Brincadeiras de adolescência: “pirulito”, “mão negra” e “caveira”

capa mão negra caveira pirulito

Tava aqui pensando o que faz com que os adolescentes queiram bater, maltratar e inventar brincadeiras baseadas na violência e uso da força bruta. Acho que, como a maior parte das atitudes (lembra que eram os comerciais acholotados em pó que diziam para termos “atitude”?) nessa época, o indivíduo deseja testar seus limites. Nesse caso, o teste diz respeito a quantidade de porradas que você pode dar no coleguinha, a quantidade de socos que você aguenta levar na altura do pulmão sem perder o fôlego, etc.

Brincadeiras como essas, que consistem basicamente em esmurrar o amigo por motivos torpe e vil e sem chance de defesa, são uma forma dos jovens liberarem a força interna. É melhor socar um amigo do que sair caçando brigas na saída da escola. Aliás, existem outras formas de liberar a força interna que os adolescentes possuem. Lembre-se que eu sempre falo dos dois pilares da sociedade: sexo e violência. A violência é contida com essas brincadeiras. Já o sexo, vocês sabem do que eu estou falando. Tudo isso, inclusive, é muito natural e serve de treino para as atividades do futuro.

 

 

A “mão negra” era dar um tapa no objeto que alguém estava segurando. Ao cair no chão, aquilo se tornava “objeto de ninguém”. Logo, você poderia usurpá-lo. O problema disso era quando chegava o intervalo e chegava alguém para “abater” o seu lanche. Por sorte, eu, que sempre fui pobre, nunca comprei nada na escola. Eu era um cara bem nojento, pois nem merenda eu pegava. De fato, nunca tomaram de mim um alimento sequer. Mas, durante a aula, sempre passava alguém no corredor entre as carteiras e dava um tapa na sua caneta gritando, ao mesmo tempo, “MÃO NEGRA!!!”. Só existiam duas opções: 1) perder a caneta; 2) manter a mão firme mas, devido à força aplicada pelo seu adversário, riscar metade da folha “sem querer”. Isso era foda.

Já a “caveira” era (estou me repetindo) bater em qualquer um que falasse palavrão. Para escapar da surra, bastava gritar “CAVEIRA!!!”. Agora vocês imaginam: eu falo muito palavrão. Uso palavrão como vírgula. Logo, eu era um alvo fácil para aqueles que desejavam exercitar os bíceps. E, muitas vezes, rolava nessa brincadeira de uma pessoa considerar uma palavra palavrão e a outra não. Aí levávamos ao “conselho” (juntava todo mundo) pra decidir se aquilo era palavrão ou não. Quando não era, o agressor levava um soco no agredido bem no meio do peito como forma de punição.

 

Não há som, mas você sabe o quê o garoto da esquerda está gritando

Não há som, mas você sabe o quê o garoto da esquerda está gritando

 

Pronto, finalmente chegamos na melhor das brincadeiras: “pirulito”. Falou qualquer palavra iniciada com “P”? Toma porrada até gritar “PIRULITO!!!”. Essa era brincadeira mais legal de todas, uma vez que é relativamente fácil falar qualquer palavra com “P”. Lembro que, certa vez, estava ao lado do meu amigo Diego (o maior mentiroso que eu conheço) e ele estava tirando alguma dúvida com a professora de Português. Aí ele falou uma palavra com “P”. Um apito tocou na minha cabeça e, como um animal seguindo os instintos, não me contive: com os nós dos dedos acertei dois socos na velocidade Super Sayajin justamente da altura do pulmão esquerdo dele. Ele se contorceu de dor, a professora olhou espantada e eu vi a merda que tinha feito.

Mas logo você Leandro? Um menino que é exemplo aqui na escola!”. Pronto, o melhor aluno da sala se tornando um badernista era demais. Todo mundo da sala teve que ouvir um sermão sobre como a violência é ruim e blábláblá. Foi foda. Mais foda ainda era quando o pessoal tratava as brincadeiras “pirulito” e “caveira” juntas. Palavrões comuns com “puta que o pariu” precisavam de duas senhas para o fim dos socos. Muitas vezes não dava tempo de falar, e muitas porradas eram dadas. E quando você escutava alguém falando as palavras proibidas, se aproximava sorrateira e marotamente e, só depois de uns 5 minutos, despejava seu ódio? O idiota ficava se defendendo sem falar nada até lembrar da brincadeira. Ah! Só tenho uma coisa a dizer sobre essa época: bons tempos.

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