Definitivamente, Filhos do Éden consagra Eduardo Spohr como o maior autor de literatura fantástica da história do país. Tá certo que o nosso Brasil veranil não é um berço no que diz respeito a este gênero. Estamos bem longe disso, para tristeza dos nerds. Mas Eduardo Spohr pode ser a fagulha necessária para um incêndio na literatura nacional. Tá, pode ser um exagero, mas é bom exagerar às vezes.

Por falar em incêndio, vamos falar sobre a personagem principal do livro, Kaira. Ela é a típica personagem que perdeu a memória. Ok, ela não perdeu a memória, mas aconteceu o mesmo que acontece com CDs, DVDs e memory cards: uma memória foi substituída, suplantada. O espírito de uma garota é colocado nela por Yaga, uma das vilãs da história.


É a partir da, digamos, inocência de Kaira que Spohr aproveita para nos mostrar um mundo mais consistente e complexo que o exibido em A Batalha do Apocalipse. Se o primeiro livro do autor era mais sobre as incríveis batalhas de Ablon pela história, Filhos do Éden segue um caminho diferente. O mundo dos anjos é mais exposto, apesar de a maior parte da história acontecer na Haled, digo, na Terra. Vemos também que os anjos inferiores são seriamente afetados por quaisquer mudanças que ocorrem em outros planos.


E agora Denyel. Provavelmente ele é o personagem mais querido por todos. O anti-heroi clássico: motoqueiro, alcoólatra, cafajeste, sem sentimentos aparentes, sem honra e com um passado nada orgulhoso. Ele é quem dá ritmo à história e quem aproxima os defeitos dos anjos com os terrestres. Um querubim dos mais espertos e que não age somente pela força.
Urakin e Levih não se destacam. O primeiro é um burro com instintos violentos e o segundo um pacificador chato. Pulemos para os próximos.


Gostei dos vilões. Yaga é a vilã que pensa pequeno. Já Andril é muito bom. Com planos de ascensão na escala angélica, o Anjo Branco é praticamente imortal. Não vou me surpreender caso ele apareça no segundo livro da saga. Andril é um covarde, pelo que se vê na luta final contra Kaira e faz qualquer coisa mesmo para alcançar seus objetivos.
Outro que acho que deve aparecer no segundo livro é Denyel. (OLHA O SPOILER!) Ele não morreu na batalha final. Certeza. Acredito que ele voltará lá para o meio do segundo livro, salvando Kaira de alguma enrascada.


Outro que merece destaque é o Primeiro Anjo. Ele é o Ablon de Filhos do Éden. Honrado e defensores dos humanos, ele decidiu partir em uma vendetta contra o destruidor de sua família: Miguel. Falando em Miguel, percebe-se que o cara é um grandissíssimo filho da puta. Voltando ao Primeiro Anjo, sua história é paralela à de Kaira e, por enquanto, não a afeta. Se fôssemos somar as partes em que ele aparece, teríamos um ótimo conto.



Espero que o segundo livro da saga Filhos do Éden traga mais batalhas sangrentas. Os caras do livro tem uma mania incrível de não matar. Quem liga para o sexto mandamento? Seria legal também se eles fossem à Atlântida. Ela só é citada no livro e o mais perto que chegamos dela é no final, em Athea. De resto, gostei do livro. Óbvio que ele não é tão empolgante quanto A Batalha do Apocalipse. É obrigatório ter em mente que Filhos do Éden traz um anjos de merda e não os arcanjos e generais do best-seller de Spohr. De qualquer forma, leia.

2 thoughts on “Review: Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida

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