendo “Internet: Serious Business”. Claro que os governos só tomaram estas decisões pressionadas pelas empresas que antes ganhavam rios de fortuna produzindo e distribuindo conteúdo.

Quando Britney Spears passou a não vender mais CDs algo estava errado. Como assim, uma estrela do mainstream não vende mais? A culpa era da internet e, há alguns anos, de sites como Napster e KaZaA.

Mas a indústria cultural está atacando pelo lado errado. Em vez de derrubar sites, eles deveriam disponibilizar seus produtos na rede de forma mais barata e mais fácil. No modo mais barato, empresas como a Netflix e a Steam mostraram que é possível ganhar dinheiro (e muito dinheiro) em mercados tomados pela pirataria. A Steam é considerada hoje uma plataforma de lançamento de jogos, à semelhança do Wii, Playstation ou Xbox.

A disponibilização de forma mais barata não impede a pirataria. Jogos de US$ 0,99 do Android são pirateados. Nesse caso, o fdp que faz isso faz só para se aparecer. É como se o cara pegasse duas balas escondidas no mercadinho do bairro que ainda vende mercadorias a granel.

A forma mais fácil não me trouxe nenhum exemplo à mente, mas é fácil de imaginar. Como você conseguirá assistir aquele filme de bang-bang dos anos 40 sem recorrer ao torrent? Mesmo com ele fica difícil. Encontrá-lo do modo mais preguiçoso, ou seja, em sites como o Megaupload, é mais difícil ainda.

Citei no último post os RPGs que nunca joguei e fui procurar SaGa Frontier 2 na internet. Se eu pudesse, compraria o CD. Óbvio que não encontrei.


O que se vê são filões de negócios que podem ser explorados. Mas aí distribuição online e paga de conteúdo pouco tem a ver com a atualidade. E é o fim da antiga cultura da internet. 

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